"Para me refazer volto ao meu estado de fresca realidade, mal existo e se existo é com delicado cuidado."
Frases de Cecília Meireles
328 frases
Também é ser, deixar de ser assim. (...) Eu deixo aroma até nos meus espinhos, ao longe, o vento vai falando de mim.
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Também é ser, deixar de ser assim. (...) Eu deixo aroma até nos meus espinhos, ao longe, o vento vai falando de mim. E por perder-me é que me vão lembrando, por desfolhar-me é que não tenho fim.
Sede assim qualquer coisa serena, isenta, fiel. Não como o resto dos homens.
Tudo é vivo e tudo fala ao nosso redor, embora com vida e voz que não são humanas, mas que podemos aprender a escutar,
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Tudo é vivo e tudo fala ao nosso redor, embora com vida e voz que não são humanas, mas que podemos aprender a escutar, porque muitas vezes essa linguagem secreta ajuda a esclarecer o nosso próprio mistério.
Viajo sozinha com o meu coração. Não ando perdida, mas desencontrada. Levo o meu rumo na minha mão.
Também é ser, deixar de ser assim.
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.
Toda vez que um justo grita, um carrasco vem calar. Quem não presta fica vivo,
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Toda vez que um justo grita, um carrasco vem calar. Quem não presta fica vivo, quem é bom, mandam matar.
Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre de meus dedos colore as areias desertas.
I ASSIM aos poucos vai sendo levada a tua Amiga, a tua Amada!
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I ASSIM aos poucos vai sendo levada a tua Amiga, a tua Amada! E assim de longe ouvirás a cantiga da tua Amada, da tua Amiga. Abrem-se os olhos - e é de sombra a estrada para chegar-se à Amiga, à Amada! Fechem-se os olhos - e eis a estrada antiga a que levaria à Amada, à Amiga. (Se me encontrares novamente, nada te faça esquecer a Amiga, a Amada! Se te encontrar, pode ser que eu consiga ser para sempre a Amada Amiga. II E assim aos poucos vai sendo levada a tua Amiga, a tua Amada! E talvez apenas uma estrelinha siga a tua Amada, a tua Amiga. Para muito longe vai sendo levada, desfigurada e transfigurada. Sem que ela mesma já não consiga dizer que era a tua profunda Amiga. Sem que possa ouvir o que tua alma brade que era a tua Amiga e que era a tua Amada. Ah! do que disse nada mais se diga. Vai-se a tua Amada - vai-se a tua Amiga! Ah! do que era tanto, não resta mais nada... Mas houve essa Amiga! mas houve essa Amada!
No mistério do sem-fim Publicado em Cecilia Meireles às 14/04/2009 por kavorka No mistério do sem-fim
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No mistério do sem-fim Publicado em Cecilia Meireles às 14/04/2009 por kavorka No mistério do sem-fim equilibra-se um planeta. E, no planeta, um jardim, e, no jardim, um canteiro; no canteiro uma violeta, e, sobre ela, o dia inteiro, entre o planeta e o sem-fim, a asa de uma borboleta
É mais fácil pousar os ouvidos nas nuvens e sentir passar as estrelas do que prendê-lo à terra e alcançar o rumo dos teus passos .
Como se morre de velhice ou de acidente ou de doença, morro, Senhor, de indiferença.
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Como se morre de velhice ou de acidente ou de doença, morro, Senhor, de indiferença. Da indiferença deste mundo onde o que se sente e se pensa não tem eco, na ausência imensa. Na ausência, areia movediça onde se escreve igual sentença para o que é vencido e o que vença. Salva-me, Senhor, do horizonte sem estímulo ou recompensa onde o amor equivale à ofensa. De boca amarga e de alma triste sinto a minha própria presença num céu de loucura suspensa. (Já não se morre de velhice nem de acidente nem de doença, mas, Senhor, só de indiferença.)
Ou isto ou aquilo Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva!
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Ou isto ou aquilo Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva! Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares. É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares! Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro. Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo… e vivo escolhendo o dia inteiro! Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranqüilo. Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Sugestão Sede assim — qualquer coisa serena, isenta, fiel.
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Sugestão Sede assim — qualquer coisa serena, isenta, fiel. Flor que se cumpre, sem pergunta. Onda que se esforça, por exercício desinteressado. Lua que envolve igualmente os noivos abraçados e os soldados já frios. Também como este ar da noite: sussurrante de silêncios, cheio de nascimentos e pétalas. Igual à pedra detida, sustentando seu demorado destino. E à nuvem, leve e bela, vivendo de nunca chegar a ser. À cigarra, queimando-se em música, ao camelo que mastiga sua longa solidão, ao pássaro que procura o fim do mundo, ao boi que vai com inocência para a morte. Sede assim qualquer coisa serena, isenta, fiel. Não como o resto dos homens.
Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser.
Meu Sonho Parei as águas do meu sonho para teu rosto se mirar.
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Meu Sonho Parei as águas do meu sonho para teu rosto se mirar. Mas só a sombra dos meus olhos ficou por cima, a procurar... Os pássaros da madrugada não têm coragem de cantar, vendo o meu sonho interminável e a esperança do meu olhar. Procurei-te em vão pela terra, perto do céu, por sobre o mar. Se não chegas nem pelo sonho, por que insisto em te imaginar? Quando vierem fechar meus olhos, talvez não se deixem fechar. Talvez pensem que o tempo volta, e que vens, se o tempo voltar.
Chorarei quando for preciso... Depois, tudo estará perfeito... Meus olhos secos como pedra.
Herança Eu vim de infinitos caminhos, e os meus sonhos choveram lúcido pranto
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Herança Eu vim de infinitos caminhos, e os meus sonhos choveram lúcido pranto pelo chão. Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos, essa vida, que era tão viva, tão fecunda, porque vinha de um coração? E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos, do pranto que caiu dos meus olhos passados, que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão?
A maior pena que eu tenho, punhal de prata, não é de me ver morrendo, mas de saber quem me mata.
Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; - depois, abri o mar com as mãos,
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Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; - depois, abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar.
... Um poeta é sempre irmão do vento e da água: deixa seu ritmo por onde passa. ... Se eu nem sei onde estou,
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... Um poeta é sempre irmão do vento e da água: deixa seu ritmo por onde passa. ... Se eu nem sei onde estou, como posso esperar que algum ouvido me escute? ... Ah! Se eu nem sei quem sou, como posso esperar que venha alguém gostar de mim? (Discurso)
E por perder-me é que me vão lembrando, por desfolhar-me é que não tenho fim.
Há uma doce luz no silencio,e a dor é de origem divina. Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo.