A vida é um conto de falhas
Tenho um paciente muito bem humorado, que algumas vezes fala com ironia sobre seus planos, dizendo que podemos ficar tranquilos porque “não tem o menor risco de dar certo”.
A vida é uma invenção, e nesse conto de existir oscilamos entre heróis e vilões, vestindo roupas que alguns outros nos deram, e que por culpa, medo ou pertencimento, vestimos.
Sonhamos com castelos e tronos, e onde mais reinamos é no vaso do banheiro. Somos errantes, capengas, corcundas da Candelária às vezes, mas ainda sonhamos.
Sonhamos em ser aquilo que nosso cachorro pensa que somos ou aquele que nossos pais tanto desejaram e falhamos.
Criamos romances coloridos, mas nos empolgamos com os tons de cinza, pois não somos tão coerentes e racionais quanto gostamos de acreditar.
A vida é um conto de falhas que se passa entre o trabalho e a casa, nas mensagens de texto, e nas conversas fiadas. Nas paixões impossíveis e nos amores confusos, no que sabemos da gente e do que jamais poderemos saber.
Falhamos pois a vida precisa ser inventada, e ela começa bem depois que se encerra os felizes para sempre que finalizam toda história mal contada.
Bruno Fernandes Barcellos
Psicólogo Clínico - CRP: 05/39656
Quem você me apresentaria?
Tem pessoas que eu gostaria que o mundo conhecesse, pessoas que despertam orgulho por estar perto.
Às vezes me sinto privilegiado por conhecer pessoas tão legais, e que me fazem questionar, que criam condições para que uma conversa seja divertida e inteligente, e se a emoção resolver participar, ela será bem-vinda.
Tenho amigos assim e sinto isso por alguns pacientes também. Pessoas que em 5 minutos me despertam gargalhadas ou trazem pensamentos tão sinceros e profundos que enchem meus olhos d’água, que na troca de mensagens me fazem pensar por dias, e aqueles que somem... Mas quando ressurgem parece que nunca tinham deixado de estar ali.
Em um mundo tão rasteiro, de relações mecânicas e falas decorativas, pessoas que se permitem ser demasiadamente humanas, com seus contragostos e contradições são uma experiência rara.
Se eu puder escolher, opto pela intensidade das contradições do que as convenções insossas e expressões descompromissadas.
@psibrunobarcellos
Saia do pretérito imperfeito.
Confesso que sinto uma decepção existencial quando escuto frases que começam com:
- Eu ia falar;
- Eu ia ligar;
- Eu ia começar;
- Eu ia...
Mas não disse, não fez, e não começou...
Esse tal de pretérito imperfeito é o tempo verbal do nada. Aquele espaço vazio e tristonho entre uma vontade ou ideia e uma ação que não se realizou.
Em geral só é positivo quando a situação imaginada vira uma desgraça danada e você agradece aos céus por ter se livrado de uma enrascada. E aí você conta aliviado:
- Eu ia pegar esse ônibus que foi assaltado...
- Eu ia sair na hora do tiroteio...
Assim, o “eu ia” só ganha valor positivo para sobreviventes, aqueles que podiam ter se machucado, se ferido ou morrido, e foram salvos pelo pretérito imperfeito...
Mas aqueles que buscam um pouco mais de adrenalina do que sobreviver às catástrofes sociais, e querem sobreviver e realizar, sobreviver e trabalhar, sobreviver e amar, é importante mudar a conjugação e trazer o verbo para o presente:
- Eu falo;
- Eu faço;
- Eu vou,
- Eu amo.
E desta forma quando estiver bem velhinho, olhar para trás e contar com orgulho as histórias e aventuras que viveu, usufruindo então do pretérito perfeito:
- eu falei;
- Eu fiz;
- Eu fui;
- Eu amei e ainda amo.
@psibrunobarcellos
Ê importante termos cuidado para não acreditarmos que podemos ter o pleno conhecimento do “Eu”. Pois a cada pergunta podemos encontrar uma resposta diferente. E o desafio é manter o interesse e a curiosidade para cada um embarcar na incrível jornada de se tornar um pesquisador de si.
@psibrunobarcellos
Não alimente os outros.
Me lembro quando era criança e como me chamou atenção as pessoas não obedecerem as placas de aviso no zoológico, na expectativa de uma reação do que estava a assistir.
E confesso que me diverti vendo as pessoas aglomeradas, gritando, jogando frutas, biscoitos e o animais nem aí...
Melhor era o macaco, que algumas vezes até interagia, mas sua melhor retribuição eram as bolas de fezes que jogava nas pessoas.
O público não seguia a placa, se aglomerava, gritava e no fim recebia uma bela cagada. E percebo que está experiência me ajudou a mais a frente compreender parte da vida e a claro, a superioridade do macaco.
Podemos ocupar diversas posições ao longo da vida, mas sugiro que não seja plateia para os outros, não os alimente, não espere que te aprovem, pois quanto mais organizar sua vida para alimentar os outros, menos conquistará seu respeito e afeição.
@psibrunobarcellos
O “Eu” sob suspeita. (Oficial)
Possuímos uma grande tendência a nos julgar, e ao falarmos sobre nossas ações ou sobre o que sentimos e pensamos, acabamos por falar da nossa crítica sobre estas coisas.
Por isso é importante tentarmos ser mais observadores e menos juízes, pois acreditamos ao longo da vida saber responder com absoluta certeza quem somos nós e ao mesmo tempo percebemos que nem sempre somos o que pensamentos.
As vezes nos descobrimos como surpresa agradável, nos fazendo ser melhor do que imaginávamos, outras vezes como profunda decepção, com atitudes que escapam ao nosso controle e fazem o que quer de nós. Deixando contas, culpas e constragimentos e muitos nós pelo caminho.
Por isso é importante termos cuidado para não acreditarmos que podemos ter o pleno conhecimento do “Eu”. Pois a cada pergunta podemos encontrar uma resposta diferente. E o desafio é manter o interesse e a curiosidade para cada um embarcar na incrível jornada de se tornar um pesquisador de si.
@psibrunobarcellos