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Frases de Chico Mulungu

10 frases

TODO TEMPO O TEMPO TODO Majestosa é a natura Que apresenta fauna e flora!
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TODO TEMPO O TEMPO TODO Majestosa é a natura Que apresenta fauna e flora! Coloração se mistura No Vergel a toda hora! Eu que sou um nordestino Que tem força igual bambu, Meu contemplar vespertino Exalta o mandacaru! Sobre o bem viver das aves Quase sempre me debruço... Porque vivem sem entraves, Com Deus controlando o pulso! Todo tempo o tempo todo Pulsa a vida em nosso ser, Não importa, se no lodo, Ou onde o ente viver! "A Poesia é" mui bela... Nos eleva às alturas... E nos faz navegar nela Sobre mares de ternuras!

⁠O ROUXINOL E EU Por vezes, quando eu canto, o rouxinol Responde-me trinando o seu cantar,
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⁠O ROUXINOL E EU Por vezes, quando eu canto, o rouxinol Responde-me trinando o seu cantar, Mas sei que ele quer mesmo é me agradar Nas manhãs que saudamos ao deus sol. O meu trovar tropeça em tom bemol Já que o meu canto é simples laurear... E o rouxinol, contralto singular Que por si só encanta, qual farol! Mesmo assim eu me sinto tão feliz Por ser de cantador, um aprendiz Que vive a declamar os versos seus. O rouxinol e eu, consortes somos, O que já me é bastante, pois compomos Ajustado dueto... Préstimos meus!

⁠CHICA-FLOR Neste jardim de animais... Fiz-me Chico Beija-flor
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⁠CHICA-FLOR Neste jardim de animais... Fiz-me Chico Beija-flor Então, por querer beija-la, A mais bela, a Chica-flor... Logo ao contemplar-lhe a face, Seu ser me propôs enlace Acendendo a luz do amor. Tão sozinha, a Chica-flor Conheceu a solidão... E eu, Chico Beija-flor, Entoava meu refrão No fulgor de sua tez De tamanha placidez A me chamar atenção. Então voei da distância Pra lhe fazer companhia... Como fosse uma criança Eu beijei-lhe em demasia! Juntos nós nos completamos, Nos beijamos e sonhamos Em completa sintonia. Chica-flor não mais chorou Depois que eu, seu beija-flor, Voei para lhe encontrar... Seu cheiro é suave olor Que cora meu coração Do vermelho da paixão Que me mantém sonhador!

⁠QUANDO A NATUREZA EXCEDE NA BELEZA SINGULAR Os que contemplam o belo
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⁠QUANDO A NATUREZA EXCEDE NA BELEZA SINGULAR Os que contemplam o belo Na fauna e no vergel, Nas nuvens soltas no céu, Num fruto, num cogumelo, Num veio d’água singelo, Vivem a valorizar O meio ambiente, o lar Onde vive e até se mede Quando a natureza excede Na beleza singular. O poeta que se inspira Nas cores que a natura Dispensa com a ternura Do arco-íris que tira O fôlego de quem o mira, D’um artista a pincelar Quadro que faz meditar No abstrato que procede Quando a natureza excede Na beleza singular. As flores que na floresta Enchem a vista da gente, Faz qualquer olhar plangente Convidado para a festa, Nos embala na seresta D’aves a cantarolar, De um constante sibilar Logo passa a ser a sede Quando a natureza excede Na beleza singular. Do tucano ao beija-flor Tem beleza sem igual, Capacete de calau Também tem o seu valor E faz parte do esplendor Da fauna espetacular, Costa litorânea, o mar, Amazônia que não cede Quando a natureza excede Na beleza singular. Nos mistérios do pavão, Na semente germinada Dando fruto que agrada Quando há degustação, Num quintal de criação, Galinha a cacarejar É como gado a pastar No cercado que concede Quando a natureza excede Na beleza singular. O sol nasce do arrebol Para aquecer a manhã Do lago da jaçanã, A estender seu lençol Para que o girassol Desabroche ao luar Quão poesias no ar, A ternura é que sucede Quando a natureza excede Na beleza singular.

A CARA DA MORTE Eu vi a cara da morte Numa certa encruzilhada,
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A CARA DA MORTE Eu vi a cara da morte Numa certa encruzilhada, Cangaceira bem armada, Com faca e foice de corte. Pude contar com a sorte Assim que me golpeou, A bruxa quase acertou O meu bucho avantajado. Eu me vi sendo estripado Quando a dita me ajudou! Foi encima de um lajedo Que o pantim aconteceu... Um calango amigo meu Tremeu na base do medo, Mas confiou-me um segredo Que não conto pra ninguém. Quando me tornei refém Da sovina, usei a dica Do calango, o que explica Porque me safei tão bem! Dei-lhe um soco no cachaço, Que a canguinha escorregou Do lajedo e mergulhou Na lama de um riacho, Não fui conferir, mas acho Que sumiu dentro do chão E não volta no Sertão Enquanto lembrar de mim. O calango diz que sim Balançando o cabeção! O lagarto é um coringa Colorido da Savana Nordestina, que esgana Contorcendo-se com ginga, Na quentura da Caatinga É um sábio professor Pré-histórico, driblador De instinto muito forte, Que sabe enganar a morte Camuflado, sem odor! Peguei-me calangueando Quando ainda era menino, Na pedreira do destino Fui um brincante, laçando Lagartixas e levando Pra brincar no meu quintal, E depois, sem fazer mal, Eu as deixava ir embora. Esse bom tempo de outrora Para mim não foi banal! Que cá não monte trincheiras, A morte. E não me visite Tão cedo, e nem apite Nunca mais pelas ribeiras De Sapé a Cabaceiras, Do Anel do Brejo ao Sertão, Fique lá pelo Japão... Deixe, eu dormir no terreiro Na sombra do juazeiro Em minha esteira, no Chão!

⁠SOB AVARIA Sinto-me sendo punido, Porque o véu da poesia
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⁠SOB AVARIA Sinto-me sendo punido, Porque o véu da poesia Fez de mim um ser ungido No parnaso e na porfia Da verve que alimenta Os poetas de magia. Só sendo castigo ou erro Em minha epigenesia... Quem sabe minha genética Ocorreu sob avaria? Sou como espuma-do-mar Dispersa na maresia! Na ruminação do tempo Tenho buscado trazer O fardo que me pertence Sorrindo, pra não sofrer, Na ordem do crescimento Das malhas do meu tecer. Causei ciúmes no amor Que um dia me amou também, A despeito dos meus versos Procurou me ver além... Mas restou-me a poesia Por ser o meu único bem!

⁠PONTEIO À MADRUGADA Eu não sou de improvisar, Mas se verso é na bitola
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⁠PONTEIO À MADRUGADA Eu não sou de improvisar, Mas se verso é na bitola Saltitante, cabriola Com um quê de emocionar. Já fui carcará a ciscar Na terra fértil sulcada... Se ponteio à madrugada Meu arpejar denuncia Que respiro poesia Junto com a passarada! Sou difícil de juntar Se me espalho... É minha sina Ser um galo de campina De galho em galho a trinar Ou calango a rastejar Em lajedos da Caatinga, Meu camuflar de coringa Me esconde e ninguém acha No barro do chão que racha Se não chove e nada vinga. Sou o aboio do vaqueiro No semiárido cinzento, Ligeiro quão pensamento A peitar o marmeleiro, Flor e fruto de cardeiro A desafiar mormaço, Eu sou água de cabaço Na sombra da umburana, Sou tapera, sou choupana Esquecida qual retraço. No meu tempo de menino Eu fui rico fazendeiro, Plantação de umbuzeiro Tratei com zelo e refino. Fui calça boca de sino Em caminho de carrapicho, Não tive medo de bicho, Sempre fui desassombrado E estradeiro acelerado Destacado por capricho. Eu sou desse mundo agreste Onde fui peão no eito... Chão que tem o meu respeito No coração do Nordeste. Caboclo é Cabra da Peste No Sertão Paraibano, Tem miolo, tem tutano, Tem um que de sábio ser Que o tempo sabe ler Em cada estação do ano. Convidei um rouxinol Para uma parceria Quando entrei na moradia Tão deserta quão paiol. Na viola um tom bemol, Começamos a cantar... Mas terminei por chorar De tanta melancolia, Tudo se fez poesia Ao voltar ao meu lugar.

⁠TAPERA ESQUECIDA De passagem no Sertão, Eu parei pra contemplar
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⁠TAPERA ESQUECIDA De passagem no Sertão, Eu parei pra contemplar A tristeza de um lugar Esquecido num grotão. A palavra solidão Não descreve uma tapera Tão deserta que coopera Com o vil termo ruína... A Caatinga Nordestina Dizimada não prospera! Na tapera eu vi sentido D’um celeiro de lembrança E lembrei que fui criança Num lugar bem parecido. Senti-me desprotegido, Órfão de identidade Tomado pela saudade Do meu tempo pueril... Retomei o meu perfil Com certa dificuldade! No terreiro desolado, Um grande mandacaru, Ao longe pés de umbu, Pinhão na cerca trançado Que apesar de estar florado Parecia mais alerta Naquela cena deserta Como um aflito recado De um chão desertificado Em decadência, na certa. Apenas um solitário Concriz catando no mato Na calha de um regado Seco compondo o cenário, O pássaro qual relicário Trouxe-me sinal de vida. Apressei minha partida Um tanto impressionado Por ali ter contemplado A tal tapera esquecida.

⁠MANDACARU EM FLOR A flor do mandacaru Traz beleza e esperança
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⁠MANDACARU EM FLOR A flor do mandacaru Traz beleza e esperança Ao semiárido cinzento, Qual marco de confiança, A transmitir singeleza À Caatinga, à natureza, Num sugerir de aliança. Desabrocha entre espinhos Esbanjando majestade, No atrair de passarinhos Que a beijam com bondade. Mandacaru faz-se grato, Floresce solo, no mato Seco, mostrando humildade. O mandacaru em flor Devolve vida a savana, Mata branca nordestina Que de seca, desengana! Bendito seja o cardaeiro Que junto ao juazeiro, Mostra resistência e gana! Salve o vermelho fruto Do mandacaru primeiro, Sã porção que alimenta A atraídos pelo cheiro, Passarinhos, roedores, Que desfrutam dos primores Presentes no tabuleiro!

⁠ENTRE TANTOS PASSARINHOS Há dias que sou amor Espalhando alegria...
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⁠ENTRE TANTOS PASSARINHOS Há dias que sou amor Espalhando alegria... Em outros sou beija-flor Sendo a própria Poesia Do Reino da Natureza Onde infinita beleza Ao vento é melodia! Beija-flor em um jardim Traz vida, ornamentação E serve de trampolim Para toda floração Como fosse querubim Ou rosto de arlequim Espalhando ilusão! Vejo como complemento Das flores, o beija-flor Que vive sempre sedento, Não renega seu amor Entre as flores tão singelas. Quase sempre abro as janelas Para alcança-lo onde for! As vezes as consequências O obriga fazer seus ninhos Em urtigas venenosas, Bem no meio dos espinhos Em qualquer recanto achado. Beija-flor é abençoado Entre tantos passarinhos!