...mulheres e homens à espreita, caras disformes de insónia vigiando as ações alheias
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...mulheres e homens à espreita, caras disformes de insónia vigiando as ações alheias agudas setas atiram a inveja e a maledicência
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...mulheres e homens à espreita, caras disformes de insónia vigiando as ações alheias
...mulheres e homens à espreita, caras disformes de insónia vigiando as ações alheias agudas setas atiram a inveja e a maledicência
Ai, quem se opusera ao tempo, se houvesse força bastante para impedir a desgraça
Ai, quem se opusera ao tempo, se houvesse força bastante para impedir a desgraça que aumenta de instante a instante! E a vida, em severos lances, empobrece a quem trabalha e enriquece os arrogantes
A palavra liberdade vive na boca de todos: quem não a proclama aos gritos
A palavra liberdade vive na boca de todos: quem não a proclama aos gritos murmura-a em tímido sopro
Tudo vai sendo jamais, tudo é para sempre nunca.
De seu calmo esconderijo, o ouro vem, dócil e ingênuo; torna-se pó, folha, barra,
De seu calmo esconderijo, o ouro vem, dócil e ingênuo; torna-se pó, folha, barra, prestígio, poder, engenho... É tão claro - e turva tudo: honra, amor e pensamento.
E o meu caminho começa nessa franja solitária no limite sem vestígio,
E o meu caminho começa nessa franja solitária no limite sem vestígio, na translúcida muralha que opõe o sonho vivido e a vida apenas sonhada.
A educação é a única das coisas deste mundo em que acredito de maneira inabalável.
Serenata Repara na canção tardia que timidamente se eleva,
Serenata Repara na canção tardia que timidamente se eleva, num arrulho de noite fria. O orvalho treme sobre a treva e o sonho da noite procura a voz que o vento abraça e leva. Repara a canção tardia que oferece a um mundo desfeito sua flor de melancolia. É tão triste, mas tão perfeito, o movimento em que murmura, como o do coração no peito. Repara na canção tardia que por sobre o teu nome, apenas, desenha a sua melodia. E nessas letras tão pequenas o universo inteiro perdura. E o tempo suspira na altura por eternidades serenas.
Lamento do oficial por seu cavalo morto Nós merecemos a morte, porque somos humanos
Lamento do oficial por seu cavalo morto Nós merecemos a morte, porque somos humanos e a guerra é feita pelas nossas mãos, pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra, por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens que trazemos por dentro, e ficam sem explicação. Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia, os cálculos do gesto, embora sabendo que somos irmãos. Temos até os átomos por cúmplices, e que pecados de ciência, pelo mar, pelas nuvens, nos astros! Que delírio sem Deus, nossa imaginação! E aqui morreste! Oh, tua morte é a minha, que, enganada, recebes. Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno, ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração. Animal encantado – melhor que nós todos! – que tinhas tu com este mundo dos homens? Aprendias a vida, plácida e pura, e entrelaçada em carne e sonho, que os teus olhos decifravam… Rei das planícies verdes, com rios trêmulos de relinchos… Como vieste morrer por um que mata seus irmãos!
O que tu viste amargo, Doloroso, Difícil,
O que tu viste amargo, Doloroso, Difícil, O que tu viste breve, O que tu viste inútil Foi o que viram os teus olhos humanos, Esquecidos… Enganados… No momento da tua renúncia Estende sobre a vida Os teus olhos E tu verás o que vias: Mas tu verás melhor…
Esse teu corpo é um fardo. É uma grande montanha abafando-te. Não te deixando sentir o vento livre
Esse teu corpo é um fardo. É uma grande montanha abafando-te. Não te deixando sentir o vento livre Do Infinito. Quebra o teu corpo em cavernas Para dentro de ti rugir A força livre do ar. Destrói mais essa prisão de pedra. Faze-te recesso. Âmbito. Espaço. Amplia-te. Sê o grande sopro que circula...
Os teus ouvidos estão enganados. E os teus olhos. E as tuas mãos.
Os teus ouvidos estão enganados. E os teus olhos. E as tuas mãos. E a tua boca anda mentindo Enganada pelos sentidos. Faze silêncio no teu corpo. E escuta-te. Há uma verdade silenciosa dentro de ti. A verdade sem palavras. Que procuras inutilmente, Há tanto tempo, Pelo teu corpo, que enlouqueceu.
Não tem mais lar o que mora em tudo. Não há mais dádivas Para o que não tem mãos.
Não tem mais lar o que mora em tudo. Não há mais dádivas Para o que não tem mãos. Não há mundos nem caminhos Para o que é maior que os caminhos E os mundos. Não há mais nada além de ti. Porque te dispersaste… Circulas em todas as vidas Pairas sobre todas as coisas E todos te sentem. Sentem-te como a si mesmos E não sabem falar de ti.
Eles te virão oferecer o ouro da Terra. E tu dirás que não. A beleza.
Eles te virão oferecer o ouro da Terra. E tu dirás que não. A beleza. E tu dirás que não. O amor. E tu dirás que não, para sempre. Eles te oferecerão o ouro d’além da Terra. E tu dirás sempre o mesmo. Porque tens o segredo de tudo. E sabes que o único bem é o teu.
A Literatura não é, como tantos supõem, um passatempo. É uma nutrição.
Tudo, em suma, é sempre uma questão de educação.