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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

Confiança. Não é somente estar junto na vida Mas um passo à frente e além
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Confiança. Não é somente estar junto na vida Mas um passo à frente e além É conquistar o direito A ter sua ausência sentida É ser alguém dentro da outra vida Sentar-se lado a lado Num banco de praça Dar risada da piada Mais sem graça que houver E brincar de advinhar A cor do carro que vem É ser lembrado na hora de um sorvete Colher frutinhas num canto da calçada Dividir quando se tem tudo Querer estar por perto Na hora em que não tiver Nada pra fazer E nenhum lugar pra ir É fazer rir na hora da tristeza Conversar conversa à toa Andar de mãos dadas na rua Dividir a mesa Ter sempre um olhar de bondade Amor Simplicidade Fazer sentir E também sentir a falta Ler história boba em voz alta É ter um perdão pronto a perdoar É sentir confiança Ser feliz igual criança E amar de todo coração Amor de mulher Amor de amor Amor de irmão Amor de amar Estar junto até o fim Amor de jamais abrir mão do direito de querer Assim era o amor Que eu sentia por você Edson Ricardo Paiva

Ao longo da vida inteira Olhando as coisas grandes e pequenas Eu vi a borboleta que não podia voar
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Ao longo da vida inteira Olhando as coisas grandes e pequenas Eu vi a borboleta que não podia voar Ouvi falar de milhões de planetas Que estão lá, mas não abrigam vida Não tem água e nem tem ar Escondi no peito, descontente À tanta mágoa contida Era muita coisa pra suportar Ao longo de uma existência somente Era um Universo Perfeito Repleto de erros e imperfeição As coisas são assim Do jeito que as coisas são A borboleta que não voava Caminhou seu curto caminho E assim viveu a sua vida O Planeta ainda está lá Num jogo de equilibrismo Que quis Deus, essa esquisitice Servisse de escudo pra gente Pois as coisa são assim, somente Simplesmente isso Mas o mundo não pode aceitar Os erros que existem na gente As coisas são como elas são Só nos resta aceitar essa decisão E seguir em frente Pois a vida é assim. Edson Ricardo Paiva

Aquilo que tanto se procura Tudo quanto nos tortura Simples atalhos
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Aquilo que tanto se procura Tudo quanto nos tortura Simples atalhos Te carregam pra lugar distante Que fica em frente à altura dos olhos fechados Na palma da alma O Pacto de amor Um traço de vida Esboço de paz Que jaz, por sobre pedra fria E ainda assim Te espera em algum canto de mundo Num pranto sentido Que não faz nenhum sentido Apesar de aparentar Algo um tanto mais profundo Um desenho apagado de alma Na parede desbotada Que alguém pintou Na semana passada Normas que escreveu E ninguém leu e nem cumpriu Dias de noite clara Raras noites Cujas manhãs, um tanto mais escuras Faz a gente olhar e não ver nada Chuva que cai, se vai...ninguém se molha Vida que se passa Sem graça, sem sentido Perde-se a vez e outra vez é mês de abril Olhos fechados Ninguém viu Edson Ricardo Paiva

Pra que a gente possa um dia Sentar-se na cadeira de balanço E Num final de tarde
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Pra que a gente possa um dia Sentar-se na cadeira de balanço E Num final de tarde Olhar pela última vez Pra dentro de si mesmo E dormitar Até que a morte venha E nos acorde delicadamente Pela primeira vez Perceber que a vida passou Não fica quase nada Pouca coisa além que relações de afeto Isso apenas nos indica de que sempre Alguma coisa vem Mesmo que não fique quase nada Fica o pó de giz, que flutuava à luz do Sol Fica a Lousa apagada no final da aula A bicicleta quebrada, lá no fundo do quintal Que igual à vida Foi ficando pra outro dia Fica a lembrança de um nome escrito na calçada Quando o cimento permitia ainda O Primeiro dia de trabalho Aposentadoria A condução que chacoalhava A notícia boa que não vinha Tinha também a ruim Fica a culpa Que toda desculpa despejava em mim Os abraços que nos demos Os laços de amizade e de amor Só não fica nenhuma dor Conforme a cadeira balançou Ela se foi Pois não pôde ser dividida A arte da vida ensina Que sempre existe alguma coisa A jamais ser repartida em dois Termina quando a gente sabe e aprende Que há sempre algo Que ao nosso saber não cabe E um dia qualquer Pode ser a qualquer hora do dia Será sempre o final daquela tarde Quando o tempo finalmente nos alcança A cadeira balança uma última vez. Edson Ricardo Paiva.

Era como aguardar calado Que as coisas que acontecem Por obra do acaso
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Era como aguardar calado Que as coisas que acontecem Por obra do acaso Sem prazo, sem cobrança E nem olhares impacientes Era esperar que uma delas De repente batesse à porta Botando uma notícia boa No meio da mesa da sala Alguma coisa que calasse a alma Num mágico momento Daqueles que a gente não fala nada Era esperar alegria Era apenas espera Era sonhar Os sonhos que cada pessoa sonha Eu ponho meus sonhos à mesa Pode ser que eu sonhe à toa Assim Como era sonhar essa hora boa A vida passa depressa Mas o sonho bom demora A hora da surpresa Vai ficando no passado Era assim que era Essa era toda a verdade Felicidade Não era. Edson Ricardo Paiva

Depois que tudo se vai A noite continua sendo escura O dia claro
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Depois que tudo se vai A noite continua sendo escura O dia claro A rua também continua Sendo recoberta pela pedra fria Parece até que nada muda E de vez em quando a chuva cai Mas se a gente olha direito Percebe Que não chove mais do mesmo jeito E mesmo as estrelas Parecem não mais brilhar Com a mesma intensidade Pois Pra falar a verdade Depois Um mais um Não se pode dizer que são dois Não mais agora Depois que tudo se foi. Edson Ricardo Paiva

Um dia depois do fim do mundo A Lua ainda vai estar lá Vai nascer um dia lindo
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Um dia depois do fim do mundo A Lua ainda vai estar lá Vai nascer um dia lindo Em Plutão Todas as fotos de cometas Terão explodido Juntamente com as gavetas Armários e arquivos Mas um cometa vai passar no Céu Lançando um breve olhar furtivo Sobre um espaço vazio Que ficou no vazio do espaço Então, alguém que estiver distante Vai pensar na gente De um jeito que ninguém pensou Pois Por mais tempo um povo viva Nunca se vive o bastante Um dia depois do fim do mundo Toda a existência Não terá passado de instante Passado. Edson Ricardo Paiva

O que será que importa? Será que pegar a faca Pelo lado que ela não corta
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O que será que importa? Será que pegar a faca Pelo lado que ela não corta Vai convencer ao mundo de que eu ainda não fiquei Louco por completo? Será que em algum momento Tanto sangramento Que até hoje pôde ser evitado Evitou que todos aqueles Cortes menores Que tanto doem no coração Aqueles que ao longo da vida Eu os tenho suportado Quieto e calado Será que isso vai evitar Que eu ainda chore uma última vez? Será que vai chegar O tão esperado dia Em que, talvez levemente A vida melhore Antes de um dia qualquer ... de repente Sangrar tão intensamente A ponto de ter se tornado A última hemorragia? Edson Ricardo Paiva.

Fumaça A vida é simples nuvem Na lembrança um sorriso
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Fumaça A vida é simples nuvem Na lembrança um sorriso O cabelo esvoaçando E chove, mas a gente Não percebe Qualquer semelhança Nuvem, ventos, fumaça Quando tudo se vai Melhora, se a gente esquece O coração não consegue Agora que a vida prossegue O branco da nuvem Céu azul Eu não sei se desejo Que o tempo pare Ou passe um pouco mais depressa Hoje Só o tempo esvoaça A vida não faz Nem tampouco ela cumpre promessas Mais um dia se vai Pra nunca mais A vida perdeu o brilho O viço e a chama Os trilhos e o rumo O prumo e a graça. Edson Ricardo Paiva

Um pássaro tristonho Muito estranho e muito feio No meio de uma noite
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Um pássaro tristonho Muito estranho e muito feio No meio de uma noite Apareceu num sonho meu Mas o noite não parou Pra que eu pudesse compreender A vida amanhece E cada um tem seus próprios sonhos Cada vida traz em si mesma Pássaros tristes Pois eles existem Espalhado pelo caminho Mas nada mudam Quando a gente não se entrega A permitir que um deles Venha a fazer seu ninho Aqui no coração da gente A estrada segue adiante, empoeirada O pó de uma estrada É o mesmo pó de todas as estradas Interligadas Entradas, saídas, partidas e chegadas Pássaros tristes Sonhos e encruzilhadas A clara luz da tarde iluminando a vida A vida também não pára Nem o mundo esperou Eu chorar minhas tristezas Espalhadas pelo caminho No galho seco, um pássaro triste Que não canta, nem se alegra Segue as regras que criou Mas só vem fazer ninho Quando a gente o convida Então, alguém de passagem Verá seu coração pelo caminho Um galho seco, outra pousada triste Mas ... se estiver só de passagem Não vai te esperar também. Edson Ricardo Paiva

Agora a gente pode Pode rir e viver Agora a gente pode ir
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Agora a gente pode Pode rir e viver Agora a gente pode ir Agora você pode mostrar Aquele sorriso pronto Eu conto as horas, todo dia Agora a gente pode contar pra todo mundo Que não tem lugar nenhum onde ir Agora a gente pode rir Mas a vida fez tanta coisa da vida Que embora podendo sorrir A gente não ri, nem chora Hoje, agora, chegou a hora Finalmente, hoje é aquele grande dia Que a gente tanto esperava Num tempo em que podendo rir, não ria Alegremos nós, aos nossos corações Aquela linda oração foi ouvida Hoje a gente sabe O que a vida espera da gente Justamente agora Que não se espera mais nada da vida. Edson Ricardo Paiva

Viva a vida Enquanto a vida acontecer Agradecendo aos invernos
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Viva a vida Enquanto a vida acontecer Agradecendo aos invernos E também a cada deserto Que teu coração suportar Pois sua vida está sendo escrita Não busque amparo em promessas Palavras bonitas são só palavras O dia de hoje, ontem, amanhã será É assim que se vive a vida Então, simplesmente viva A tudo aquilo que germina Oculto pela transparência Da beleza fina do cristal Pois tanto mal quanto bem Vem bater à tua porta A cara verdadeira de tudo Está sempre escondida Viva a vida E a magia da ilusão desmedida Cada coração se fecha Na medida que os olhos se abrirem Deixa a vida correr Pois toda a vida é uma ilusão Exceto os olhares vivos Olhares da vida Tão perdida quanto todos nós Cada passo dado Escondido pela pedraria A revestir o pó dessa estrada Na alternância entre luz e treva Viva cada dia dessa vida Um dia, dessa vida, não se leva nada Todo dia, nada resta. Edson Ricardo Paiva

Eu tenho um pé de acerola no quintal. Todo dia ele amanhece carregado, eu vou lá e colho o máximo que posso. Amanhã vai estar cheio de novo. No dia que eu me cansar e parar de colher, ele vai parar de amanhecer carregado. As coisas são desse jeito. Eu conheço um mendigo chamado…
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Eu tenho um pé de acerola no quintal. Todo dia ele amanhece carregado, eu vou lá e colho o máximo que posso. Amanhã vai estar cheio de novo. No dia que eu me cansar e parar de colher, ele vai parar de amanhecer carregado. As coisas são desse jeito. Eu conheço um mendigo chamado João. Sempre que o vejo eu converso com ele. Se eu lhe oferecer alguma coisa, ele aceita. Se eu não oferecer, ele não pede nada. Ele é mendigo há muitos anos e me contou que no início usava a voz pra mendigar as coisas na rua. Um dia ele percebeu que as pessoas não estão tão preocupadas umas com as outras como dizem estar. Então ele se cansou de acreditar e parou de mendigar. Continua mendigo, mas só pra si mesmo, pois compreendeu, após a passagem de anos, que a vida o esqueceu no dia que ele se esqueceu da vida. As coisas são da maneira que são. Edson Ricardo Paiva.

A Gente mente Sente quanta diferença faz Crer ou não
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A Gente mente Sente quanta diferença faz Crer ou não Mentira É mentir pra só pra si Somente o tempo sabe a resposta Mas o coração Definitivamente Não tá mais disposto Ele tenta O relógio é mais forte Falso dia, modorrento Eu tento ouvir a voz de Deus Descalço e louco Ouço o vento Coração batendo fraco A cada dia mais lento Eu vejo chover ao Sol Mas não chove Essa tempestade somente Se move aqui dentro de mim Um dia A amizade com a alegria Aquela de viver Se rompe O coração grita baixinho Mas o som da chuva não deixa Tudo se fecha Não há vaga Vagas lembranças de que um dia A gente podia confiar Mas o coração Mentindo pra gente Não quer crêr Então ele inventa Pra fugir do que quer Tentando ser ouvido E faz a força De querer não crêr Desista Coração egoísta Carente de paz Nada mais é pra sempre Pra sempre agora O coração chora em silêncio Quando percebe Que pra sempre Nunca mais. Edson Ricardo Paiva.

Quando a gente se sente só E solidão é só o que se sente Percebe que a solidão
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Quando a gente se sente só E solidão é só o que se sente Percebe que a solidão Nunca chega só Pois sempre vem junto a ela Um frio suor nas mãos Arrepiando a barriga Na visão da janela fechada Um rio de tristeza Inundando o coração Vem a inseparável saudade E não vem mais nada Solidão, quando é da boa Faz ouvir a uma voz que ecoa E é sempre uma só, somente Causando um cortante frio Daquele que dói a alma Num vazio de não sei o quê Pois a solidão Não é só estar só É estar diante do mundo E não ver o chão É querer voar, sem ter ter asas É buscar ao odor do alecrim Num jardim de malmequeres Sem haver no final do dia Uma casa pra voltar E, sem ter aonde ir A solidão vem dizer Que não há no mundo lugar melhor Nem na vida coisa pior Pois qualquer lugar é lugar. Edson Ricardo Paiva

O Sol ainda brilha lá fora Eu sinto que luz e calor Não me pode alcançar
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O Sol ainda brilha lá fora Eu sinto que luz e calor Não me pode alcançar Corpo frio Longe de tudo Até mesmo da própria vida Coração vazio Nada mais prende mais atenção Que a vontade de ir embora Lá no fundo do quintal O ruído, pouco mais que gemido De uma alma chorando escondida O desejo de orar me toma Mas Deus não há Há somente a vontade que implora Com voz que ninguém pode ouvir E agora? Edson Ricardo Paiva

Quando a gente era criança Pensava que os jovens Eram bem mais espertos
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Quando a gente era criança Pensava que os jovens Eram bem mais espertos E conheciam melhor que a gente Os passos de cada dança Mas passam-se alguns dias somente E quando a gente vê Já os alcançou também Mas ninguém, absolutamente ninguém Ninguém nos avisa de que a gente não precisa Conhecer os melhores passos Pra poder saber viver Pois o mais culto nem sempre dá certo O tempo faz os melhores laços E os lança sobre todo mundo Pois a vida não é à toa E a vida boa é ilusão que se vai E quando eu era adulto que nem meu pai Pensava que os velhos sabiam de tudo E os mais velhos, a seu momento Faziam cara de sérios Levantando a aba do casaco A esconder o rosto ao vento E diziam que cada idade Tem seu tempo e tudo mais Mas a mais pura verdade É que a gente jamais cresce Porque não dá tempo pra isso A vida corre depressa demais E a gente, compromissado Não vê que deixou de lado A coisa mais importante da vida Que era dançar sem saber o passo E era prender para sempre Pertinho de nós A um único abraço Aquele que a gente queria O importante é saber Que por mais tempo se viva Não se sabe ou se vive o bastante, jamais Pois o tempo, sim; joga seus laços Mas cada um tem seu tempo E todo nó se desfaz. Edson Ricardo Paiva

Noites de infância Lembranças que não são nem minhas Crianças tem o poder
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Noites de infância Lembranças que não são nem minhas Crianças tem o poder De volta e meia Alegrar-se de alegria alheia Janela da varanda Noite, lanternas, neblina A luz do mundo é uma vela acesa Gente conversando Sob as luzes do poste da esquina Conversa que não dá pra ouvir Eu na varanda Esperando pai que não chega Quando a mãe manda ir dormir E quando mãe manda, ela manda Mais outro dia Menos um dia de infância Noite quente Amanheceu E o pai já foi trabalhar Vou esperar outra noite, ainda Pois criança tem essa maneira, muito linda Volta e meia Ficar triste de tristeza alheia Sentir tanto medo do inexistente A ponto de não perceber Que realmente ele existe. Edson Ricardo Paiva.

Amanhece E esse amanhecer parece Uma espécie de esperança
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Amanhece E esse amanhecer parece Uma espécie de esperança Em coisa que não acontece Pimenta sem gosto Arde, como se sabor houvesse Entardece E junto à tarde As nuvens vem formando Um cinzento Céu de tempestade Trovoada que não se ouve e nem vê Mas conforme a tarde passa Do jeito corre a vida A gente vê, sim; seus efeitos E mesmo que a chuva não caia É igual se tivesse caido Portanto Era de se esperar que anoitecesse Mas igual a qualquer esperança Jamais acontece Céu escuro e sem estrelas A Lua pálida e tímida Parece até que anoiteceu Mas não anoitece. Edson Ricardo Paiva.

Eu sinto saudade de todos os risos que dei E de todos os sorrisos
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Eu sinto saudade de todos os risos que dei E de todos os sorrisos Que porventura tiver causado Eu sinto saudade das conversas de todas as conversas que não tive Sinto vontade de escrever versos Que falem sobre elas Mas quando tento buscá-las As lembranças e pensamentos mostram Que tudo está lá no começo E hoje, eu olhando ao avesso As enxergo pertinho do fim Meu, Deus. Eu sinto saudade Pois, se havia alguma maldade eu não vi Só sei que não estava em mim A vida segue adiante Tudo se arruma, novos rumos vão surgindo A gente só não pode endurecer o coração E deixar de sentir Saudade, de vez em quando No mais A gente se acostuma a quase tudo. Edson Ricardo Paiva

Se fosse só viver o dia-a-dia Sobrevindo essa tristeza Mas a vida sempre leva uma alegria
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Se fosse só viver o dia-a-dia Sobrevindo essa tristeza Mas a vida sempre leva uma alegria E o tempo faz outras coisas Junto às coisas que o tempo traz E o tempo trouxe a compreensão Que eu tanto queria Sem saber que quando chega Carrega a inocência Que um dia fez crer que magia existe E essa vida sem magia é muito triste Se fosse só viver o dia-a-dia E essa acalentada compreensão Descortinasse o véu do tempo Lá na ponta da luz do Sol Pois a tudo se limita E os dias passam de três em três Pois isso também permite Deixar de viver Um dia de cada vez Sem a dúvida Tudo que sobra É a total ausência de valores No preço que nos cobra a vida. Edson Ricardo Paiva.

O PÁSSARO QUE MORREU ONTEM (Poema em homenagem ao herói venezuelano Oscar Perez) .
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O PÁSSARO QUE MORREU ONTEM (Poema em homenagem ao herói venezuelano Oscar Perez) . Não há como ser livre Espíritos livres, pensam liberdade Mas meu pensamento está na alma Minh'alma, em minha mente E minha mente está em mim Assim, não há como ser livre de verdade Pois hoje eu penso não ser eu Eu era um pássaro, que morreu ontem No meu voar, sem precisar de amparo Eu tinha um Deus como amigo Que me provia a água, que chovia No meu beber, sem precisar de cântaros E meu cantar de pássaro subia aos Céus Meus Céus e meu Deus Eram bem maiores que os seus Assim era o meu viver Sem abrigo, anteparo e nem casa Feliz, feito alma livre Que não pensa, porque não precisa E sem pensar me feriram Quebraram-me as asas Qual se fosse nada Qual se fosse brisa Mataram-me, sem precisar sentir vontade Uma das poucas liberdades que se tem E aquele, agora sou eu Sou eu, sem o poder de ser eu mesmo Mesmo assim, de alguma forma Eu sou obrigado e vou seguindo às normas Regras de gente, totalmente imprecisas E já faz algum tempo que estou aqui Pacata vida, de pássaro que não voa Pensamento preso à alma, pois pensar precisa Vivendo à toa, esse tempo infinito Sentindo a saudade, que também me mata Porém, quase nunca, uma morte certa. Edson Ricardo Paiva.