EFEITO CELESTE
O céu adentrou no mar, e lá...
Ele brincou com a ótica e a eólica.
mergulhou nas águas
tomou banho com as estrelas
e tangeu os peixes que sabiam nadar.
Ainda assim, ele não se contentou...
Com as nuvens ele fez as ondas
com os corais ele desenhou as cores
depois fez o arco-íres e as trombas,
para com lagrimas molhar as flores.
Em noite densa, ele...
Jorrou, jatos de chuva
e banhou a terra com seu verde
e quando o dia amanheceu!
Ele rascunhou o horizonte
e saiu colorindo a esperança
d'eles de você e, eu.
Antonio Montes
LAVADEIRA DO UNIVERSO
Diz p'ra mim lavadeira do universo
o que tem lavado?
_ Lavei o lençol prata da noite
a face alva da velha lua
as esferas planetárias
e as faixas da sua rua.
Lavei a... Régua do horizonte
o arco suspenso do arco-íres
as cores do amanhecer
os sonhos que floresce o ser
e a corda da fé incrível.
Lavei... A Boca da noite
os quatro cantos do mundo
dos ventos lavei o açoite...
A ampulheta do tempo,
do mar eu lavei o fundo.
Lavei a tabua da vida
o martelo do coração
os bancos do jardim celeste
o olhar da mãe querida...
As linhas da palma da mão.
As lâmpadas das almas, lavei...
Com as gotículas das dóceis lagrimas
lavei o eco do clamor
a tabua de toda paixão
juntos as falas que nos afagam.
Um dia, eu lavei o futuro
com o ladrilho da salvação
os triângulos das bermudas
os arcos meridianos
e o molde, que moldou Adão.
Lavei os cones dos ventos
o funis dos furacões...
As roscas dos pensamentos,
o silencioso dedo do sentimento
e os pregos tortos das nações.
A flores da primavera...
Lavei as pétalas de cada uma
... As filas das vãs esperas
as garras de todas as feras
e as guerras de todas picuinhas...
As nuvens suspensas no ar
com todas nuances de cor
o segredo d'aquele amar
a anseio e o viajar
da carruagem do amor.
Antonio Montes
ÁGUAS PASSADAS
Veleiro no porto, atracado...
Com todo seu pano furado,
não navega mais, o veleiro!
Pelos mares do condado.
Amarrado em seu cais...
Dorme sonho de toda vida
acorda em seus madrigais
no altar de grande partida.
Veleiro no porto atracado
um dia projetou-se no mar
velejou águas e oceanos
e sonhos p'ra não se acabar.
Supriu os mares do mundo
com seu plano e coordenadas
bombordo estibordo e pano
agora são águas passadas.
Antonio Montes
RIMA SEM FIM
Aquelas notas soltas
voando no amontoado falso
flutuam pelo mundo rasgado
pelos passos do grande brado
colorindo o nosso fim...
Notas fugida dos bolsos
levadas pelo arrogante esquema
se perdem por outros temas
marcando a falência daqui...
Fortificando o nossos faquir.
Aquela nota solta
pelo sereno d'aquele jardim
passo a passo marca o tango
de um tinido sustenido
em um timbre tom de querubim.
Vão gingando pelo espaço
da eternidade d'um salon...
em fandangos de vida breve
vão leve no pirim-pim-pim
no tic-tac, tic-tac... Tic-tac coração.
Passa breve pelos entregues
o restegui d'uma nota assim...
Marcam espaço no universo
pela pauta da musica e o confesso
nos versos da rima sem fim.
Antonio Montes
BOCA DO TEMPO
No pesadelo do meu sonho
eu vi a boca do tempo, mastigando
os anos. A idade oscilava para o futuro
sendo engolida pelos tragos da vida.
Eu vi... A pele, os lábios sendo, sendo
rascunhados pelas rugas dos anos.
Enquanto alegria e as e os passos...
Viajavam, dia, mês décadas, sobre
boca do tempo... As janelas da juventude
iam se fechando, uma a uma!
Até sobrar apenas as telhas, amareladas
das lembranças.
Sobre a boca do tempo... As pernas se
cansavam e tremiam entortando os
passos, e as lagrimas se perdiam sob
o chão. As válvulas gastas, ruíam
ritmando a retinia do velho coração.
Antonio Montes
ANCESTRAIS
Aquela casa na estrada
por onde a boiada passou
n'um dia contava as jardas
n'outro saudade do amor.
Já serviu caneca fria
com água lá da cacimba
na agonia de um dia
passo da vida atrevida.
Aquela casa na estrada
nas margens d'aquele lugar
contava historia sem farda
d'uma fada p'ra casar.
Contava corda, amarelinho
em tempo distante atrás
pesponto estrelas pontinho
na historias dos ancestrais.
Antonio Montes
ESCORREGO
N'aquele mar de lama
aquela fama... Escorreguei cai,
Cai que nem vi!
perdi o pedestal, oh mundo real!
oh mundo mal!
Tão mal, não saber por onde ir.
Aquele sono bom, aquela cama...
Feriu meus sonhos,
barrotou os meus batons...
Tanta gana assim, explana
se envolve n'essa lama
e o mundo começa a ruir.
Antonio Montes
METAMORFOSEIA
Eu vou, metamorfoseia...
Como o tempo velho da seca
renovando como vida da chuva
ou... O luar com lua nova,
semente nascendo em flor
noite para próxima aurora...
ou... O nascer do novo amor.
Eu vou metamorfoseia...
Tal como, céu com suas nuvens
ou... O espaço e suas estrelas,
esperança com Deus me ajude
reinado com a realeza...
Morte e vida e seus costumes.
Antonio Montes
DOIM-DOIM
Amor a-mim
sonhar a-ti
amar assim,
sem fim, marfim
doim, doim
em fim...
Firim, fim-fim.
Por ai, saudade
por aqui, pardal
pedal e cidade...
Frutos do oiti,
o mundo é uma verdade
que precisa descobrir.
Antonio Montes
SABOR SEGREGADO
Vamos meu amor, vamos...
Vamos adentrar, noite há dentro
suspirar sob nossos desejos e atiçar
centelhas, incendiando assim as
chamas do nosso pudor.
Enquanto a lua, congela o seu olhar
prata, apos o crepúsculo de uma
tarde faceira, e os rumos do
horizonte sem prumo, desapruma
com nosso fulgor... Depositaremos
os nossos desejos sobre a brisa boreal...
E divagaremos sob as cores grená do
nosso tempo breve.
Vamos amor... Essa noite, elevaremos
o nosso amar aos caminhos, do pó
estrelar e de lá... desceremos pelo
arco do arco-íres inebriado de cores
ai então adormeceremos sobre o sabor
segregado da nossa volúpia.
Antonio Montes
PÉTALAS SEPARADAS
Foi assim... Pétalas a pétalas...
Pétalas sobre pétalas, uma a uma
sobre pedra, sobre chão, sob ventos
plainando medos, ventos plainando
paixão... N'outros dias, a flor estava
manquitola e as pétalas seguiram caindo
pelas tardes, amanhecer, pelo frio da
noite e pelo labor do dia e clima tenso...
Caindo, caindo, até não restar mais flor...
A qual agora jaz... Despedaçadas sobre
o chão, e calçadas... Estava lá a flor,
toda em pétalas separadas, como se
fosse uma nação, em mãos barrocadas
de terror, danificadas por planos e
questões erradas.
Antonio Montes
DANÇARINA DANÇANTE
Porque dança dançarina...
Com seus passos tantos! Todo santo
dia! Parece ródia na qual você rodopia
esboçando sua alegria.
Dançarina... Já que dança aquebrantada
essa dança variada... A dançarina me
ensina? Me ensina a dançar assim com
essa emoção... Com essa poesia cheia,
de cores e de tom.
Essa rima, esse encanto... Me ensina
a dançar esse amor essa dedicação...
Me ensina a dançar essa dança que
você dança, desfilando essa canção...
Me ensina a dançar essa paixão, que
você carrega nesse seu pobre coração.
Me ensina a dançar dançarina!
as coisas do mundo
os trilhos da minha sina.
Antonio Montes
ODIADO DO QUERER
Eu não queria te esquecer,
Mas deveria ter lembrado
que sem você...
Não existe eie, ie,
e o meu sofrer...
Seria assim odiado
como o ódio
de um pobre coitado.
ABRINDO GAVETAS
Revirando a gaveta do passado
hoje, eu me deparei com seus escritos...
Bilhetes, cartas e aquele gosto, fraseado.
Em todos eles, você estava lá!
Você estava lá, sob escrito, em todas
palavras que você me escreveu.
Estava lá, na beleza ortográfica!
Na sensibilidade do sotaque...
Era você, era você n'aquelas paginas.
Bastou eu olhar para recordar,
bastou eu vê e sentir você, eu até ouvi
o seu sorriso me cadeando...
Bastou eu vê e ver você com seu carinho,
na fala, no cheiro...
Na visão que a minha recordação exala.
Bastou eu vê, e ver você com seu jeitinho
... Na micagem, na saudade
n'aquele gargalhar gostoso...
Aquele amar de verdade!
Você estava ali n'aqueles escritos
rascunhando as paginas da minha saudade.
Antonio Montes
ECO DE AMOR
Por detrás dessas cortinas majestosas,
eu vejo o escuro da solidão assolando
as lacunas da minha lembranças...
Também, ouço o som de uma vitrola grená
desvencilhando uma musica, que me
arrasta ao amar d'um passado que o tempo
e o seu encantado encanto... Cortinou em
seu canto e encantou o meu pranto, sob as
cores do meus velhos cabelos brancos.
Entre um tranco de sentimento e outro...
Eu solto um grito fosco ofuscando o
momento breve, Meu bem, meu bem...
Meu bem! Ninguém ouve o meu S.O.S de
intensos timbres, internos... Nem mesmo
os meus ouvidos são capazes de discernir
o rumo do eco aclamado do meu coração.
Meu bem! Meu bem! Hoje... São esses os
meus gritos mudos que mostram-me, no
mundo o quando eu fui rude com a
minha paixão. Meu bem! Meu bem!!!
Em vez d'eu ouvir, ou ver o meu chamado,
tudo que vejo, são lagrimas do meus
olhos e tudo que ouço são os tics-tacs
do meu... Calado coração.
Antonio Montes
IMPORTÂNCIA
A primeira vez que me deixaram...
Me perdi no sono, acordei sob choro
de um pesadelo incontentável e a
noite, sob minha solidão... Vaguei
pelos passos pesados das passadas
da lua. Atirei minhas lagrimas
na calçada da rua, até então, crua.
A segunda vez... Chorei, chorei
... Chorei como alma desvalida
encharquei meus olhos com aquela
neblina árdua e atrevida.
As outras vezes que me deixaram...
Não sei, não sei, não sei como fiquei!
Já não chorei para os olhos, apenas,
esfreguei minhas pálpebras, e
enxuguei minha pupilas feridas...
Hoje eu entendo, que em todas as
vezes, eu dei mais importância mesmo
para minha incansável vida.
Antonio Montes
NOTA DE UM FONEMA
Era noite...
E o fonema de uma sanfona
toda em tema...
Fazia se ouvir pelos pensamentos,
cabelos marias-chiquinhas e diademas.
Enquanto a musica bradava
tomando espaço do salão...
A velha vitrola com sua pilha cansada,
atontava o dono d'aquela canção.
Entre uma nota e outra, timbres,
suspiros, passos e contrapassos...
Saias rodadas rodavam, rodavam
arfando seus desejos na marcação.
Enquanto isso... Olhos siricutiavam
a desenvolturas dos ventos, junto
aos buchichos e o fulgor dos desejos
e os tics-tacs sonhado do coração.
Antonio Montes
FIO DA FACA
De moto na estrada
na chuva sem capa
molha o coro, a camisa
... Molha a calça...
Molha a vida atrevida
com a vida que empaca
o doce da doce vida
no fio da velha faca.
Molha o calor smilinguido
e o pasto d'aquela vaca
o esquema de bandido
e os grãos seco da safra.
Os, aperreios do calor
molha com suavidade
o adeus do grande amor
e os ventos da saudade.
Antonio Montes
A RETA E O GATO
Seu gato... Cadê a reta, cadê a reta
que você cerca, para que não
possam passar?!
Que flecha é essa, de qual arco ou
retrato... Que atiram e acerta...
Na asa d'essa caneca,
na roda que breca...
Ou na proa da canoa
que aborda na velha borda abobada
na hora incerta do velho mar...
Seu gato... Gatuno noturno
infortúnio! O que tem feito ao
velho mundo, por qual você acha,
que só você pode andar!
Não vê, que a vida assim sem mim...
Só você navegando por ai, por aqui,
não terá meio inicio,
muito menos... Meio fim.
Antonio Montes
BORDADO DO BEIJO
O beijo é uma bela poesia...
Que duas bocas constroem
com rima, libido frenesia
na anciã que nunca dói.
Estrofes que galgam liberdade
para o lampejo do desejo voar
enchendo corpos de felicidade
e sentimento de calhííente amar.
O beijo dedilha, fulgor da chama
e de um, sustenido chamego
em dois corações que se ama
trocadilhos de íntimos desejos.
O beijo molhado na boca
afoga a tímida timidez
borda no corpo notas locas
enterrando a sensatez.
Antonio Montes
FLASH DE LUZ
No dia em que você deixar de viver,
... A felicidade estará emoldurada
e pendula, enquadrada no tempo...
N'uma sala de uma vida qualquer.
A felicidade, será um quadro na parede
onde você só conseguirá adentrar ao
presente, através dos sonhos passados,
os quais só andará sob as cores de uma
pintura colorida, feitas pelas mãos
hábil de um pintor morto.
Através das suas recordações você
andará pelas areias cheias de grãos,
enredada pelas, águas, arvores,
cachoeiras e campos verdejantes.
Ali, na pintura da sua sala estará a
saudade...Tomando o espaço amplo
do quadro, sucumbindo o sorrir da vida
e presenteando-te com as lagrimas das
lembranças coloridas.
A mente prega peça na gente... Quando
tudo que temos e a colocação de um
passado anterior! E as nuances das cores
mortas, sob lembrança de uma vida, em
um, velho e cupimzado, paspatur, de uma
tela. O existir, esta ao escuro de um
passado rascunhando, como se fosse
um dardo, projetado sobre o futuro
flash de luz.
Antonio Montes
ESPERA DO PERDÃO
Estou aqui, me desmanchando
em lagrimas diante de ti.
Não espero piedade dos seus olhos
... Compreensão, quem sabe?!
Uma lagrima de coerência do seu coração.
Eu errei, sim, sim! Eu sei... Mas agora,
soltei dinamite no meu orgulho
para tentar viver outra vez...
Não espero perdão assim
mas tudo que quero
e que você de uma chance para mim.
Noites em branco,
momentos enterrado no silencio
solidão... Ah solidão!
Quantas lagrimas despedaçada por ti!
Em fim, acho que paguei pelo meu erro
... Quero viver, tudo que espero
o perdão vindo de você... O sorriso...
Sorrir amar, amor é tudo que venero.
Antonio Montes
SEMÂNTICA
Vivemos a tons de musica cáustica
corroendo o silencio de uma hera
desprovida de requintes e técnicas,
adversa a ética dos gêneros
da fonética universal e humana.
Estamos em uma época de...
Timbres tímidos de ouvidos
corroídos, queimados pelos tinidos...
E assolados pela ignorância mundana.
Com as falências das semânticas...
Nem é bom estar contigo, não te
ouço não me ouve ninguém escuta!
Somos surpreendidos o tempo todo
pelos importunos e mordaz estilo
musical do ultimo milênio.
... Batuque de encruzilhadas,
aparelhados por rebolados antiético
e palavras de histerias...
Agressivas, obscenas e imorais.
Antonio Montes
DE NINGUÉM
País de quem... Meu? Seu?
Das pragas dos pagas que paga
até as palavras ficarem gagas!
Dos planos que lavra os anos
... Panos quentes desenganos...
País sem fundo
enfunando nos sonhos
chafurdando o mundo.
País em caos do abandono,
aonde tudo se paga e nada!
Nada é meu, nada é seu.
Esse país é de quem?!
De donos que não são donos...
Meu bem, meu bem!
Esse país... Não é de ninguém.
Antonio Montes