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Frases de COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. SorocabaSP: Crearte Editora, 2012.

10 frases

MÁRTIR O cortejo avança, ganhando os primeiros degraus. O Sol oculta suas faces douradas,
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MÁRTIR O cortejo avança, ganhando os primeiros degraus. O Sol oculta suas faces douradas, Em cúmulos encastelados, Contrito pelo confronto covarde; O Cadafalso agiganta-se, ao alto, Lúgubre e ávido por sua vítima; No primeiro patamar irreversível Afronta o Negro Gigante Impávido semblante descorado. Da vida exuberante, em seu fim inevitável; Da morte, em implacável espera, Antagônicos sentimentos acirrados Ao sabor da inquieta hoste: Aproxima-se a última hora! O mártir, silente, olhos fulgurantes, Passeia os pensamentos, em frações menores, Sobre a multidão esfaimada de emoções: Gritos, impropérios... O mártir está só! O Cadafalso abre seus braços odientos A receber o dócil cordeiro; A Turba, em frêmitos aviltantes, É um mar encapelado, a sorver o nobre destino. Último adeus! Onde os sectários dos mesmos ideais? Emudece a voz, sem os ecos da constância. Última hora! O cordame úmido fecha suas garras Sufocando pranto, silêncio e dor: Tomba o Monumento, sem a solidez da esperança. O Negro gigante, saciado em obscura vindita Adormece em silêncio de nova espera; A Noite, caindo o cair da licença Tinge o cenário com a cor da monotonia; O mártir, de despojos ignorados, Lança-se ao rol dos esquecidos. Uma pequenina gota do sangue heroico, Em discreto saltitar, Lançara-se, porém, à relva úmida. O Tempo apagou os vestígios do holocausto Somente não apagou a semente Que, brotando a seu tempo, Desfraldou ao Celeste Observador O verde emblema da vitória! (A todos os mártires, de todos os tempos) VOLTA À PENA Longe é o tempo Das primeiras poesias Das primeiras encenações. Volto ao regaço do papel Depois de anos de separação. Novos sentimentos e emoções...? Reticência oportuna. Apenas o retemperamento De velhos ideais Quase perdidos Na noite do desdém humano.

A POESIA DE CADA UM Levantem-se, poetas! Por que esconder tanta beleza
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A POESIA DE CADA UM Levantem-se, poetas! Por que esconder tanta beleza Lacrada em ignoradas escrituras? Há um poeta em cada homem! Poesia não é a linha escrita As frases montadas As palavras difíceis O sentido oculto. Poeta não é o escolhido O culto O esquisito O admirado O discutido. Poesia não é a face voltada Ao pobre Ao rude Ao oprimido; É algo simples, Universal! Poesia é do operário Do pedreiro Do Lixeiro Do marceneiro Do agricultor! Como é dos médicos Dos advogados Dos engenheiros Dos psicólogos Dos professores! Nas mãos do culto É nota afinada; Nas mãos do rude É nota dissonante, Sem deixar de ser poesia! Poesia é a oitava do maestro O tinir de instrumento do ferreiro. Está nos livros adornados a ouro E no papel de embrulhar pão; Na eloquência do orador E na mudez do flagelado. Poesia é a flor do jardim imperial E a flor do túmulo sem nome; Está nos teatros E está nos campos; É a chuva O sol O arco-íris; É a lama A escória O temor! Quanta poesia há Num mendigo que olha pro céu! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. IMPRESSÕES DA PRAÇA Velha praça de imortal nome! Encruzilhada de destinos Que correm paralelos Ou se entrecruzam Em eventuais encontros. Velha praça de imortal nome! Onde os pássaros sufocam gorjeios Ao alarido de veículos céleres; Onde o trágico e o cômico se revezam Aos olhos transfixos dos transeuntes. Velha praça, De novas emoções! Em seu solo vicejam Plantas e flores, Pegadas e frases Que Éolo mistura Em algaravias Que somente a brisa entende. Os homens se esbarram, Mas não se tocam; Trocam ideias Ou falam a si mesmos. As árvores cumprem seus destinos: Sombreiam, farfalham, Tingem a paisagem cinza citadina Com cores vivas; Mantêm colóquios misteriosos Entre si; Brincam com anciões Recostados em alvos brancos, Derramando-lhes folhas soltas. Velha praça de imortal nome! Ao dia, é vida e burburinho; À noite, é escura e melancólica; É abrigo de aves gárrulas; É repasto de pombos... E de sonhadores! Santos, Praça Rui Barbosa - 1980 COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012.

DIVAGAÇÕES De janela aberta Em plena madrugada,
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DIVAGAÇÕES De janela aberta Em plena madrugada, Ouço a chuva amena Que me traz recordações: Recordações de hoje De ontem Da infância Do ventre materno De outras vidas. São tantas e tão confusas Que já não sei Se são minhas só; Ora sou um menino, A correr descalço Pelas ruas da infância; Ora sou um romano Das conquistas galenas; Ora sou um velho Curvado sobre o cajado, Contando aventuras Que já viveu; Ora sou um animal selvagem A dominar seu reino; Ora sou um penhasco Avançado sobre o mar; Ora sou o próprio mar, A multiplicar mil vidas. Pelos três reinos me vejo passar: Como uma semente, Uma flor, Um cetáceo; Como um menino, Um homem, Um deus. Como uma chama a iluminar A noite que se acabou!

Gotas de inspiração Abro minhas mãos para o mundo Ofertando um feixe de luz.
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Gotas de inspiração Abro minhas mãos para o mundo Ofertando um feixe de luz. As gotas da última chuva, Incidindo sobre as palmas Destas mãos em oferta, Descerram pequenino arco-íris Que, num arco sobre o mundo Colore as paletas dos artistas. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. O cerne e o rosto Velho rosto Vetusto cerne; Há em ambos Linhas do tempo. Na vida vegetativa O tempo sulca a inconsciência; Na vida humana Sulca o tempo a consciência. Em cada face As linhas contam anos: No cerne resplandece a Terra; No rosto resplandece Deus! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. Revelação Quis um dia palpar nuvens Represar lágrimas do céu Prender raios de sol; As nuvens se desfizeram As lágrimas o chão secou Os raios a noite levou. Quis um dia cantar a liberdade Ensaiar o bailado dos pássaros Voar o voo do condor; A liberdade bailou com os pássaros O condor voou com as nuvens. Quis um dia sonhar com Deus; Acordei e vi somente o homem, Mas, vendo apenas o homem, Vi também a mão de Deus! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. ESTRADAS Sou viajante peregrino Em terra de todos E de ninguém; Viandante do pó Andarilho da esperança Caminheiro das estradas Buscando... Ao acalento do sol Ao frescor das chuvas Ao canto da natureza Caminho entre hinos da vida. Romeiro dos templos humanos Contemplo maravilhas E misérias, Na confusa amálgama Dos pensamentos. As estradas as conquisto Com minhas pegadas ocres. Deixo em cada curva Pedaços de histórias: Planto cruzes Colho dúvidas Recolho restos Junto fragmentos. Sou viajante peregrino Apoiado no bastão De minha vivência. Andante solitário, Buscando...

NATURÁLIA A flor enrubesceu Ao beijo do colibri
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NATURÁLIA A flor enrubesceu Ao beijo do colibri E duas lágrimas rolaram De timidez e de emoção. (poesia classificada em 2.ª lugar no Concurso de Poesias de Piedade/SP, em 1993) COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. PEREGRINAÇÃO Sobre o Himalaia da imaginação Além, muito além das insondáveis alturas, Através da névoa dos tempos, das eras, Navega o peregrino das estrelas Viajante do tempo, das dimensões. Além, muito além das insondáveis alturas, Num mergulho nas dimensões interiores, Céu e Terra se fundem na imensidão Do cosmos, do infinito, dos universos. Através da névoa dos tempos, das eras, Quantas roupagens, quantos fardos, quantos encontros. Ascender, ascender, ascender, Sempre e sempre, rumo ao amanhecer D’outras existências, d’outras transcendências. Sobre o Himalaia da imaginação Além, muito além das insondáveis alturas, Através da névoa dos tempos, das eras, Navega o peregrino das estrelas Noutras certezas, noutros encantos, noutros encontros. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. Homenagem a vinicius Não quero rir meu riso Nem derramar meu pranto em vão, Por vãos gemidos. Quero, sim, rir meu riso E derramar meu pranto Por vãos d’almas afins. Não viverei vãos momentos E por tudo serei atento Pra me lembrar da vida Que é eterna, ainda que chama E infinita em si mesma. (inspirado na poesia “soneto da Fidelidade”, do inesquecível poeta, Vinicius de Moraes.) COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. Metáfora A imensidão é meu destino A plenitude, meu regaço. Por tantas terras percorri Por tantas existências eu vivi. Tenho por inevitável fado O desabrochar da luz Da luz que arde, da luz que queima, Qual fogo amigo em noites frias Aquecendo reminiscências. Tenho por horizonte o infinito E em meu caminhar alígero A pressa de chegar; Chegar ao portos d’outras conquistas. A imensidão é meu destino, A plenitude, meu regaço. Nesta cósmica metáfora Fecho as portas do passado Pois sou futuro, Neste eterno agora! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. Cristálida Cristal, crisálida, cristálida Desabrochar da luz Em pétalas, em néctar, em sóis. Explosão de auroras boreais Despertar de mágicos cristais Cristal, crisálida, cristálida Sob os brilhos astrais, vendavais De sons, de cores, de flores. Nave luminosa, em voo final Sonho de amores, sonhos siderais Cristal, crisálida, cristálida Sob as vestes angelicais Fluir, fluir, além dos Portais. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. CORRENTEZA Peixe que sou, de todas as águas Nado contra a correnteza humana. Nado em direção aos oceanos Pois, vasto que sou, A imensidão é meu destino. Passam por mim muitos cardumes E, rindo e zombando Amofinam-me: tolo, tu és! Vais contra todas as tendências. E passam os cardumes E passam as maltas E sigo eu, pequeno peixe, Nadando contra a correnteza humana Seguindo outras tendências dos rios, Rumos aos oceanos Pois, vasto que sou, A imensidão é o meu destino. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. TRANSCENDÊNCIA Fosse eu apenas esta forma aparente Seria feito pássaro empalhado De bela plumagem tratada Mas de baço brilho, mudo canto. Fosse eu vida finita, luz passageira Seria feito vetusto farol De grossas, imponentes paredes Mas na costa, escuro, aos ventos. Sou bem mais que um simples grito Ecoando nas praias do mundo Através da vida, dos tempos. Sou pássaro sem correntes, Pelas ameias a voar, De meu castelo de ilusões, Rumo ao horizonte. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. NAVE MINHA Nave minha, me leva a outros rumos Não me deixe em rota de colisão Com meus desacertos. Leva-me além dos sombrios horizontes De meus erros Além do palco escuro dos desencontros Da triste, da medonha escuridão De ser cruel, tirano, juiz alheio. Leva-me, nave minha, Ao encontro da luz, do dia, da vida, Aos cumes dos grandes sonhos. Leva-me aos ares das delícias puras Rumo aos prados onde brincam, livres, seres outros, Que alcançaram, da vida, outros Portais. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. UNIVERSO Universo, verso de meus versos Trilha de meus anseios. Universo, vasto, profundo; Navegar por seus portais Pelas dobras espaciais; Conhecer a vida pulsante Além, além das fronteiras Do tempo, das dimensões. Universo, por teus mares, Velejarei pelas praias da comunhão Até o porto, infinito porto, Da eterna iluminação!. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. MÃE TERRA Terra, Mãe Terra, em teu seio depositei, Há éons, a luz de meus cristais. Na mudez de minhas formas, Fui ígnea rocha, no cadinho de tuas entranhas Até a plenitude de bela cordilheira. Cresci mais, e encontrei guarida Nas pétalas de tuas flores E perfumei os ares, Transfundindo o amor do Pai. Galguei outros degraus E encontrei o instinto, dos irmãos animais E rugi alto meu grito, de domínio territorial. Cresci mais e mais e, pela primeira vez, chorei. Chorei as lágrimas do incipiente entendimento De que era bem mais do que átomos De rochas, flores e animais. E, mesmo assim, ainda era parte Da mesma terra, do mesmo mar, do mesmo amor. Era apenas a primeira rocha que, lapidada, Espalhou a luz de seus cristais E, feito homem, Agora, era anjo, em voo sideral, De volta, ao Pai Primordial! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. SIMBIOSE CÓSMICA Terra-céu, Homem-Deus: Simbiose cósmica. Vive o Pai em mim Vivo eu por Ele Ele me ama em cada amanhecer, Ao abrir as janelas dos mundos Pra que eu respire o ar da Vida. O seu sopro de amor é meu alimento E eu laboro pra Sua seara. O universo envolve meu Planeta E meu ser aspira ao brilho Dos gigantes sóis. Nesta cósmica simbiose Sou nota, da sinfonia-Pai. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. COMUNHÃO Num segundo finito Viver a eternidade Ver sem olhar Sentir sem tocar. Estar em toda parte Sem de um ponto sair Navegar sem um barco E em todos os portos chegar. De uma única gota Ser toda uma fonte De um único gesto Ser todo o amor. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. OMISSÃO O sol se deitou, acobertado Pelo manto rubro do poente... Mas você não viu. Nos jardins, as rosas se abriram Inebriando o ar... Mas você não sentiu. Nas ruas, a criança pediu Do lar, o velho partiu... E você, nem chorou. Sob a fúria da cavalaria A multidão, trôpega, gritou, Mas, diante da opressão, Você se calou! Às portas da Morte, Você a viu, a sentiu, Por ela chorou, Em desespero gritou Mas a Vida, outrora tão perto, Repentina, te deixou.

Esperança Se mil vezes Meus pés
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Esperança Se mil vezes Meus pés No lodo afundassem, Mil vezes Meus braços emergiriam E mil vezes Meu clamor se ouviria. Se mil vezes A derrota me derrubasse, Mil vezes Meu corpo se levantaria Meus punhos se cerrariam E meu desafio se ouviria. Se mil vezes Minha garganta secasse, E meus olhos inchassem Minha pele rachasse E as chagas aumentassem, Mil vezes Meus lábios sorririam, Minhas mãos se uniriam Minhas preces voltariam E minh’alma, Mil vezes, Se iluminaria.

MINHA SINGELA POESIA Escrevo frases soltas Sem sentido oculto;
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MINHA SINGELA POESIA Escrevo frases soltas Sem sentido oculto; Versos livres Sem atavismos literários; Impressões fugazes Sem intento definido. Minha poesia não deve ser interpretada; Deve ser sentida! Meus versos simples Não propõem discussões: Falam de sentimentos simples Que um pequenino raio de sol Reflete na multidão! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. CANÇÃO DA PAZ Se o sacrifício de minha vida Valer o silenciar da voragem De um mundo consumido por guerras, No altar da inconsequência humana Imolarei meu corpo, Para que a curta existência De um pobre mortal, Guerreiro de si mesmo, Seja espalhada aos ventos Pelas sendas de um mundo Onde homens de corações flamejantes Incendeiam sonhos de paz! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012.

F u g a Quisera, ao sol do dia, Esconder minha presença
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F u g a Quisera, ao sol do dia, Esconder minha presença Em profundo poço. Dormir o sono longo Dos justos, dos cansados. Quisera, ao sol do dia, Ser apenas uma pedra Numa gruta distante. Quisera, ao sol do dia, Ser apenas uma folha Num livro com folhas Sem fim. Quisera viver somente à noite: Hora mágica do dia! Que ventura ao espírito! Quão liberta e suave A vida noturna, Em que a alma se despoja Dos grilhões da rotina diária Em que nossos sentimentos se abrandam Ao contato de outros seres. Hora mágica, Dos cantores de poesia Dos suspiros românticos Dos aromas de mel Da lua irradiando saudades! Triste dia que chega Ao canto do arauto emplumado! Triste vida luminosa E, também, escura Que clareia o inimigo Que, à, noite era irmão!

O chamado Quando a Morte me encarar Face a face
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O chamado Quando a Morte me encarar Face a face E sorrindo Invocar meu nome E o Destino me disser: - Eis seu último minuto! Abrirei meus olhos Levantarei meu corpo E, encarando a Morte E o Destino, Direi: Meu último minuto Pertence ao Senhor; Quem vem me buscar Não é a Morte... Mas a Vida! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. PENEDO OU ESPUMA? Penedo ou espuma? Vaporosa formação granítica Rocha para correntes espumantes Espuma ao contato das tempestades. Quem és na essência Se flutuas como tênues flocos Se envergas trajes de matéria densa? Na noite de teus mistérios Ao esvoaçar de asas Ensombrece o penhasco Em enigmático mutismo. Nos escaninhos de teu ser Procuro espuma Encontro penedo Esculpo rochas Desfaço espumas. Que porta se abrirá Ao chamado da dúvida? Penedo e espuma Dois estados do mesmo elemento Encontro a ambos No mesmo cenário: Penedo é coragem Espuma é indecisão. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. C R I A Ç Ã O Meus versos, minha poesia Não me pertencem: Faço-me instrumento De vidas alheias De alheios sentimentos. Sento-me no Banco da Vida E transcrevo o grande poema Dos homens E dos deuses! Minhas linhas são minha efígie No anverso e reverso Da moeda do tempo; Crio vidas já nascidas Sou senhor de alforriados Pastor sem rebanho. Meus versos, minha poesia Não me pertencem: Sendo a vida luz Sou iluminado E ilumino Por minha vez! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. EM BUSCA DE UM CARNAVAL Minhas ruas da infância Estão vazias de sonhos e de confetes. Os espirradores coloridos se esvaziaram no tempo, Molhando requebrantes serpentinas. Os pierrôs se fizeram mais tristes: Suas colombinas perderam as fantasias E em mulheres se transformaram; Meu bloco virou a esquina E o Bloco da Alegria Em Bloco da Agonia se tornou; Os mascarados tiraram as máscaras E seus rostos outras máscaras se tornaram. Meu carnaval menino Em que espelho da vida Escondeu seus foliões!? COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. CONVITE AOS SONHOS O sono, traído pela inspiração, Parte, contrariado, A cerrar outras pálpebras Insugestionáveis. O poeta, atraído pela inspiração Ressurge, reavivado, A perder segmentos de sua alma, Manchando alvos papéis Com a cor perene De seus voos de Ícaro! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. INTRINSECAMENTE Esta é uma noite minha, Intrinsecamente minha! A estrela mais brilhante Reflete em meus olhos; O vento brando que beijou As flores noturnas Minhas narinas entorpecem; A melodia do universo sussurra Em meus ouvidos atentos; Os sonhos contam segredos Decifrados por mim. Esta é uma noite minha, Intrinsecamente minha! Todo o universo A mim se ofertou E igualmente A mim arrebatou! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. APELO Quero humanas criaturas a me amar Além do baço reflexo de minh’alma De minha fisionomia, que ri e que chora, Em sentimentos puros ou contrações involuntárias. Quero humanas criaturas a receber Meu coração púrpuro Fresco de sangue, Que é morte... mas também vida. Quero humanas criaturas a soprarem O hálito de sentimentos Em meu coração pequenino Querendo crescer, ao sabor da vida. Quero humanas contradições Alimentando meu coração Quase sumindo... Meu coração quase crescendo Vertido de uma alma entorpecida Buscando a humana vida: Pequenino brilhante imerso Nos desejos humanos! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. ESPELHO Quando o tempo tatuar meu corpo Com as rugas da idade E o espelho refletir minha imagem Tão estranha aos ares da mocidade Que verão meus olhos cansados? Uma vítrea personagem sem alma Dublando um resto de vida? Uma alma esculpida em bronze Afrontando, sobranceira, O inevitável Mistério? As linhas tão profundas Sulcando minha matéria frágil Aumentarão a luz De minha candeia íntima Transformando minh’alma Prenhe de liberdade Num candeeiro sem fim? Ó Tempo, eterno coletor de débitos! Que me cobrará teu aguçado desígnio? Quando o Tempo tatuar meu corpo Com as rugas da idade E minha imagem diluída no espelho Perder o alento de quem se mira Indagarei aos anos idos: Que espectro me reveste o presente: Anjo ou demônio? Quando o Tempo tatuar meu corpo Com as rugas da idade E no espelho não houver imagem Que me cobrará a Vida? Com que peso ou leveza A Pena da Eternidade Lavrará minha sentença? COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. V a t i c í n i o Enquanto o belo For estandarte; O ideal Profissão, O canto do poeta Será semente Fecundando A escuridão! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. Vértice divino Durante milênios Sentei-me na relva do mundo E perscrutei as estrelas Em busca de outros seres. Durante milênios Ao lado de pequenina semente Reguei minha imaginação Buscando formas Procurando respostas. Durante milênios As estrelas cintilaram E a roda do universo girou Mas meus olhos cegos Somente viram sombras Da realidade tão perto. Durante milênios Voei o voo raso Dos desencontros Sentei-me no topo do mundo E somente vi desolação. Durante milênios O mundo sulcou minh’alma E descerrou minhas ilusões E a semente da vida Agora em botão Mostrou-me os seres Que há muito Davam-me as mãos. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. VOO TRANSCENDENTAL Sou pássaro encerrado Nas grades das ilusões Cantando canções de liberdade. Minhas asas querem o voo Das grandes alturas Alcançar a Fonte Das águas cristalinas. Além, onde os pássaros voam livres, Quero mergulhar no Oceano da Luz Planar nas correntes da paz E mitigar a sede Nas águas do conhecimento.