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Frases de Arutana Coberio

21 frases

CAMINHAR Caminho no meu caminho e Ando no meu caminho.
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CAMINHAR Caminho no meu caminho e Ando no meu caminho. Mas, no seu degradante e asqueroso caminhar Jamais. ⁠

⁠ CANTO DA PAZ Berlim/DDR 08/1974 E canto a fome, as dores do meu povo.
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⁠ CANTO DA PAZ Berlim/DDR 08/1974 E canto a fome, as dores do meu povo. Canto o trinar do mudo sabiá, A rouquidão de sonhos destruídos, A luz, O ser, O trabalho criador. Meu canto é imagem, futuro realidade, Presente agreste à semente do amor, Sofrer de um povo traído e humilhado, O chumbo, A crise, O ódio destruidor. Eu canto o som, da sombra da mangueira, Que o ninho vela com verde e cálido olhar, Sacia a sede de terra amargurada, A flor, A vida, O feto do amor. Eu canto a guerra, sovinas e chicanas, Canto o detrito das bombas redentoras, Buscam poder, pimpando a ferro e fogo, O vazio, A solidão, O verme em estertor. Eu canto o povo unido em uma só voz, De punho erguido, opõem-se ao miserável, Lutam uníssonos, sob uma só bandeira, O sol, A chuva, O mundo sem senhor. Eu canto a luta, vigor e a batalha, Dos dois opostos, e um há de morrer, Seus próprios vermes o devorarão, O sangue, A morte, O nutrido ardor. Eu canto o afago das asas da esperança, Canto o sorriso do fogo adormecido, De se livrar, no canto da vontade humana, Os eus, Os nós, A vida p’ro amor. Eu canto com cantos, versos e bailados, Pintando o aroma de sua silhueta, Eu canto ao longe a tinta o pincel, Eu canto o homem, Sua obra, Eu canto a paz.

⁠Berlim/DDR 11 setembro 1974 11 de setembro Eu vi,
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⁠Berlim/DDR 11 setembro 1974 11 de setembro Eu vi, Vi rio convertidos em mortos, Aço debilitado de dor, Vi a solidão no olhar distante Corpos rasgados – qual papel solto no terror da noite – Vi o sol se ocultar de todos, temendo a tudo, Vida de pedras chorar espinhos, Corações partidos em linha de metrô. Esperanças mortas no da lúgubre perfídia, A paz, justiça fugindo de tudo e todos Consciência pressionadas Chispar das chamas de letras indeléveis Um asqueroso rugido da besta enraivecida Que dos lábios descarnados víboras escorriam Vi, A história trinta anos retroceder Mi com ânsia devorados. Eu vi o milhões de sonhos com ânsia devorados. Eu vi o ódio na sanha violenta A impotência diante dos fuzis. Vi a razão sentida e humilhada, Arfar do vento trio atordoado. Vi o presente se tornar passado Vi o futuro já não poder chegar. Quão triste era. O vinho azedo com sangue derramado Mulheres em gritos: - Seria parto ou decepção? Fardas outrora cantadas e aplaudidas Saqueiam o povo, aterrorizam os e matam. As avenidas entes engalanadas Abrem-se em chagas Corpos deformados, sem nãos sem pés Brotam qual água de sangue das feridas Evaporaram-se os vivas, cantos e olés que enchiam os estádios As arquibancadas cedem lugar para fila de torturas. A morte viva quer se impor a vida viva, O tétrico e pútrido, ao festivo e são. Ar irrespirável de múmias putrefatas Impor-se ao aroma da flor da esperança. Vi, O vermelho tingir até aos altos a cordilheira A valentia de um povo consciente Não se curvar diante a prepotência. Eu vi, A dor correr.... Correr... Com seus cabelos soltos e vestes desgastadas Bradar ao mundo: “Agora vedes aonde chegam os lacaios, Pregoeiros da fé, justiça e paz? Que fazei vós O mundo experiência De muitas guerras, injustiça e opressão? Que fazei vos Donos da riqueza Poder humano e fonte de poder? O cobre derretido as entranhas de um povo queima E o ouro alheio sarcástico dobra-se em gargalhadas Watergates, Dawsons e Vietnames, Ilha das Fores, Auschwitz ao mundo oferecem. Que fazei vós? Mas... As sempre mãos amigas erguem-se em vozes. Os mortos de quarenta, das tumbas levantam-se e coros O coração do mundo arde, surgem gritos de oposição Fotos da besta de óculos e lábios contraídos E a cruz maldita, para os lados contorcida Uma vez mais mutila e doce América Latina.