SANTUÁRIO
Eu sou na vida um emissário...
Dono do apropriado destino
Que se abriga em santuário
Que é algo surreal e divino...
Esperando os novos dias...
Sem conter nenhuma dor
Um aspirante de alegrias
Por onde esteja ou for...
Rabiscando novos versos...
Que na poesia eu explicito
Se há esforço? Não o meço
Trago paz em meu espírito...
Sendo grato a cada instante...
Por contemplar a natureza
O pôr do sol tão radiante
O vem e vai da correnteza...
Tendo mar em frente à porta...
Em seu frenético movimento
Com minha morada exposta
À mercê de qualquer vento...
(SANTUÁRIO - Edilon Moreira, Abril/2025)
TODOS OS DIAS EU VEJO O MAR
Todos os dias eu vejo o mar...
Vez ou outra, sinto os ventos
Quase sempre posso versar
O que há nos pensamentos...
Algumas noites namoro a lua...
E mando beijos às estrelas
Todas as noites a mão sua
Aquiescida pelas centelhas...
Na beira do mar é que resido...
E acordado prolongo o sonho
E para cada verso desmedido
O que em mim há, eu disponho...
(TODOS OS DIAS EU VEJO O MAR - Edilon Moreira, Outubro/2022)
O SER SENSÍVEL
Amo tanto o ser sensível...
Que se despe quando fala
Que se recobre e é visível
Enquanto a verdade exala...
E tanto amo a boa música...
Quanto a simples poesia
Ao juntá-las, fica lúdica
Dando uma linda cantoria...
Para dedicar a quem amo...
E a quem não amo também
Pois todos de amor chamo
Para que me queiram bem...
O ser sensível que procuro...
Há de estar n'algum lugar
E me deixará mais seguro
Se seu amor compartilhar...
Em meu tímido romantismo...
Nenhum estresse o escurece
No fundo... Traz o otimismo
Que gratuitamente oferece...
(O SER SENSÍVEL - Edilon Moreira, Maio/2022)
SE TODO POETA MORASSE NO MAR
Se todo poeta morasse no mar...
Jamais lhe faltaria a inspiração
Pois tudo que veria ao acordar
Era o horizonte em tridimensão...
O sol, a lua, o vento, a maresia...
Desfilando em frente à varanda
As águas agitar-se noite e dia
Conforme fosse sua demanda...
Veria milhões de estrelas no céu...
Criava poemas de vivo encanto
Faria um extraordinário fogaréu
Para iluminar o negro manto...
(SE TODO POETA MORASSE NO MAR - Edilon Moreira, Maio/2025)
TODO MUNDO TEM UM AMIGO
Todo mundo tem um amigo...
Mas tem um que é especial
É aquele que te dá o abrigo
Quando sente-se bem ou mal...
Um amigo é algo precioso...
É às vezes mais que irmão
Pois nos ouve silencioso
Em qualquer estado de aflição...
Há quem viva sem ter muitos...
E quem diga que tenha poucos
Reafirmando quando juntos
Momentos grudados ou soltos...
(TODO MUNDO TEM UM AMIGO - Edilon Moreira, Julho/2024)
TODA MÃE MERECE UM POEMA
Toda mãe merece um poema...
Que enalteça suas qualidades
Que compreenda seus dilemas
Os seus medos, suas verdades...
Toda mãe merece uma reverência...
Toda mãe merece ser compensada
Pela sapiência de sua vivência
Pela coragem em sua jornada...
Essa mãe heroína, gari ou atriz...
Estrela de cinema, professora
Cozinheira, faxineira em Paris
Delegada, policial ou doutora...
Cada uma com sua importância...
Cada uma com sua singularidade
Cada uma com sua exuberância
Tendo menos ou bastante idade...
(TODA MÃE MERECE UM POEMA - Edilon Moreira, Maio/2024)
PLANTE AMOR, COLHA FELICIDADE
Tendo menos ou mais idade...
Não importa sua classe ou cor
Plante amor, colha felicidade
Que a vida repõe o que gastou...
Fazer o bem sem olhar a quem...
Devia ser uma lei na sociedade
Sem o desrespeito a ninguém
Exaltaria a sua humanidade...
Pois há um propósito em tudo...
Cada um recebe a sua missão
Se a executa bem... É sortudo!
E terá sempre a compensação...
Não se vem ao mundo para sofrer...
E nem tampouco ser humilhado
No fundo é para somente obter
O que reciprocamente é trocado...
(PLANTE AMOR, COLHA FELICIDADE - Edilon Moreira, Fevereiro/2024)
TODO ESCRITOR É POETA?
Todo escritor é poeta?
Todo poeta é escritor!
A sua poesia é honesta
Perante olhos do leitor...
Em toda noite tem festa?
Nem todo dia faz calor!
Quanto de tempo resta?
A visitar-me, meu amor...
Se o céu é uma linha reta...
Ele tem a cor que o dou
Nasce lá uma rosa ereta
E nasce todo tipo de flor...
Há no universo, uma fresta...
E ninguém por lá passou
É onde o verso atravessa
É onde o poeta tem louvor...
(TODO ESCRITOR É POETA? - Edilon Moreira, Novembro/2019)
SEM FRAGMENTAR O PRÓPRIO SER
Perdurando a jornada da vida...
Uns e outros a gente conhece
É gente feliz... É gente sofrida
E gente que não se esquece...
Cruzando nossos caminhos...
Ou se distanciando de nós
Aquecendo os seus ninhos
Àqueles que sintam-se sós...
Trajetos fáceis para alguns...
E trajetos a outros, árduos
Em objetivos quase comuns
A brancos, pretos e pardos...
Que buscam uma realização...
O direito de existir, pertencer
Mantendo a relação de união
Sem fragmentar o próprio ser...
(SEM FRAGMENTAR O PRÓPRIO SER - Edilon Moreira, Junho/2025)
LINDAMENTE
Eu quero ficar somente...
Debruçado à janela
E tudo ver lindamente
O mar, o céu, a caravela...
Quero o dia iluminado...
Quero a meu bem, viver!
O meu bem mais amado
Ao meu lado sem sofrer...
Que tudo seja completo...
Sem nada mais a pedir
Nesse cantinho seleto
O que resta é existir!
E brindar pelo momento...
Com pedido em oração
Que vai no pensamento
Mas contém-se no coração...
(LINDAMENTE - Edilon Moreira, Dezembro/2020)
DE PÉS DESCALÇOS
Meus pés descalços me levam...
A outra caminhada matinal
E nos pulmões se revezam
O tal puro oxigênio e o sal...
No caminho traço curvado...
Que vai beirando o mar
Pelo Criador desenhado
Em seu perfeito modelar...
Sem pressa vou-me contente...
Comigo a pequena tristeza
De ser assim tão somente
Eu e a primitiva natureza...
Em um momento de refletir...
Atento dou os meus passos
O meu peito sempre a pedir
Encontros de mil abraços...
(DE PÉS DESCALÇOS - Edilon Moreira, Agosto/2019)
TODA COR TEM A SUA BELEZA
Toda cor tem a sua beleza...
Toda raça tem importância
Quando se sente a nobreza
Bem distante da ignorância...
Tanta gente há no mundo...
Cada qual com o seu papel
E só no ambiente fecundo
Não se perpetua ser cruel...
Cada um tem o próprio jeito...
Sua maneira de se expressar
Seu amor quando é perfeito
Nada tem o que questionar....
Cada indivíduo tem talento...
E do sucesso é merecedor
Brilhante no seu momento
Gozando dele pleno valor...
(TODA COR TEM A SUA BELEZA - Edilon Moreira, Novembro/2022)
RETRATO DE FRIDA KAHLO
Passeia o delineante pincel...
Por cima da tela em branco
E recria-se como num painel
A trajetória de dor e pranto...
Extraordinária mulher! Infiel...
No autorretrato... Seu encanto!
Na delicadeza do cru, cruel
Sem melancolia sem espanto...
Foi uma admirada guerreira...
Expôs a sua pintura pioneira
Lutou com as próprias armas...
Superando-se nos acidentes...
Entre amantes e inconfidentes
Viveu o glamour e os karmas...
(RETRATO DE FRIDA KAHLO - Edilon Moreira, Abril/2021)
POESIA MUNDANA
A minha poesia mundana...
Não fica parada ao vento
Viaja por longeva semana
Buscando desbravamento...
Vagueia pelo breu do céu...
E passeia sob a luz do dia
Às vezes é doce tal o mel
Ou somente sal da maresia...
Vivaz como toda criança...
Tem a calma de um ancião
E traz a cor da esperança
Realçada na imaginação...
Na beira do mar, nasce, vive...
Atravessando as 24 horas...
E lembra-me onde estive
Preservando boas memórias...
(POESIA MUNDANA - Edilon Moreira, Agosto/2022)
CANTORIA DE POETA
A cantoria de poeta...
Começa bem devagar
Atingindo a sua meta
O verso fica a vibrar...
Não tem dia ou certa hora...
Quando quer reaparecer
Por dentro dela revigora
Só o que tem a aquiescer...
Poeta escreve em versos...
Uns rimados outros não
Os delicados os perversos
Dependendo da situação...
Metade da vida fui música...
Que deu paz ao meu sentir
E a outra metade tão lúdica
Que brinca assim de existir...
(CANTORIA DE POETA - Edilon Moreira, Junho/2023)
O NOVO DIA
Quando nasce o novo dia...
Também nasce a esperança
Que o Criador nos envia
Com a força duma aliança...
Para que ninguém desista...
Que o viver é bem querer
E tudo mais se conquista
Quando se sabe agradecer...
Nasce em cores enigmáticas...
Entre as pratas e as douradas
Essas tais nuances fantásticas
Que não podem ser copiadas...
Tem na sua beleza única...
Os traços tão definidos
A imortalidade tônica
No apuro dos sentidos...
É presente que se recebe...
Para se celebrar com vida
E com honra se concebe
Toda chegada, toda partida...
(O NOVO DIA - Edilon Moreira, Novembro/2020)
UMA PAUSA
Uma pausa para o descanso...
Que traz um bem necessário
Uma pausa no meu recanto
Num extraordinário cenário...
Uma pausa para ver o mar...
Sem fazer um movimento
Uma pausa para meditar
E elevar o agradecimento...
Uma pausa para ver a lua...
Juntamente com as estrelas
Numa pausa... A colmeia recua
Para o desespero das abelhas...
Pausa para ouvir um pássaro...
Surpreender-se com o beija-flor
Ou reavivar um antigo laço
Que durante a vida formou...
Pausa também para a poesia...
Que não tem linha de produção
Existe a cada hora em novo dia
Em quem a mantém no coração...
Uma pausa longa nesse dia leve...
Como em tantos outros vividos
Uma pausa para quem escreve
A formular os novos sentidos...
(UMA PAUSA - Edilon Moreira, Novembro/2021)
NO SILÊNCIO DO POETA
No silêncio do poeta...
A palavra fica pausada
Esperando a hora certa
E então ser expressada...
O poeta quando se cala...
Emudece todo o mundo
Não há verso e nem fala
Que rompa este segundo...
Podendo ser de tristeza...
Ou da falta do que dizer
Por não perceber beleza
Na existência de cada ser...
Já tendo a própria missão...
De exaltar o que é singelo
Ou só dá uma informação
Fazendo conexão ao elo...
(NO SILÊNCIO DO POETA - Edilon Moreira, Março/2024)
DEPOIS QUE O SOL SE LEVANTA
Depois que o sol se levanta...
Tudo passa a ascender
A tristeza, logo, espanta
Deixa à vontade o viver...
Depois que o sol se levanta...
Desperta a mim e a você
Presente de ponta a ponta
Para toda planta e todo ser...
Depois que o sol se levanta...
Em seu reinado de aquecer
Qualquer terráqueo se encanta
Com tão enigmático poder...
(DEPOIS QUE O SOL LEVANTA - Edilon Moreira, Setembro/2021)
ESSE SER ESTRANHO
Eu sou esse ser poeta...
Sou esse ser estranho
Levo uma vida discreta
Cultivando cada sonho...
Escrevo sem hora certa...
Toda rima tem tamanho
E cada verso me liberta
Minha alma eu exponho...
E sendo obra incompleta...
Toda palavra eu reponho
Alguma há de ser a certa
A deixar-me mais risonho...
O amor é a grande meta...
E por ele, eu me assanho
Solto fogos! Faça festa!
Pouco perco... Tudo ganho...
(ESSE SER ESTRANHO - Edilon Moreira, Setembro/2022)
HOJE
Hoje eu quero ver o sol...
Na sua ostensiva beleza
Retirar-me do fino lençol
Com raios de delicadeza...
Hoje eu quero ver o mar...
Mais ainda do que ontem
E amanhã quando acordar
Lembrarei do anteontem...
Despertar e ficar de pé...
Levemente pisar a areia
Antes de tomar um café
Ou desejar a outra ceia...
Hoje eu quero mais um dia...
Quero um dia como antes
Para exprimir a viva poesia
Exaltando-se aos instantes...
(HOJE - Edilon Moreira, Maio/2021)
NÃO HOUVE O ENCONTRO DE ALMAS
Não houve o encontro de almas...
Que por longo tempo desejei
E nada me fez manter a calma
Só angústias em mim cravei...
E nem tenho como bater palmas...
Se no campo do amor fracassei
Tendo culpa pelo que ambiciei
Restaram a soma dos traumas...
Sendo intolerante a tanta dor...
Um pouquinho melindroso sou
Se é tensa a contínua jornada...
Só há na incompreendida missão...
A grande lacuna em meu coração
Que ficou sem ser completada...
(NÃO HOUVE O ENCONTRO DE ALMAS - Edilon Moreira, Maio/2025)
A POESIA QUE HABITA EM MIM
A poesia que habita em mim...
Não se tem como expressar
Traz meu lado bom e o ruim
Disputando um mesmo lugar...
Ora sou calmo ora elétrico...
Ora sou alegre ora sou triste
Ora sou doce e ora patético
Ora controlado ora sem limite...
Mas há a gratidão no verso...
Bem maior que o meu ser
É esse sol no meu universo
Que se deixa transparecer...
Eu trago num entra e sai ano...
Tudo o que me é envolvente
E é só no amor que emano
O que tenho de consistente...
(A POESIA QUE HABITA EM MIM - Edilon Moreira, Outubro/2021)
SERMÃO
Não quero aqui citar tristeza...
Nem justificar o meu sermão
Com minha sutil delicadeza
Sem dela ter que abrir mão
Pois em tudo existe grandeza
Enquanto maior é o coração...
Não cobro mais nada da vida...
Nem implico com a má pessoa
Mas tento dá qualquer guarida
A quem de mim se afeiçoa
Metade da jornada já vivida
A outra passada onde ecoa...
Com o tempo não brigo mais...
Que venceu-me pelo cansaço
O meu esforço não foi capaz
De usar tais nervos de aço
Mas espero em nome da paz
O conforto dentro do abraço...
E que então me traga a sorte...
De partilhar de um pleno amor
Que dizem ser construção forte
Sem ter um preço mas com valor
Que dá um sentido, um aporte
Mas sem causar nenhuma dor...
(SERMÃO - Edilon Moreira, Abril/2024)