SONHAR ACORDADO
Eu sonho quando acordado...
Um sonho no sono é ilusão!
E se quero ser agraciado?
O mantenho em sigilo, velado!
Só conto para o meu coração...
Se o sonho é atrapalhado?
E do foco, há a distorção?
Se o outro tem mau-olhado
O que diz no velho ditado?
A inveja trai, faz confusão...
Sonhar o que é idealizado...
E ter os dois pés no chão
Depois de o ter realizado?
Pode então ser divulgado
Sem conter a empolgação...
(SONHAR ACORDADO - Edilon Moreira, Dezembro/2018)
LINDA LUA
Encanta-me ver-te, ó Linda Lua!
Na noite que sou-te confidente
E na beirada do mar mas sem rua
A recebo num brado: Que presente!
Eu, amarelo em fé, sem rosário...
Sob teu claro... Luz de magia!
E o lanças no belo cenário
Das águas de sal da baía...
Não partes assim... Tão depressa...
Se ficas? Traz calma que alivia
A felicidade não sai com pressa
Quando se tem boa companhia...
Ah! Linda Lua... E em tudo atua...
E vens... Para dar-me, certo recado
- Ter pranto nåo é fraqueza tua
- É risco emotivo desperdiçado...
(LINDA LUA - Edilon Moreira, Abril/2016)
PARA CHAMAR DE MEU
Procuro ser aberto à vida...
Mantendo o amor e o afeto
Em qualquer estrada florida
E pelo desafiador deserto...
Comigo... A minha companhia...
Que divide a cumplicidade
Em cada noite, em cada dia
Até a mais alcançável idade...
E juntos... Vamos construindo...
Um ninho perfeito para nós
Onde só vai repercutindo
A felicidade em nossa voz...
E é esse que tenha espeito...
Que trate-me sem desdém
Que grite de dentro do peito:
- Me chame de seu também...
(PARA CHAMAR DE MEU - Edilon Moreira, Junho/2025)
PESCADOR DE ESTRELAS
Sou pescador de estrelas...
Eu passo a noite a vagar
Para as fisgar ao vê-las
Sem o dia testemunhar...
Um pescador de estrelas...
Não sabe no mar pescar
Mas anda sobre as telhas
Pra mais perto as observar...
Sou pescador de estrelas...
E gosto de as colecionar
Pendurá-las nas orelhas
E meus caminhos iluminar...
Um pescador de estrelas...
Se soubesse poesia criar?
Comeria mel das abelhas
Para o verso se adocicar...
Sou pescador de estrelas...
As pesco para as lustrar
E só depois devolvê-las
Cada uma no exato lugar...
(PESCADOR DE ESTRELAS - Edilon Moreira, Dezembro/2020)
LUA MINHA, LUA TUA
Ó lua minha e lua tua...
De iluminada beleza
Tão solta no céu flutua
Em branca delicadeza...
A noite fica encantada...
Perplexo, eu fico a mirar
Se fosse a alma penada?
Só em ti... Eu iria habitar...
Exalto-te noutro poema...
Um verso teima em luzir
Parece cena de cinema
Mas, juro que só eu a vi...
(LUA MINHA, LUA TUA - Edilon Moreira, Outubro/2021)
A SUPERLUA
A superlua no espaço flutua...
Com a sua face exorbitante
Qual o mistério que nela atua?
A deixá-la assim... Tão gigante!
Que nuance exuberante!
Parece pintada em uma tela
O céu tão negro, emoldurante
A realçar-se ao que revela...
Brilhante tal um diamante...
Os olhos fixam-se a ela
Fascínio tal tão cativante
Ó lua... Superlua bela!
(A SUPERLUA - Edilon Moreira, Fevereiro/2019)
HERÓI DAS RESISTÊNCIAS
Eu tive perdas... Tive ausências...
Na minha caminhada de um só
Me faço herói das resistências
Que levanta sacudindo o pó...
Assim a vida me leva à frente...
Fazendo as próprias escolhas
Tentando ser o mais decente
E que resista fora das bolhas...
Que aguenta daqui ou de lá...
Toda a indiferença humana
Mas não paro para lamentar
Como vive sicrano ou fulana...
Cada um tem sua natureza...
Que é trazida dentro do ser
E pode tornar-se fortaleza
Para todo o mal combater...
Quero apenas ser quem sou...
Com meus medos e pecados
E sendo intolerante à dor
Deixe-me em meu quadrado...
(HERÓI DAS RESISTÊNCIAS - Edilon Moreira, Setembro/2024)
UM DIA IREI A LISBOA
Um dia irei a Lisboa...
Capital Lusa da Pátria-Mãe!
Que do Brasil tanto se afeiçoa
Tal mãe, que a um filho não estranhe...
Escutar o fado, a música boa...
Dançar... Se assim me assanhe
Ler a poesia que ao mundo ecoa
Comer, beber do melhor champanhe!
Visitar lugares e monumentos...
Deixar fluir bons pensamentos
Navegar em um barco à proa...
No tempo que é ágil e voa...
Deixar flores e sentimentos
Ao túmulo do ilustre, Pessoa!
(UM DIA IREI A LISBOA - Edilon Moreira, Setembro/2017)
ONDE NASCE A MINHA POESIA
É numa hora encantada...
No embalançar da baía
Sobre as marolas salgadas
Que nasce a minha poesia...
Portanto ela é tão viva...
Da natureza transborda
Tem sua beleza e cativa
Todo bioma que aborda...
Sou um poeta anônimo...
E ao mundo quero dizer
A escrita não dá desânimo
Se a envolve por prazer...
Eu tudo posso guardar...
Na gaveta do pensamento
O dia que for mais solar
O sopro da brisa ou vento...
Sou a plateia de um só...
Aplaudo o mar com gritinho
A tanto espanto... Digo: Oh!
Na rima de um bom vizinho...
O verso se engrandece...
E não cabe na amplidão
Cai da lágrima na prece
Fugindo da inundação...
(ONDE NASCE A MINHA POESIA - Edilon Moreira, Setembro/2020)
ABRA SEUS OLHOS
Abra seus olhos para a vida...
Não deixe o tempo escapar
E vá se curando da ferida
Se alguma mágoa deixar...
Abra seus olhos ao mundo...
E vibre com uma coisa boa
Procure ser mais profundo
Sendo uma melhor pessoa...
Abra seus olhos para o amor...
Que só lhe visita se o quiser
E nunca atraia o dissabor
De quem seu bem não quer...
Abra seus olhos a cada dia...
E contemple a diversidade
Contagiando com alegria
O que transforma sem maldade...
(ABRA SEUS OLHOS - Edilon Moreira, Junho/2025)
SONETO PARA FLORBELA
A Florbela Espanca (In Memoriam...)
Quisera fosse este presente a uma flor...
Das criaturas, é a mais delicada e bela!
Na vida, na alegria, na tristeza, na dor
A sua presença é marcante e singela...
Nascida como Florbela de uma outra Flor...
Vertente em sonetos duma curta primavera
Que não se espanca, nem com pena de cor
E louva-se nos versos, por onde se reverbera...
Quisera merecer um soneto e não o compor...
E gritá-lo ao ardor por fora da estratosfera
Para ser percebido e causar-te, um fervor...
E repousar, se achegar, aonde o amor espera...
E achar teu doce odor, onde jaz, a miúda flor
Aterrada em luso solo... Tranquila... Mais etérea!
(SONETO PARA FLORBELA - Edilon Moreira, Julho/2016)
POEMA PARA TÍTI
A Títi Ewbank Gagliasso
Há algo que diz ser eterno...
Na criança que vive em mim
É ter um amor que é terno
Herdado num meio sem fim...
Não vejo as cores no incerto...
Se brinco no meu jardim
Pois se tem mar, tem deserto
E sol que está descoberto
Em amarelo doura o capim...
Se visto na pele e acerto...
Do algodão à seda ou cetim
Quem zela-me está por perto
E ensina-me o que é certo
O que é belo ou o que é ruim...
Eu tenho sonhos concretos...
O meu livro é escrito, sem vetos
Que a vida traduz-me, assim...
Meus olhos estão semiabertos...
Ou dormem ou são despertos
O meu mundo é cheio de afetos
Num reino perfeito para mim...
(POEMA PARA TÍTI - Edilon Moreira, Dezembro/2017)
UM POEMA BONITO
Apanho palavras ao vento...
E pesco palavras no mar
Pelo extensivo firmamento
Sem nenhuma desperdiçar...
Para fazer um poema bonito...
Dedicá-lo a um bem querer
Que tenha o que acredito
E meus olhos apreciam ver...
Com minha alma iluminada...
E a tua alma em comunhão
O poema que diz e não fala
Coisas que tenho no coração...
Levando-lhe uma esperança...
Ao encontrar o que buscou
Se a maior idade nos alcança?
É só reler o bê-a-bá do amor...
Deixando-lhe uma certeza...
Do passado já dissolvido
E cabe a nós a firmeza
De um futuro prometido...
(UM POEMA BONITO - Edilon Moreira, Fevereiro/2020)
ME TRAVISTO DE POESIA
Eu me travisto de poesia...
Sem manter desfaçatez
Para surgir à luz do dia
Como o Criador me fez...
Tenho um lado masculino...
Inerente à minha pessoa
Tenho um lado feminino
Que esvoaçante ressoa...
De duas partes fui gerado...
De um homem de uma mulher
E há muito sou emancipado
Para estar onde me quiser...
Cultivando a real amizade...
Ao longo deste caminho
Tendo a total serenidade
Até me tornar já velhinho....
(ME TRAVISTO DE POESIA - Edilon Moreira, Junho/2024)
PENSANDO
Eu fico aqui pensando...
Tendo um estímulo sensorial
Vendo o mar se aproximando
Cá do fundo do meu quintal...
Eu fico aqui pensando...
Um pensamento talvez banal
Tanto sal... Água se evaporando
E todo o oceano continua igual...
Eu fico aqui pensando...
Por que o tempo é sem final?
As espécies vão se acabando
É o nosso planeta imortal?
(PENSANDO - Edilon Moreira, Setembro/2024)
MARAVILHOSO
Havendo amor no coração...
O corpo cria as suas asas
E com elas faz a levitação
Visitando as tantas casas...
O amor em própria energia...
Não discrimina a ninguém
Se propagando ao dia a dia
A quem ainda não o tem...
Cada vez mais é aumentado...
Cada vez mais tão poderoso
Se ganha quando é doado
Tornando tudo maravilhoso...
(MARAVILHOSO - Edilon Moreira, Junho/2023)
SOLIDÃO
Minha solidão ao sol... Nunca me dói...
Mas à lua... Só quando ela me diz
Que meu ser lunar, de triste, se corrói
E o meu ser solar é quem é mais feliz...
A solidão não é alvo que se destrói...
É pequena árvore de longa raiz!
Acompanhada por mais de uma voz
Faz brotar amor onde antes se quis...
Em meus versos... Há algo de aloe...
De nuanças medicamentosas para febrís
Como lanças... Acertam todo o algoz
Que ferir-me, sem dizer-me, o que fiz?
Em meus versos... Há algo dos nós...
Que apertam e deixam uma cicatriz
Para lembrar que não estamos sós
Mas à presença dos elementais sutís...
(SOLIDÃO - Edilon Moreira, Junho/2017)
O BREVE TEMPO DE HENRY BOREL
A Henry Borel (In memoriam)...
Um anjinho pela terra passou...
Com seu breve tempo de vida
E que sem querer nos ensinou
A ser vítima da união repartida...
Imagino a imensa dor de pai...
Quando se é pego de surpresa
Quem te ama também te trai?
Dentro da própria fortaleza...
Quantos planos arquitetados?
Para aquele futuro cidadão
Quantos herdeiros destronados?
Por terem a interrompida missão...
Certamente, deixa lembrança...
Nos corações que o amaram
O eternizado sorriso de criança
Naqueles que o abraçaram...
Subiu ao céu... O anjo/menino...
Deixando para trás intrigas
Na chegada... Toca-se o sino
Anunciando-lhe: Boas-vindas!
(O BREVE TEMPO DE HENRY BOREL - Edilon Moreira, Abril/2021)
QUEM DISSE QUE SOU POETA?
Quem disse que sou poeta?
Que tenho uma escrita boa?
Que a vida mantenho aberta,
Aos olhos de quem a destoa?
Quem disse que sou poeta?
Quem disse que poesia voa?
Talvez esteja em linha reta
Distante do mestre, Pessoa!
Quem disse que sou poeta?
E ando nas noites de Lisboa?
Saindo e entrando de festa
Seduzindo, seduzido, à toa?
(QUEM DISSE QUE SOU POETA? - Edilon Moreira, Setembro/2024)
HOMOERÓTICO POEMA
O poema homoerótico...
Não é fácil de se dizer
Passa pelo nervo ótico
Depois do corpo percorrer...
Nascendo dentro do peito...
Na voz da contemplação
É para não ser suspeito
Ou chacota à enganação...
Ser poeta é ser flertado...
Por seguidor(a) que o ler
E é mesmo, inusitado
Não saber o que fazer?
A força que tem o texto...
Que ao outro ser penetra
Pode encontrar contexto
Naquilo que se expressa...
Se a outro, pareço bonito...
Bonito é o outro também!
Não almejo a um conflito
Se meu é... Ninguém o tem...
(HOMOERÓTICO POEMA - Edilon Moreira, Junho/2020)
QUANDO DORME UM POETA
Quando dorme um poeta...
O seu mundo se desmonta
Cerrando a porta secreta
Do que ausculta e aponta...
Tudo em silêncio pleno...
Como o soninho do bebê
Que sempre é tão ameno
Esperando o amanhecer...
E assim... O físico descansa...
Renovando as suas energias
Já a mente... Ao além avança
Na profundeza dos seus dias...
(QUANDO DORME UM POETA - Edilon Moreira, Fevereiro/2024)
A JORNADA DO POETA
O poeta sem a sua cruz...
Também tem o seu calvário
Se não se reveste da luz
Nada vem no imaginário...
Percorre áridos caminhos...
Qual a natureza desenha
Separa da rota espinhos
Faz sua fogueira sem lenha...
É dia dos mais ensolarados...
É longa noite... Escura, fria
É templo sem haver cercados
Um amplo antro de nostalgia...
Poeta... É um ser paciente...
Quando tece lindo bordado
Do que é... Do que ressente
Pra oferecer ao ser amado...
Espera pela felicidade...
Na última hora a chegar
Com a mesma vivacidade
Só o que importa é o amar...
O poeta... O que pensa, diz...
O poeta, se quer? Encanta!
Poeta, um eterno aprendiz
Tudo à vida, dá-lhe conta...
(A JORNADA DO POETA - Edilon Moreira, Março/2021)
EU BORDO NO MANTO DO CÉU
Eu bordo no manto do céu...
Nomes de seres decentes
Por terem doçuras de mel
E carismas surpreendentes...
Eu bordo no manto do céu...
Nomes daqueles ausentes
Que tiveram destino cruel
E calados, covardemente...
Eu bordo no manto do céu...
Nomes dos queridos entes
Que fizeram um bom papel
Ficando dentro da mente...
Eu bordo no manto do céu...
Os versos fluorescentes
E que tremulam ao léu
Por serem versos somente...
(EU BORDO NO MANTO DO CÉU - Edilon Moreira, Outubro/2024)