Frase de Chico Mulungu
PONTEIO À MADRUGADA Eu não sou de improvisar, Mas se verso é na bitola Saltitante, cabriola Com um quê de emocionar. Já fui carcará a ciscar Na terra fértil sulcada... Se ponteio à madrugada Meu arpejar denuncia Que respiro poesia Junto com a passarada! Sou difícil de juntar Se me espalho... É minha sina Ser um galo de campina De galho em galho a trinar Ou calango a rastejar Em lajedos da Caatinga, Meu camuflar de coringa Me esconde e ninguém acha No barro do chão que racha Se não chove e nada vinga. Sou o aboio do vaqueiro No semiárido cinzento, Ligeiro quão pensamento A peitar o marmeleiro, Flor e fruto de cardeiro A desafiar mormaço, Eu sou água de cabaço Na sombra da umburana, Sou tapera, sou choupana Esquecida qual retraço. No meu tempo de menino Eu fui rico fazendeiro, Plantação de umbuzeiro Tratei com zelo e refino. Fui calça boca de sino Em caminho de carrapicho, Não tive medo de bicho, Sempre fui desassombrado E estradeiro acelerado Destacado por capricho. Eu sou desse mundo agreste Onde fui peão no eito... Chão que tem o meu respeito No coração do Nordeste. Caboclo é Cabra da Peste No Sertão Paraibano, Tem miolo, tem tutano, Tem um que de sábio ser Que o tempo sabe ler Em cada estação do ano. Convidei um rouxinol Para uma parceria Quando entrei na moradia Tão deserta quão paiol. Na viola um tom bemol, Começamos a cantar... Mas terminei por chorar De tanta melancolia, Tudo se fez poesia Ao voltar ao meu lugar.
No pensador.ai desde