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Frase de Dr Antonio Agostinho Neto

NÃO ME PEÇAS SORRISOS Não me exijas glórias que ainda transpiro os ais dos feridos nas batalhas Não me exijas glórias que sou eu o soldado desconhecido da humanidade As honras cabem aos generais A minha glória é tudo o que padeço e que sofri Os meus sorrisos tudo o que chorei Nem sorrisos nem glória Apenas um rosto duro de quem constrói a estrada pedra após pedra em terreno difícil Um rosto triste pelo tanto esforço perdido - o esforço dos tenazes que se cansam á tarde depois do trabalho Uma cabeça sem louros porque não me encontro por ora no catálogo das glórias humanas Não me descobri na vida e selvas desbravadas escondem os caminhos por que hei-de passar Mas hei-de encontrá-los e segui-los seja qual for o preço Então num novo catálogo mostrar-te-ei o meu rosto coroado de ramos de palmeira E terei para ti os sorrisos que me pedes.

Dr Antonio Agostinho Neto

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O choro durante séculos nos seus olhos traidores pela servidão dos homens no desejo alimentado entre ambições de lufadas românticas nos batuques choro de África nos sorrisos choro de África nos sarcasmos no trabalho choro de África Sempre o choro mesmo na vossa alegria imortal meu irmão Nguxi e amigo Mussunda no círculo das violências mesmo na magia poderosa da terra e da vida jorrante das fontes e de toda a parte e de todas as almas e das hemorragias dos ritmos das feridas de África e mesmo na morte do sangue ao contato com o chão mesmo no florir aromatizado da floresta mesmo na folha no fruto na agilidade da zebra na secura do deserto na harmonia das correntes ou no sossego dos lagos mesmo na beleza do trabalho construtivo dos homens o choro de séculos inventado na servidão em historias de dramas negros almas brancas preguiças e espíritos infantis de África as mentiras choros verdadeiros nas suas bocas o choro de séculos onde a verdade violentada se estiola no circulo de ferro da desonesta forca sacrificadora dos corpos cadaverizados inimiga da vida fechada em estreitos cérebros de maquinas de contar na violência na violência na violência O choro de África e' um sintoma Nos temos em nossas mãos outras vidas e alegrias desmentidas nos lamentos falsos de suas bocas - por nós! E amor e os olhos secos.