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Frases de Cacau Braga

58 frases

O criador de sonhos Já era tarde da noite... A lua, que era sempre tão clichê, soava até original coberta pela neblina que entristecia o ambiente. Esse era o cenário que eu via pela fresta da janela. No outro ponto de luz fraca estava eu brigando com as pálpebras para manter-me…
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O criador de sonhos Já era tarde da noite... A lua, que era sempre tão clichê, soava até original coberta pela neblina que entristecia o ambiente. Esse era o cenário que eu via pela fresta da janela. No outro ponto de luz fraca estava eu brigando com as pálpebras para manter-me acordado; sentado no chão, com as mãos em seus movimentos repetitivos emaranhadas nos finos fios de cabelo dela... Era do que ela gostava. Era o que a fazia dormir feliz. Eu não me importava com a constante batalha que eu travava contra o sono, nem com o frio do piso; eu queria estar lá quando o sono dela chegasse. E toda manhã, ela acordava, corria para o meu quarto como um gato e me surpreendia com um beijo. Assim aconteceu até o dia em que ela pacientemente esperou que meus olhos se abrissem sozinhos, e disse: “eu te amo”. Então eu soube que, enfim, a minha espera tinha valido a pena. Eu tinha entrado nos sonhos dela.

Naquela manhã... Levantou da cama rasgando um sorriso bobo de preguiça. Olhou para o relógio preso na parede, mas não reparou na hora. Aos domingos o grande controlador do tempo só não era ignorado por força do hábito. Arrastou os pés até a cozinha, esquentou as mãos na xícara d…
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Naquela manhã... Levantou da cama rasgando um sorriso bobo de preguiça. Olhou para o relógio preso na parede, mas não reparou na hora. Aos domingos o grande controlador do tempo só não era ignorado por força do hábito. Arrastou os pés até a cozinha, esquentou as mãos na xícara de café. Mirou seus grandes olhos verdes no centro da sala vazia... Entre a cadeira e a porta. Entre o tapete e a lâmpada. Entre o sorriso e o beijo. Entre o passado e o presente. Bem ali, naquela manhã, ele bebia o café e sentia o gosto do futuro.

A Cidade Cinza Primeiro era um aperto. Ela descrevia como um enlace de duas mãos pressionando o coração, com uma delicadeza cruel e quase sádica. Sentia uma desorientação de sentidos, de pensamentos e buscava desesperadamente um abrigo num ponto qualquer onde o olhar pudesse sen…
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A Cidade Cinza Primeiro era um aperto. Ela descrevia como um enlace de duas mãos pressionando o coração, com uma delicadeza cruel e quase sádica. Sentia uma desorientação de sentidos, de pensamentos e buscava desesperadamente um abrigo num ponto qualquer onde o olhar pudesse sentir-se seguro. Era em momentos como aquele, distantes dela mesma, que a fraqueza de não se pertencer a vencia covardemente. Um dia, num desses perfeitos dias de sol talvez, ela levantará da cama, porá os pés na madeira agradável do chão do quarto e sentirá uma liberdade pura, a sensação de ser, de estar em si, de estar no mundo sem ser tomada por ele. Num domingo de sol... Num verão ou numa primavera... Num dia azul... E o aperto voltará? Ele virá com a chuva... Mas o sol sempre voltará a brilhar na grande cidade cinza.

O CICLO Faz, cansa, pára Quer continuar
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O CICLO Faz, cansa, pára Quer continuar Porque parar também cansa Continua, faz, cansa Quer parar Porque continuar cansa Pára, cansa, continua Mesmo cansado quer continuar Continua, cansa, pára Mesmo parado quer cansar Então pensa... E começa tudo outra vez.

FIM Como é o fim? O fim tem sabor, dói? Como ele anda e como pára?
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FIM Como é o fim? O fim tem sabor, dói? Como ele anda e como pára? O fim espera, vai por inércia? Passa por nós e continua esbarrando nos outros, ou tropeça e cai nos nossos pés? Como é o fim, afinal? É o nada, o começo de algo, o meio do caminho? Ele existe ou é lenda? O fim está? O fim é? O fim é só o ponto, a última página do livro? Tem forma de quê? Quando menos se espera... Fim?

A FALTA Um vazio de palavras que não suporto! Os sentimentos por vezes são tantos que os pensamentos não acompanham de modo algum. Correm, mas não chegam! Indecifráveis verdades rondam meus dias... e as noites são absolutamente mudas. Dê-me ao menos notas ou sorrisos e lágrimas!…
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A FALTA Um vazio de palavras que não suporto! Os sentimentos por vezes são tantos que os pensamentos não acompanham de modo algum. Correm, mas não chegam! Indecifráveis verdades rondam meus dias... e as noites são absolutamente mudas. Dê-me ao menos notas ou sorrisos e lágrimas! Grite, mas esteja! Desvende meus olhos, oras! Mas, faça-me o favor: explique-me... se as palavras sumiram no exato momento da sua ausência, não acha que em algum bolso seu elas devem estar? Como então devo falar-te da falta que me faz se tudo o que me resta são letras esparsas? Complicado te encontrar... mais complicado ainda te deixar.

JAVALI Como quem lamenta muito ela me disse e eu imediatamente questionei: - Um javali? Por que justo um javali?
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JAVALI Como quem lamenta muito ela me disse e eu imediatamente questionei: - Um javali? Por que justo um javali? Ela não tinha uma resposta, simplesmente deu de ombros e suspirou. Com tantos bichos no mundo ela queria justamente um javali?! Não fazia sentido algum para mim: - Por que não um gato felpudo ou um cachorrinho pidão? Um coelho branquinho ou ainda uma chinchila?! Ela jogou-me um silêncio que ecoou pela sala. Pensei que poderia dar-lhe mais opções: - Tem gente que cria iguanas ou miquinhos. Já vi até cobra e aranha tratados a pão-de-ló! Ela olhou-me fixamente: - A escolha já está feita! Eu dirigia e ela indicava o caminho. Faria a sua vontade, mas não teria como entender a estranha preferência. Pensava nos possíveis motivos... nada parecia razoável! Quem sabe não estava em busca de algum animal mais selvagem? Um tigre não seria melhor, nesse caso? Pelo menos seria extremante belo e com porte de felino, ao contrário de um porco desengonçado e peludo! Ela olhava através da janela ansiosa pela chegada, estava deveras decidida, mas eu ainda via um lamento naquele olhar: - Tudo bem, nós vamos buscá-lo, eu respeito a sua decisão. Não precisa ficar assim... - Você não entende... Eu quero muito esse javali, mas ele não me quer! Pulou do carro nesse instante quase junto com a parada dos pneus! O lugar era aberto, um grande pasto. Ela andou devagar se aproximando de uma touceira e logo apareceram dois pequenos olhos no meio da vegetação. Eu não precisava de mais nada! Estava claro feito o sol... Cinco segundos olhando nos olhos do animal para entender o que ela sentia. Duas horas inteiras para concluir que eu também não saberia explicar! Antes que se pudesse pensar, o javali sumiu por entre as árvores que rodeavam o pasto.

Escuta! Mesmo longe, escuta! Os meus sonhos gritam É uma dependência incurável
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Escuta! Mesmo longe, escuta! Os meus sonhos gritam É uma dependência incurável Minha vida desaprendeu a ser minha Quisera eu ser a lua! Que toda noite espia o mundo inteiro, Entra pela fresta da sua janela, Suspira os seus segredos... Escuta! Nem o céu me encontra agora! Pra onde eu vôo ninguém vai Estou sempre entre as lembranças Para que elas estejam sempre em mim Enquanto as estrelas passam as noites se exibindo Oferecendo-me a solidão numa bandeja Os dias se preparam para vir com luz intensa Revivendo o medo que a lua guarda De que o lobo algum dia a esqueça

Você Com esses grandes olhos de jabuticaba Grandes para mim...
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Você Com esses grandes olhos de jabuticaba Grandes para mim... Pretos como aquela noite Quando o escuro aprendeu a ter luz, e ainda sim ser escuro... Você Que fala com as mãos, os pés, a nuca Poupando a boca de muitas palavras Esperando que os lábios só saibam beijar Você Um copo de vinho, um sofá e um filme Tão previsível final Inusitadas lágrimas Você E seus dedos encontrando as notas Me procurando pela sala, talvez? Você Simplesmente comigo Eu Simplesmente com você

Um quê de inesperado Desculpe pela falta e pela insegurança Desculpe pelo não, pelo talvez e até mesmo pelo sim
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Um quê de inesperado Desculpe pela falta e pela insegurança Desculpe pelo não, pelo talvez e até mesmo pelo sim Desculpe pelo controle e principalmente pela falta dele Mas não peço desculpas por tudo Guarde um pouco do que tenho de errado De ilógico e impulsivo Que a verdade em mim é mesmo assim É esse quê de inesperado Que tenta alcançar alguma razão de ser... Ainda que seja muito Desculpe pela demora Que cada um tem seu tempo E cada tempo guarda uma história

FLOR - Olá, flor! Disse já quase sem sentimento, num piloto automático. Talvez porque eu de fato não fosse a sua flor. Hoje já nem me importava mais, no entanto, em outro tempo, quisera eu sê-la. Ao menos sabia que ninguém poderia relacionar flor a algo que não fosse belo. No e…
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FLOR - Olá, flor! Disse já quase sem sentimento, num piloto automático. Talvez porque eu de fato não fosse a sua flor. Hoje já nem me importava mais, no entanto, em outro tempo, quisera eu sê-la. Ao menos sabia que ninguém poderia relacionar flor a algo que não fosse belo. No entanto, não era a beleza que eu almejava... O que até hoje me agrada é essa pequena palavra sempre me soar como um carinho. Queria ser uma flor Com pétalas suaves... - Pedacinhos de veludo - Queria ser uma flor vermelha Uma rosa? Não... Um tipo desconhecido Nem bonito nem feio Que pudesse simplesmente E para sempre Ser chamado de flor

COTOVELO Ontem me peguei pensando no quão inútil o cotovelo é! Se fosse substituído por um parafuso ou algo do tipo, ninguém sentiria falta. Uma das partes do corpo mais desobedientes e indisciplináveis! Desobediente porque antes que se perceba já está se apoiando em algo – norm…
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COTOVELO Ontem me peguei pensando no quão inútil o cotovelo é! Se fosse substituído por um parafuso ou algo do tipo, ninguém sentiria falta. Uma das partes do corpo mais desobedientes e indisciplináveis! Desobediente porque antes que se perceba já está se apoiando em algo – normalmente onde não deveria apoiar-se – e indisciplinável porque é impossível puni-lo, visto que o cotovelo praticamente não sente dor alguma! Por mais que a mão se esforce ao beliscar, ele sempre passa ileso. As mãos também têm lá sua incômoda independência... Quem as dá o direito de tapar os olhos na melhor cena do filme?! Falta ao corpo comunicação, certamente, ou o que explicaria as palavras que a boca solta, sem perguntar aos pensamentos, sem deixar o ar sair, sem que a memória tenha tempo de guardá-las?! O que explicaria a dança dos pés prestigiando uma música que o cérebro rejeita? O cérebro, responsável por tudo o que acontece em cada centímetro do corpo, não consegue controlar seus pupilos, mesmo usando estratégias desleais como sonhos ruins, crises depressivas que resultam em atitudes involuntárias... A verdade é que o corpo só obedece a uma voz, que às vezes passa dias, meses e até anos sem dizer uma só palavra, mas que, quando resolve mandar, até o esquecido cotovelo obedece sem questionar. Essa voz confunde desde o dedão do pé até os escondidos tímpanos, faz os olhos mudarem de opinião quanto à beleza das coisas e a pele fingir que está frio em pleno dia de sol! Então, quando tudo parece que vai sair do controle, a voz paralisa cada músculo, cada pensamento e diz pro cérebro que o nome disso é amor. E é nesse momento que cada célula do corpo entende que a única ordem impossível de se ignorar é a do coração.