Pular para o conteúdo

Frases de Cecília Meireles

328 frases

⁠...mulheres e homens à espreita, caras disformes de insónia vigiando as ações alheias
Continuar lendo

⁠...mulheres e homens à espreita, caras disformes de insónia vigiando as ações alheias agudas setas atiram a inveja e a maledicência

Serenata Repara na canção tardia que timidamente se eleva,
Continuar lendo

Serenata Repara na canção tardia que timidamente se eleva, num arrulho de noite fria. O orvalho treme sobre a treva e o sonho da noite procura a voz que o vento abraça e leva. Repara a canção tardia que oferece a um mundo desfeito sua flor de melancolia. É tão triste, mas tão perfeito, o movimento em que murmura, como o do coração no peito. Repara na canção tardia que por sobre o teu nome, apenas, desenha a sua melodia. E nessas letras tão pequenas o universo inteiro perdura. E o tempo suspira na altura por eternidades serenas.

Lamento do oficial por seu cavalo morto Nós merecemos a morte, porque somos humanos
Continuar lendo

Lamento do oficial por seu cavalo morto Nós merecemos a morte, porque somos humanos e a guerra é feita pelas nossas mãos, pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra, por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens que trazemos por dentro, e ficam sem explicação. Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia, os cálculos do gesto, embora sabendo que somos irmãos. Temos até os átomos por cúmplices, e que pecados de ciência, pelo mar, pelas nuvens, nos astros! Que delírio sem Deus, nossa imaginação! E aqui morreste! Oh, tua morte é a minha, que, enganada, recebes. Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno, ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração. Animal encantado – melhor que nós todos! – que tinhas tu com este mundo dos homens? Aprendias a vida, plácida e pura, e entrelaçada em carne e sonho, que os teus olhos decifravam… Rei das planícies verdes, com rios trêmulos de relinchos… Como vieste morrer por um que mata seus irmãos!

⁠O que tu viste amargo, Doloroso, Difícil,
Continuar lendo

⁠O que tu viste amargo, Doloroso, Difícil, O que tu viste breve, O que tu viste inútil Foi o que viram os teus olhos humanos, Esquecidos… Enganados… No momento da tua renúncia Estende sobre a vida Os teus olhos E tu verás o que vias: Mas tu verás melhor…

⁠Esse teu corpo é um fardo. É uma grande montanha abafando-te. Não te deixando sentir o vento livre
Continuar lendo

⁠Esse teu corpo é um fardo. É uma grande montanha abafando-te. Não te deixando sentir o vento livre Do Infinito. Quebra o teu corpo em cavernas Para dentro de ti rugir A força livre do ar. Destrói mais essa prisão de pedra. Faze-te recesso. Âmbito. Espaço. Amplia-te. Sê o grande sopro que circula...

Não tem mais lar o que mora em tudo. Não há mais dádivas Para o que não tem mãos.
Continuar lendo

Não tem mais lar o que mora em tudo. Não há mais dádivas Para o que não tem mãos. Não há mundos nem caminhos Para o que é maior que os caminhos E os mundos. Não há mais nada além de ti. Porque te dispersaste… Circulas em todas as vidas Pairas sobre todas as coisas E todos te sentem. Sentem-te como a si mesmos E não sabem falar de ti.