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Frases de Carlos Drummond de Andrade

498 frases

Dai, Senhor, o mais fino paladar a quem tem por missão alimentar. (In: Poesia Errante, 1988.)
“A beleza ainda me emociona muito. Não só a beleza física, mas a beleza natural. Hoje, com quase oitenta e cinco anos, tenho uma visão da natureza muito mais rica do que eu tinha quando era jovem”. ( trecho da última entrevista. in: "O suplemento Idéias", do Jornal do Brasil, de…
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“A beleza ainda me emociona muito. Não só a beleza física, mas a beleza natural. Hoje, com quase oitenta e cinco anos, tenho uma visão da natureza muito mais rica do que eu tinha quando era jovem”. ( trecho da última entrevista. in: "O suplemento Idéias", do Jornal do Brasil, de 22 de agosto de 1987.)

Irmão, Irmãos Cada irmão é diferente. Sozinho acoplado a outros sozinhos.
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Irmão, Irmãos Cada irmão é diferente. Sozinho acoplado a outros sozinhos. A linguagem sobe escadas, do mais moço, ao mais velho e seu castelo de importância. A linguagem desce escadas, do mais velho ao mísero caçula. São seis ou são seiscentas distâncias que se cruzam, se dilatam no gesto, no calar, no pensamento? Que léguas de um a outro irmão. Entretanto, o campo aberto, os mesmos copos, o mesmo vinhático das camas iguais. A casa é a mesma. Igual, vista por olhos diferentes? São estranhos próximos, atentos à área de domínio, indevassáveis. Guardar o seu segredo, sua alma, seus objectos de toalete. Ninguém ouse indevida cópia de outra vida. Ser irmão é ser o quê? Uma presença a decifrar mais tarde, com saudade? Com saudade de quê? De uma pueril vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?

Especulações em torno da palavra homem Mas que coisa é homem, que há sob o nome:
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Especulações em torno da palavra homem Mas que coisa é homem, que há sob o nome: uma geografia? um ser metafísico? uma fábula sem signo que a desmonte? Como pode o homem sentir-se a si mesmo, quando o mundo some? Como vai o homem junto de outro homem, sem perder o nome? E não perde o nome e o sal que ele come nada lhe acrescenta nem lhe subtrai da doação do pai? Como se faz um homem? Apenas deitar, copular, à espera de que do abdômen brote a flor do homem? Como se fazer a si mesmo, antes de fazer o homem? Fabricar o pai e o pai e outro pai e um pai mais remoto que o primeiro homem? Quanto vale o homem? Menos, mais que o peso? Hoje mais que ontem? Vale menos, velho? Vale menos, morto? Menos um que outro, se o valor do homem é medida de homem? Como morre o homem, como começa a? Sua morte é fome que a si mesma come? Morre a cada passo? Quando dorme, morre? Quando morre, morre? A morte do homem consemelha a goma que ele masca, ponche que ele sorve, sono que ele brinca, incerto de estar perto, longe? Morre, sonha o homem? Por que morre o homem? Campeia outra forma de existir sem vida? Fareja outra vida não já repetida, em doido horizonte? Indaga outro homem? Por que morte e homem andam de mãos dadas e são tão engraçadas as horas do homem? Mas que coisa é homem? Tem medo de morte, mata-se, sem medo? Ou medo é que o mata com punhal de prata, laço de gravata, pulo sobre a ponte? Por que vive o homem? Quem o força a isso, prisioneiro insonte? Como vive o homem, se é certo que vive? Que oculta na fronte? E por que não conta seu todo segredo mesmo em tom esconso? Por que mente o homem? mente mente mente desesperadamente? Por que não se cala, se a mentira fala, em tudo que sente? Por que chora o homem? Que choro compensa o mal de ser homem? Mas que dor é homem? Homem como pode descobrir que dói? Há alma no homem? E quem pôs na alma algo que a destrói? Como sabe o homem o que é sua alma e o que é alma anônima? Para que serve o homem? para estrumar flores, para tecer contos? Para servir o homem? Para criar Deus? Sabe Deus do homem? E sabe o demônio? Como quer o homem ser destino, fonte? Que milagre é o homem? Que sonho, que sombra? Mas existe o homem?