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Frases de Carlucho Vitaliano

19 frases

ENTREPOSTO Num monólogo louco tento saber teus passos.
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ENTREPOSTO Num monólogo louco tento saber teus passos. Onde estás? em casa? pelas ruas? Que roupas vestes? O que calças? Se é que calças. Brincas e sorris ou te perdes o olhar no nada? Pensas em mim ou no etéreo mundo que nos serve de entreposto? Se nada mais nos acompanha e de nada vale esperar, que me falte a vida e que seja a última parada, o entreposto.

Bourbon Street Eu era branco e preto As pessoas eram brancas e pretas
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Bourbon Street Eu era branco e preto As pessoas eram brancas e pretas As luzes brancas, o asfalto preto O carro branco, a noite preta Tudo era branco e preto. O ambiente era branco e preto A conversa era branca e preta A cadeira era branca, a mesa preta O garçom usava camisa branca e calça preta. De repente, um drinque colorido, * extremamente colorido, inebriantemente colorido, Aquele piano de teclas brancas e pretas – ficou colorido. E a sua ausência colorida, tão insuportavelmente colorida que a minha vida ficou branca e preta.

JANEIRO Enquanto esperava por ela Passavam crianças empinando pipas
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JANEIRO Enquanto esperava por ela Passavam crianças empinando pipas Homens comentando política Mulheres falando de moda Cachorros latindo Mendigos pedindo esmola Padres rezando Putas vendendo o corpo Promessas vendendo a alma. Enquanto esperava por ela Crianças viravam adultos Homens se desiludiam Mulheres dormiam maltrapilhas Cães adoeciam Mendigos morriam de fome Padres se perdiam de Deus Putas apodreciam Promessas entregavam a alma ao demônio. Enquanto esperava por ela Adultos envelheciam Homens morriam Mulheres também morriam Cães nem mais existiam Mendigos jaziam em covas rasas Padres renegavam a fé Putas se suicidavam O demônio sorria. Um dia, enfim, ela resolveu vir. Bateu a porta, mas a porta se calou. Chamou meu nome e o silêncio se fez saber. Adentrou a casa tateando o escuro e o escuro não me deu a ela. Procurou minha cama e a encontrou arrumada. Vasculhou cômodo por cômodo e, diante da inexorável ausência, atordoada, sentou-se na poltrona empoeirada e, enquanto revivia lembranças, eu vagava por onde me fora dado não ser: agora fazia parte do cosmo.

"Menina da Janela A menina da janela era tão próxima de mim,
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"Menina da Janela A menina da janela era tão próxima de mim, mas eu era tão pequeno que minha mão não alcançava aquela janela. E eu, de tanto tentar, desisti, não sei se dela, ou se de alcançá-la pela fresta da janela. Hoje, a menina da janela é a moça da sacada, que está tão longe quanto estão longe os meus sonhos, e tão inalcançável quanto eu sou para mim mesmo."

HELENA Acordei e não te senti ao meu lado.
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HELENA Acordei e não te senti ao meu lado. Tateei o colchão, e nada. Te chamei e um silêncio enlouquecedor tomou conta do quarto. Um nada inquebrantável apossou-se de mim e a presença do teu perfume se fez ausente em minhas narinas. Acendi a luz e não te vi. E o resto de bagunça sobre o lençol desarrumado ainda cheirando a teu suor me fez perceber que havia partido. Senti frio...

OINICSAF Não me incomoda se teus pés pisam areia
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OINICSAF Não me incomoda se teus pés pisam areia e que salgas tua boca com água do mar. Não me peças que fale de vida nem de vai e vem de ondas. Não me interessam as conchas que não vou ganhar, nem que te fascines com o mar. Não me incomoda nada ser e nem ter um sorriso de ontem nos lábios. Me incomoda saber-me não mais teu cais.

"Menina da Janela A menina da janela era tão próxima de mim,
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"Menina da Janela A menina da janela era tão próxima de mim, mas eu era tão pequeno que minha mão não alcançava aquela janela. E eu, de tanto tentar, desisti, não sei se dela, ou se de alcança-la pela fresta da janela. Hoje, a menina da janela é a moça da sacada, que está tão longe quanto estão longe os meus sonhos, e tão inalcansável quanto eu sou para mim mesmo."

Reflexo A paz que se queria, a ausência vai dar. A tristeza vai substituir a ansiedade.
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Reflexo A paz que se queria, a ausência vai dar. A tristeza vai substituir a ansiedade. A lágrima escorre no lugar do suor. A saudade vai amainar o medo. A dor quebra o prazer. A vida se esvai E lentamente Se acaba Só Se acaba E lentamente A vida se esvai A dor quebra o prazer A saudade vai amainar o medo A lágrima escorre no lugar do suor A tristeza vai substituir a ansiedade A paz que se queria, a ausência vai dar.

Fascínio Fascina-me o mar, com suas ondas
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Fascínio Fascina-me o mar, com suas ondas naquele vai e vem insistente Lembrei-me de mim, que um dia fui. E na volta ela me esperava com um sorriso de ontem nos lábios. Como sabia do meu fascínio pelo mar achou que eu me fosse novamente sem saber que agora eu estava represado no se abraço, preso nas ondas do seu olhar. E me pediu que falasse de vida, que não sabia, mas já não era sem ela. Agora me ama em garrafas e me implora coisas que eu queria dela implorar. Ainda fascina-me o mar, mas o cais tem um sorriso de ontem nos lábios.

"Presença Teus olhos impregnavam-me a retina como fotos de colorido berrante.
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"Presença Teus olhos impregnavam-me a retina como fotos de colorido berrante. Tua voz lanhava-me os tímpanos, tua boca roçava-me a pele, provocando-me calafrios, e teu cheiro vinha-me às narinas como loucas noites de passado, como se você nunca tivesse passado, e eu nunca tivesse ido. Era só mais um verão, só mais um inverno, como se tudo não tivesse sido."

"Minhas Mãos Eu amo minhas mãos. Elas são feias, eu sei,
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"Minhas Mãos Eu amo minhas mãos. Elas são feias, eu sei, mas quando penso no porque desta feiúra, elas se tornam lindas. Tenho calos nos dedos, mas são de tocar violão prá você. Tenho as unhas roídas e os dedos machucados, porque, às vezes, a sua ausência se faz tão presente, que uma saudade doída se transforma em ansiedade e eu mordo as unhas. Mas amo minhas mãos. elas me permitem acariciar seu rosto e apertar voluptuosamente o seu corpo. Me permitem segurar as suas. Me permitem tocar seus lábios levemente, quando nossos olhos pedem silêncio para falarem por nós. Olho então para as minhas mãos, e vejo meus dedos tortos de tanto escreverem versos prá você, e pensando que tudo o que elas fazem são prá você, já nem sei se amo mais minhas mãos ou você."

Contraste No interior da casa, em meio as paredes quebradas
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Contraste No interior da casa, em meio as paredes quebradas e chão empoeirado, ainda paira a tua presença. Teus passos estão nos corredores e a cama que já não tem mais guarda o relevo do teu corpo. Quiçá cacos de copos quebrados esparramados no chão ainda tragam o batom dos teus lábios. Talvez ecoem pelos quartos tuas últimas palavras. Lá dentro, parece que o tempo parou. Lá fora, a vida continua indiferente. E, num contraste louco, tua imagem permanece num ausência constante na janela que parou o tempo de dentro.

Silêncio Silêncio! Silêncio para que eu possa
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Silêncio Silêncio! Silêncio para que eu possa ouvir teu coração, ouvir tua respiração, teus passos, teus sussurros. Silêncio! Silêncio para que eu possa ouvir eu engolir seco, ouvir teu estalar os dedos, teu piscar de olhos, teu bocejar. Silêncio! Silêncio para que eu possa me ouvir te ouvindo, ouvir meu pensamento em ti, minha voz interior gritando teu nome só para que eu mesmo ouça: ! e, com o gosto recente do teu beijo em minha boca, Silêncio ... e pensamento.

Noite Acabou minha jornada de trabalho Tenho a sensação de missão cumprida
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Noite Acabou minha jornada de trabalho Tenho a sensação de missão cumprida Lá fora, a noite chega complicada Vou ficar sozinho com meus pensamentos Tenho vontade de quebrar meu safári, rasgar a reserva (que eu nunca fiz) daquele hotel em Tiradentes e, depois beber num só gole aquele uísque que guardei prá nós, ouvindo “Blosson Fell”. E adormecer te maldizendo, com vontade de acordar com a certeza que tudo não passou de um sonho ruim.