Frase de EdsonRicardoPaiva
Pra que a gente possa um dia Sentar-se na cadeira de balanço E Num final de tarde Olhar pela última vez Pra dentro de si mesmo E dormitar Até que a morte venha E nos acorde delicadamente Pela primeira vez Perceber que a vida passou Não fica quase nada Pouca coisa além que relações de afeto Isso apenas nos indica de que sempre Alguma coisa vem Mesmo que não fique quase nada Fica o pó de giz, que flutuava à luz do Sol Fica a Lousa apagada no final da aula A bicicleta quebrada, lá no fundo do quintal Que igual à vida Foi ficando pra outro dia Fica a lembrança de um nome escrito na calçada Quando o cimento permitia ainda O Primeiro dia de trabalho Aposentadoria A condução que chacoalhava A notícia boa que não vinha Tinha também a ruim Fica a culpa Que toda desculpa despejava em mim Os abraços que nos demos Os laços de amizade e de amor Só não fica nenhuma dor Conforme a cadeira balançou Ela se foi Pois não pôde ser dividida A arte da vida ensina Que sempre existe alguma coisa A jamais ser repartida em dois Termina quando a gente sabe e aprende Que há sempre algo Que ao nosso saber não cabe E um dia qualquer Pode ser a qualquer hora do dia Será sempre o final daquela tarde Quando o tempo finalmente nos alcança A cadeira balança uma última vez. Edson Ricardo Paiva.
No pensador.ai desde