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Frases de Antonio Costta

865 frases

RIO MORTO (Parodiando Manuel Bandeira) Onde as águas puras do passado
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RIO MORTO (Parodiando Manuel Bandeira) Onde as águas puras do passado Produziam vida em abundância Contemplo agora a realidade Do presente, degradado, poluído, Onde escorre, na areia, o rio morto. Rio morto, rio morto, rio morto. Águas de paisagem cristalina Que abasteciam os ribeirinhos! Águas, potáveis águas, Para bebermos jamais. Se perderam com o rio morto. Rio morto, rio morto, rio morto. Rio morto, rio injustiçado Rio violentamente, rio Morto, sem motivo algum, Razão nenhuma. O que foi Ficou no passado. Agora é apenas um rio morto Rio morto, rio morto, rio morto.

NA GAIOLA DA SAUDADE Minha terra tem gaiola Onde canta o sabiá
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NA GAIOLA DA SAUDADE Minha terra tem gaiola Onde canta o sabiá Com saudade das palmeiras, Das belezas do lugar. Minha terra tem gaiola Onde canta o concriz, Relembrando que outrora, Na mata era feliz!... Minha terra tem gaiola Onde canta o curió, Quando nada lhe consola, Se sentindo muito só! Minha terra tem gaiola Onde canta a patativa, Pra lembrar de vez em quando Que ainda ela está viva! Minha terra tem gaiola Onde canta o canário, Melodiando a sua dor No canto extraordinário! Minha terra tem gaiola Onde canta o azulão; Certamente quando assola Em seu peito a solidão! Eu também canto cedinho Quando acordo na cidade; Me sentindo um passarinho Na gaiola da saudade!

VOZ DAS ÁGUAS Voz das águas! Voz das águas! Quem é que escuta as tuas mágoas?
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VOZ DAS ÁGUAS Voz das águas! Voz das águas! Quem é que escuta as tuas mágoas? Quem escuta o teu clamor Clamando por mais amor?... Clamando por mais limpeza, Mais respeito à natureza. Voz das águas! Voz das águas! Quem é que escuta as tuas mágoas? Quem é que escuta o teu grito, O teu canto mais aflito, Ecoando pelo Norte... Relutando contra a morte... Quem é que escuta as tuas mágoas? Voz das águas! Voz das águas!...

O HOMEM E O PÁSSARO NA MESMA GAIOLA Coitado do homem da grande cidade, Trancado em casa por trás do portão,
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O HOMEM E O PÁSSARO NA MESMA GAIOLA Coitado do homem da grande cidade, Trancado em casa por trás do portão, Qual passarinho sem ter liberdade, Quase vivendo em igual condição! Os dois na prisão, cantando saudade, Pássaro e homem no mesmo refrão; Um por causa da humana crueldade, O outro com medo do astuto ladrão! Coitado do homem, nem se dá por conta Que a liberdade ele mesmo afronta, Mantendo o pássaro em uma prisão. Ele, na verdade, é que está mais preso Do que o passarinho — pobre indefeso! — Prisioneiro sem saber a razão.

A poesia me assalta A poesia me assalta a poesia me pune
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A poesia me assalta A poesia me assalta a poesia me pune a poesia me prende a poesia me consome... Mas sinto dentro de mim uma coisa estranha, uma certeza, uma alegria, de que a poesia não me diminui quando ela flui. Ah, quando ela flui! Quando ela flui, quando ela flui... Sinto que acontece algo de profundo; sinto-me o poeta mais feliz do mundo! Desta vida pouca coisa eu sei, mas uma coisa é certa: A poesia liberta o coração do poeta.