Não amamos ainda bastante se não chegamos a esquecer até as qualidades do objeto amado.
Frases de Carlos Drummond de Andrade
498 frases
Censuramos no animal os nossos defeitos: brutalidade e ingratidão.
Amar sem inquietação é amar sem amor.
Não é difícil ser amado por duas pessoas; difícil é amar as duas.
O amor ensina igualmente a ferir e a ser ferido.
O anônimo tem possibilidades infinitas de ação – se os famosos o permitirem.
Até a cor do arrependimento desbota com o tempo.
O arquivo supre a falta de memória, lembrando o que desejávamos esquecer.
O amor dinamita a ponte e manda o amante passar.
Amar é privilégio de maduros. (...) Amor começa tarde.
O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé. Aquele gol que gostaríamos tanto de fazer, que nos sentimos maduros para fazer, mas que, diabolicamente, não se deixa fazer. O gol.
O dia dos Namorados para mim é todo dia. Não tenho dias marcados
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O dia dos Namorados para mim é todo dia. Não tenho dias marcados para te amar noite e dia. O dia 12 de junho, como qualquer outro, diz (e disso dou testemunho) que contigo sou feliz.
Toda história é remorso.
A moça ferrada Falam tanto dessa moça. Ninguém viu, todos juram.
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A moça ferrada Falam tanto dessa moça. Ninguém viu, todos juram. Cada qual conta coisa diferente, e todas concordantes. Dizem que à noite, ela. Ela o quê? E com quem? Com viajantes que somem sem rastro gabando no caminho os espasmos secretos (tão públicos) da moça. Sobe a moça a ladeira da igreja para a reza de todas as tardes. De branco perfeitíssimo, alta, superior, inabordável (luxúria de mil-folhas sob o véu, murmura alguém). À noite é que acontecem coisas no quarto escuro. Ganidos de prazer, escutados por quem? se ninguém passa na rua em altas horas-muro? Pouco importa, a moça está marcada, marca de rês na anca, ferro em brasa de língua popular.
Um chamado João João era fabulista? fabuloso?
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Um chamado João João era fabulista? fabuloso? fábula? Sertão místico disparando no exílio da linguagem comum? Projetava na gravatinha a quinta face das coisas, inenarrável narrada? Um estranho chamado João para disfarçar, para farçar o que não ousamos compreender? Tinha pastos, buritis plantados no apartamento? no peito? Vegetal ele era ou passarinho sob a robusta ossatura com pinta de boi risonho? Era um teatro e todos os artistas no mesmo papel, ciranda multívoca? João era tudo? tudo escondido, florindo como flor é flor, mesmo não semeada? Mapa com acidentes deslizando para fora, falando? Guardava rios no bolso, cada qual com a cor de suas águas? sem misturar, sem conflitar? E de cada gota redigia nome, curva, fim, e no destinado geral seu fado era saber para contar sem desnudar o que não deve ser desnudado e por isso se veste de véus novos? Mágico sem apetrechos, civilmente mágico, apelador de precípites prodígios acudindo a chamado geral? Embaixador do reino que há por trás dos reinos, dos poderes, das supostas fórmulas de abracadabra, sésamo? Reino cercado não de muros, chaves, códigos, mas o reino-reino? Por que João sorria se lhe perguntavam que mistério é esse? E propondo desenhos figurava menos a resposta que outra questão ao perguntante? Tinha parte com... (não sei o nome) ou ele mesmo era a parte de gente servindo de ponte entre o sub e o sobre que se arcabuzeiam de antes do princípio, que se entrelaçam para melhor guerra, para maior festa? Ficamos sem saber o que era João e se João existiu de se pegar.
Na TV, só teu retrato, com teu número e teu nome. Serás mesmo candidato
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Na TV, só teu retrato, com teu número e teu nome. Serás mesmo candidato ou simples sombra que some?
Quantas toneladas exportamos De ferro? Quantas lágrimas disfarçamos
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Quantas toneladas exportamos De ferro? Quantas lágrimas disfarçamos Sem berro?
Naquele tempo eu não sabia Que viver pressupunha um fim E que sempre haveria
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Naquele tempo eu não sabia Que viver pressupunha um fim E que sempre haveria Uma sombra olhando pra mim