Frase de COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. SorocabaSP: Crearte Editora, 2012.
NATURÁLIA A flor enrubesceu Ao beijo do colibri E duas lágrimas rolaram De timidez e de emoção. (poesia classificada em 2.ª lugar no Concurso de Poesias de Piedade/SP, em 1993) COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. PEREGRINAÇÃO Sobre o Himalaia da imaginação Além, muito além das insondáveis alturas, Através da névoa dos tempos, das eras, Navega o peregrino das estrelas Viajante do tempo, das dimensões. Além, muito além das insondáveis alturas, Num mergulho nas dimensões interiores, Céu e Terra se fundem na imensidão Do cosmos, do infinito, dos universos. Através da névoa dos tempos, das eras, Quantas roupagens, quantos fardos, quantos encontros. Ascender, ascender, ascender, Sempre e sempre, rumo ao amanhecer D’outras existências, d’outras transcendências. Sobre o Himalaia da imaginação Além, muito além das insondáveis alturas, Através da névoa dos tempos, das eras, Navega o peregrino das estrelas Noutras certezas, noutros encantos, noutros encontros. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. Homenagem a vinicius Não quero rir meu riso Nem derramar meu pranto em vão, Por vãos gemidos. Quero, sim, rir meu riso E derramar meu pranto Por vãos d’almas afins. Não viverei vãos momentos E por tudo serei atento Pra me lembrar da vida Que é eterna, ainda que chama E infinita em si mesma. (inspirado na poesia “soneto da Fidelidade”, do inesquecível poeta, Vinicius de Moraes.) COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. Metáfora A imensidão é meu destino A plenitude, meu regaço. Por tantas terras percorri Por tantas existências eu vivi. Tenho por inevitável fado O desabrochar da luz Da luz que arde, da luz que queima, Qual fogo amigo em noites frias Aquecendo reminiscências. Tenho por horizonte o infinito E em meu caminhar alígero A pressa de chegar; Chegar ao portos d’outras conquistas. A imensidão é meu destino, A plenitude, meu regaço. Nesta cósmica metáfora Fecho as portas do passado Pois sou futuro, Neste eterno agora! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. Cristálida Cristal, crisálida, cristálida Desabrochar da luz Em pétalas, em néctar, em sóis. Explosão de auroras boreais Despertar de mágicos cristais Cristal, crisálida, cristálida Sob os brilhos astrais, vendavais De sons, de cores, de flores. Nave luminosa, em voo final Sonho de amores, sonhos siderais Cristal, crisálida, cristálida Sob as vestes angelicais Fluir, fluir, além dos Portais. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. CORRENTEZA Peixe que sou, de todas as águas Nado contra a correnteza humana. Nado em direção aos oceanos Pois, vasto que sou, A imensidão é meu destino. Passam por mim muitos cardumes E, rindo e zombando Amofinam-me: tolo, tu és! Vais contra todas as tendências. E passam os cardumes E passam as maltas E sigo eu, pequeno peixe, Nadando contra a correnteza humana Seguindo outras tendências dos rios, Rumos aos oceanos Pois, vasto que sou, A imensidão é o meu destino. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. TRANSCENDÊNCIA Fosse eu apenas esta forma aparente Seria feito pássaro empalhado De bela plumagem tratada Mas de baço brilho, mudo canto. Fosse eu vida finita, luz passageira Seria feito vetusto farol De grossas, imponentes paredes Mas na costa, escuro, aos ventos. Sou bem mais que um simples grito Ecoando nas praias do mundo Através da vida, dos tempos. Sou pássaro sem correntes, Pelas ameias a voar, De meu castelo de ilusões, Rumo ao horizonte. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. NAVE MINHA Nave minha, me leva a outros rumos Não me deixe em rota de colisão Com meus desacertos. Leva-me além dos sombrios horizontes De meus erros Além do palco escuro dos desencontros Da triste, da medonha escuridão De ser cruel, tirano, juiz alheio. Leva-me, nave minha, Ao encontro da luz, do dia, da vida, Aos cumes dos grandes sonhos. Leva-me aos ares das delícias puras Rumo aos prados onde brincam, livres, seres outros, Que alcançaram, da vida, outros Portais. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. UNIVERSO Universo, verso de meus versos Trilha de meus anseios. Universo, vasto, profundo; Navegar por seus portais Pelas dobras espaciais; Conhecer a vida pulsante Além, além das fronteiras Do tempo, das dimensões. Universo, por teus mares, Velejarei pelas praias da comunhão Até o porto, infinito porto, Da eterna iluminação!. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. MÃE TERRA Terra, Mãe Terra, em teu seio depositei, Há éons, a luz de meus cristais. Na mudez de minhas formas, Fui ígnea rocha, no cadinho de tuas entranhas Até a plenitude de bela cordilheira. Cresci mais, e encontrei guarida Nas pétalas de tuas flores E perfumei os ares, Transfundindo o amor do Pai. Galguei outros degraus E encontrei o instinto, dos irmãos animais E rugi alto meu grito, de domínio territorial. Cresci mais e mais e, pela primeira vez, chorei. Chorei as lágrimas do incipiente entendimento De que era bem mais do que átomos De rochas, flores e animais. E, mesmo assim, ainda era parte Da mesma terra, do mesmo mar, do mesmo amor. Era apenas a primeira rocha que, lapidada, Espalhou a luz de seus cristais E, feito homem, Agora, era anjo, em voo sideral, De volta, ao Pai Primordial! COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. SIMBIOSE CÓSMICA Terra-céu, Homem-Deus: Simbiose cósmica. Vive o Pai em mim Vivo eu por Ele Ele me ama em cada amanhecer, Ao abrir as janelas dos mundos Pra que eu respire o ar da Vida. O seu sopro de amor é meu alimento E eu laboro pra Sua seara. O universo envolve meu Planeta E meu ser aspira ao brilho Dos gigantes sóis. Nesta cósmica simbiose Sou nota, da sinfonia-Pai. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. COMUNHÃO Num segundo finito Viver a eternidade Ver sem olhar Sentir sem tocar. Estar em toda parte Sem de um ponto sair Navegar sem um barco E em todos os portos chegar. De uma única gota Ser toda uma fonte De um único gesto Ser todo o amor. COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2012. OMISSÃO O sol se deitou, acobertado Pelo manto rubro do poente... Mas você não viu. Nos jardins, as rosas se abriram Inebriando o ar... Mas você não sentiu. Nas ruas, a criança pediu Do lar, o velho partiu... E você, nem chorou. Sob a fúria da cavalaria A multidão, trôpega, gritou, Mas, diante da opressão, Você se calou! Às portas da Morte, Você a viu, a sentiu, Por ela chorou, Em desespero gritou Mas a Vida, outrora tão perto, Repentina, te deixou.
COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: meus devaneios poéticos. SorocabaSP: Crearte Editora, 2012.
No pensador.ai desde