Frase de Arutana Coberio
CANTO DA PAZ Berlim/DDR 08/1974 E canto a fome, as dores do meu povo. Canto o trinar do mudo sabiá, A rouquidão de sonhos destruídos, A luz, O ser, O trabalho criador. Meu canto é imagem, futuro realidade, Presente agreste à semente do amor, Sofrer de um povo traído e humilhado, O chumbo, A crise, O ódio destruidor. Eu canto o som, da sombra da mangueira, Que o ninho vela com verde e cálido olhar, Sacia a sede de terra amargurada, A flor, A vida, O feto do amor. Eu canto a guerra, sovinas e chicanas, Canto o detrito das bombas redentoras, Buscam poder, pimpando a ferro e fogo, O vazio, A solidão, O verme em estertor. Eu canto o povo unido em uma só voz, De punho erguido, opõem-se ao miserável, Lutam uníssonos, sob uma só bandeira, O sol, A chuva, O mundo sem senhor. Eu canto a luta, vigor e a batalha, Dos dois opostos, e um há de morrer, Seus próprios vermes o devorarão, O sangue, A morte, O nutrido ardor. Eu canto o afago das asas da esperança, Canto o sorriso do fogo adormecido, De se livrar, no canto da vontade humana, Os eus, Os nós, A vida p’ro amor. Eu canto com cantos, versos e bailados, Pintando o aroma de sua silhueta, Eu canto ao longe a tinta o pincel, Eu canto o homem, Sua obra, Eu canto a paz.
No pensador.ai desde