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Frases de Edgí Carvalho

77 frases

Se eu podesse com palavras O meu amor expressar Descrever em cada verso
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Se eu podesse com palavras O meu amor expressar Descrever em cada verso O que você quer escutar Eu diria com clareza Que a minha maior certeza É que sempre vou te amar.

Sinto frio na barriga Quando me aproximo de você Meu coração acelera a batida
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Sinto frio na barriga Quando me aproximo de você Meu coração acelera a batida Quando chega a hora de te ver Queria sentir o seu corpo quentinho mais uma vez Te abraçar bem apertado dia a dia, mês a mês Encontrar de uma vez por todas Nosso auge do prazer Pois nada me daria mais prazer na vida Do que ter prazer com você...

Minha boca ainda sente o gosto do seu beijo. Por um momento senti Um gostoso arrepio
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Minha boca ainda sente o gosto do seu beijo. Por um momento senti Um gostoso arrepio Minhas lágrimas virou rio Quando você foi embora Meu peito até hoje chora Lamentando sua partida Igualmente a despedida Que nós tivemos outrora Minha garganta estranha Essa voz que hoje tenho Vivo em atrito ferrenho Com minha angústia tamanha Por fazer tempo que não te vejo Esse meu olhar não mente Nele vejo que minha boca ainda sente O gosto do seu beijo!

Seis momentos: A série. Portos Estamos atracados em portos
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Seis momentos: A série. Portos Estamos atracados em portos Impedidos de seguir Enterramos nossos mortos Continuamos a Coexistir Avisasse a todo mundo Habitante desse mar profundo O pior está por vir... Mortos Os Mortos que nos deixaram Habitam outro lugar Aqueles que atravessaram Pelo portal, atrás do altar. Estão em um lugar silencioso Tranquilo, mas assombroso. Impedidos de gritar... Escuros Nas penumbras das noites Ninguém consegue nos ver Nos escuros estonteantes É difícil perceber Que quando a coisa tá preta Um punhal ou baioneta Vai conseguir nos vencer... Pedras Construídas de pó em pó Resiste fortemente Nunca derramou suor Porém aparentemente Sangra sem ter veia Hoje, pedra, amanhã areia. E sem vida, segue em frente. Flores Também morrem, como qualquer um. Também cai, como um fruto. Mas não chora, em momento algum. É delicada e elegante De valor quão diamante 100% absoluto. Muros Professor dos desastrados Corretor de desatentos Testemunha dos namorados Detentor de detentos Porém muito criticado Por que só fica parado E nunca expõe seu lamento.

⁠Roubei-me de mim Eu tinha um par de olhos azuis, Os roubaram achando que eram diamantes.
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⁠Roubei-me de mim Eu tinha um par de olhos azuis, Os roubaram achando que eram diamantes. Eu tinha dois fios de cabelo loiros, Os roubaram achando que era ouro. Eu tinha uma barba bem feita, Também levaram e não disseram o porque. Eu tinha duas noites de sono perdidas, Me levaram por conta do sonho acumulado. Descobri que eu era o ladrão E só não tenho nada disso Por que roubei-me de mim...

⁠Ser diferente é normal Tenhas cabelos lisos e loiros, Crespo ou algo igual,
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⁠Ser diferente é normal Tenhas cabelos lisos e loiros, Crespo ou algo igual, Cacheado, negro ou ruivo Rastafari, Black power é radical, Seja careca ou cabeludo, Com cachos bolinha ou parafuso Ser diferente é normal. Seja branco, índio ou negro, Seja Cosplay ou real, Goste de vermelho ou preto, Seja anti-social. Tenho sempre a consciência Que não importa a crença Ser diferente é normal Não importa a religião Ou seu costume matinal Se pensa fora da casinha, Se é recluso ou liberal. O que importa é que só a gente Sabe o que a gente sente Ser diferente é normal.

Erguendo um país nos infernos Aos poucos ergueu - se o orgulho Às margens do rio do egoísmo
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Erguendo um país nos infernos Aos poucos ergueu - se o orgulho Às margens do rio do egoísmo Coberto por nuvens escuras carregadas de ódio Ventos que sopravam em direção ao fanatismo Sua economia era baseada no desgosto O apelo rancoroso de seus Patrícios Agora são apenas contradições Ou quem sabe?, Contrações Do movimentar do maxilar no seu rosto. A poesia é o passado Mas já foi presente Já fez parte da dor, do suor e da mente Hoje só rabisca papéis de sobras Escrito "data" num canto. O que um dia já foi "canto" Hoje está num canto qualquer Não tem mais sentido para tanto. Não existe futuro algum Neste país Que um dia foi projetado para ser um paraíso Não passa de um inferno comum.

⁠Silêncio no rádio Estão escrevendo mais um poema de amor. Perdão! Silêncio no rádio
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⁠Silêncio no rádio Estão escrevendo mais um poema de amor. Perdão! Silêncio no rádio Estão escrevendo mais um poema de dor. É um poema tão quente Que as vezes me faz muito calor Ou um poema tão doloroso Que as vezes causa muita dor Silêncio no rádio Não quero ser seu resplendor Silêncio no rádio não quero mais essa dor Silêncio no rádio Perdão se meu tema é amor!

⁠3 6 9 Alcançado, então, o topo Retirou todos os sóis, outrora multicolor
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⁠3 6 9 Alcançado, então, o topo Retirou todos os sóis, outrora multicolor Entrou em devaneio pelo brilhante branco daquele sorriso Cancelou, então seu jardim por falta de flor Construiu casulos de gelo Com rasgos que lembram sua dor Cobriu-se de lama para esconder suas feridas Causada impulsivamente pelo amor... Acabou-se os encaixes Que completaram quebra-cabeças inocentes Abandonou tudo, então, por uma lista Que descreve alguns atos pendentes Três vinganças preparadas, Seis amores não vividos devidamente Nove poemas que o comove E não deleitara-se completamente Antes de cumprir 3... 6... 9...

⁠Além de preto e poeta, eu sou revolução Eu ia escrever... E juro que de início iria escrever um rap
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⁠Além de preto e poeta, eu sou revolução Eu ia escrever... E juro que de início iria escrever um rap Mas minha caneta era preta Se eu continuasse daria treta Por que toda história que preto escreve com uma preta, é porreta. Seria uma história sobre o próximo 20 de novembro. Mas até onde me lembro, não tem muito o que comemorar Se tudo que fazem com pretos e pretas no mundo, é matar. Eu já cansei de ver no jornal, mais um preto foi baleado foi parar no hospital E começa-se uma grande divulgação, Por que parece ser entretenimento ver preto sofrendo na televisão E não importa o quanto o mundo envolua, o preto sempre vai parar em um caixão. O racismo se tornou uma coisa tão rotineira Que ninguém se importa mais em falar "lista negra ou a coisa tá preta". Mas, como dizia Mídria, "ainda bem que os pretos e pretas estão se amando, se armando contra o racismo o colorismo. Haa o colorismo, o colorismo é uma política de embranquecimento do estado Que faz com que os pretos e pretas queiram odiar os traços genéticos dos seus pais herdados". Olha ali o negrinho cabelo bombril, que saliente Então já que meu cabelo é bombril, eu vou lavar essa vergonha na sua cara, hô demente. Tá, qual é Edgi, isso não foi nenhum pouco de improviso. Mas tudo bem, pelo menos cada dia que passa eu vejo menos pretos e pretas andando com cabelo liso e se assumindo com são, sem essa de colorismo. E se depender de mim, o futuro será sem racismo, colorismo, discriminação E será uma outra história contanda na televisão Por que além de preto e poeta, eu sou revolução.

Carta de redenção Dizem que nenhum homem pode se arrepender de seus pecados E continuar como se não houvesse acontecido nada
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Carta de redenção Dizem que nenhum homem pode se arrepender de seus pecados E continuar como se não houvesse acontecido nada Mas as coisas que ouço são diferentes E sei que no fundo serve apenas para me lembrar Que cada um terá seu dia, de glória ou julgamento Percebo que os espíritos me intoxicam. Observo-os infiltrarem-se em minha alma sem sucesso Eles tentam dizer que é tarde demais para mim Mas sei que todos acreditam que esse é o sinal De que estou voltando para casa... Eu juro que vou viver para sempre Digam ao meu criador que ele pode esperar Estou cavalgando em vida, para algum lugar ao sul do Céu Talvez em busca de redenção. É dia de julgamento lá em casa, por isso volto... Uma vez me prometeram absolvição Mas sei que no fundo há somente uma solução para os meus pecados. Tenho que encarar meus fantasmas E saber sem nenhuma ilusão Que somente um de nós vai para casa de novo E eu culpo este mundo Por tornar-me um homem pecador, sendo eu um homem bom Se o demônio fizer o que quiser Vou acabar entrando no Céu Por que este mundo é o culpado por me fazer um pecador Mas juro que vou viver para sempre Depois que voltar para casa Por que tenho dívidas a pagar e um julgamento marcado lá em casa. Peço ao Senhor, tenha misericórdia E guardo uma prece nessa carta para quando mais precisar dela. Para o Pai, Filho e o Espírito Santo E a assino, PECADOR, Sem nome. Quando eu encontrar meu criador Será que ele fechará o livro dos corações que parti? Ou será que ele irá embora e me deixará viver para sempre? Quem ler amiúdemente essa carta assim, pode até parecer que é uma carta de redenção. Mas na verdade é o primeiro passo para a transcendência. Pecador, sem nome(Edgi Carvalho).