O mais importante e resolver o problema do povo
Frases de Dr Antonio Agostinho Neto
10 frases
O choro durante séculos nos seus olhos traidores pela servidão dos homens
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O choro durante séculos nos seus olhos traidores pela servidão dos homens no desejo alimentado entre ambições de lufadas românticas nos batuques choro de África nos sorrisos choro de África nos sarcasmos no trabalho choro de África Sempre o choro mesmo na vossa alegria imortal meu irmão Nguxi e amigo Mussunda no círculo das violências mesmo na magia poderosa da terra e da vida jorrante das fontes e de toda a parte e de todas as almas e das hemorragias dos ritmos das feridas de África e mesmo na morte do sangue ao contato com o chão mesmo no florir aromatizado da floresta mesmo na folha no fruto na agilidade da zebra na secura do deserto na harmonia das correntes ou no sossego dos lagos mesmo na beleza do trabalho construtivo dos homens o choro de séculos inventado na servidão em historias de dramas negros almas brancas preguiças e espíritos infantis de África as mentiras choros verdadeiros nas suas bocas o choro de séculos onde a verdade violentada se estiola no circulo de ferro da desonesta forca sacrificadora dos corpos cadaverizados inimiga da vida fechada em estreitos cérebros de maquinas de contar na violência na violência na violência O choro de África e' um sintoma Nos temos em nossas mãos outras vidas e alegrias desmentidas nos lamentos falsos de suas bocas - por nós! E amor e os olhos secos.
Angola é e sempre será por vontade própria, a trincheira firme da revolução em África.
PARTIDA PARA O CONTRATO O rosto retrata a alma amarfanhada pelo sofrimento
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PARTIDA PARA O CONTRATO O rosto retrata a alma amarfanhada pelo sofrimento Nesta hora de pranto vespertina e ensanguentada Manuel o seu amor partiu para S. Tomé para lá do mar Até quando? Além no horizonte repentinos o sol e o barco se afogam no mar escurecendo a terra e a alma da mulher Não há luz não há estrelas no céu escuro Tudo na terra é sombra Não há luz não há norte na alma da mulher Negrura Só negrura…
Os musseques são bairros humildes de gente humilde
NÃO ME PEÇAS SORRISOS Não me exijas glórias que ainda transpiro
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NÃO ME PEÇAS SORRISOS Não me exijas glórias que ainda transpiro os ais dos feridos nas batalhas Não me exijas glórias que sou eu o soldado desconhecido da humanidade As honras cabem aos generais A minha glória é tudo o que padeço e que sofri Os meus sorrisos tudo o que chorei Nem sorrisos nem glória Apenas um rosto duro de quem constrói a estrada pedra após pedra em terreno difícil Um rosto triste pelo tanto esforço perdido - o esforço dos tenazes que se cansam á tarde depois do trabalho Uma cabeça sem louros porque não me encontro por ora no catálogo das glórias humanas Não me descobri na vida e selvas desbravadas escondem os caminhos por que hei-de passar Mas hei-de encontrá-los e segui-los seja qual for o preço Então num novo catálogo mostrar-te-ei o meu rosto coroado de ramos de palmeira E terei para ti os sorrisos que me pedes.
CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL Latas pregadas em paus fixados na terra
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CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL Latas pregadas em paus fixados na terra fazem a casa Os farrapos completam a paisagem íntima O sol atravessando as frestas acorda o seu habitante Depois as doze horas de trabalho escravo Britar pedra acarretar pedra britar pedra acarretar pedra ao sol à chuva britar pedra acarretar pedra A velhice vem cedo Uma esteira nas noites escuras basta para ele morrer grato e de fome.
NOITE Eu vivo nos bairros escuros do mundo
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NOITE Eu vivo nos bairros escuros do mundo sem luz nem vida. Vou pelas ruas às apalpadelas encostado aos meus informes sonhos tropeçando na escravidão ao meu desejo de ser. São bairros de escravos mundos de miséria bairros escuros. Onde as vontades se diluíram e os homens se confundiram com as coisas. Ando aos trambulhoes pelas ruas sem luz desconhecidas pejadas de mística e terror de braço dado com fantasmas. Também a noite é escura.
Eu vivo nos bairros escuros do mundo sem luz nem vida.
Na minha história existe o paradoxo do homem disperso