RIO MORTO
(Parodiando Manuel Bandeira)
Onde as águas puras do passado
Produziam vida em abundância
Contemplo agora a realidade
Do presente, degradado, poluído,
Onde escorre, na areia, o rio morto.
Rio morto, rio morto, rio morto.
Águas de paisagem cristalina
Que abasteciam os ribeirinhos!
Águas, potáveis águas,
Para bebermos jamais.
Se perderam com o rio morto.
Rio morto, rio morto, rio morto.
Rio morto, rio injustiçado
Rio violentamente, rio
Morto, sem motivo algum,
Razão nenhuma. O que foi
Ficou no passado.
Agora é apenas um rio morto
Rio morto, rio morto, rio morto.
NA GAIOLA DA SAUDADE
Minha terra tem gaiola
Onde canta o sabiá
Com saudade das palmeiras,
Das belezas do lugar.
Minha terra tem gaiola
Onde canta o concriz,
Relembrando que outrora,
Na mata era feliz!...
Minha terra tem gaiola
Onde canta o curió,
Quando nada lhe consola,
Se sentindo muito só!
Minha terra tem gaiola
Onde canta a patativa,
Pra lembrar de vez em quando
Que ainda ela está viva!
Minha terra tem gaiola
Onde canta o canário,
Melodiando a sua dor
No canto extraordinário!
Minha terra tem gaiola
Onde canta o azulão;
Certamente quando assola
Em seu peito a solidão!
Eu também canto cedinho
Quando acordo na cidade;
Me sentindo um passarinho
Na gaiola da saudade!
VOZ DAS ÁGUAS
Voz das águas! Voz das águas!
Quem é que escuta as tuas mágoas?
Quem escuta o teu clamor
Clamando por mais amor?...
Clamando por mais limpeza,
Mais respeito à natureza.
Voz das águas! Voz das águas!
Quem é que escuta as tuas mágoas?
Quem é que escuta o teu grito,
O teu canto mais aflito,
Ecoando pelo Norte...
Relutando contra a morte...
Quem é que escuta as tuas mágoas?
Voz das águas! Voz das águas!...
O HOMEM E O PÁSSARO NA MESMA GAIOLA
Coitado do homem da grande cidade,
Trancado em casa por trás do portão,
Qual passarinho sem ter liberdade,
Quase vivendo em igual condição!
Os dois na prisão, cantando saudade,
Pássaro e homem no mesmo refrão;
Um por causa da humana crueldade,
O outro com medo do astuto ladrão!
Coitado do homem, nem se dá por conta
Que a liberdade ele mesmo afronta,
Mantendo o pássaro em uma prisão.
Ele, na verdade, é que está mais preso
Do que o passarinho — pobre indefeso! —
Prisioneiro sem saber a razão.
Não perca nunca seu brio
mas assuma o desafio
de viver com mais pureza;
que seja do seu feitio
tratar bem, com mais nobreza,
a floresta, o mar, o rio...
Toda nossa natureza!
O sentimento poético me faz
enxergar o mundo de forma diferente,
sentir a vida de forma diferente,
enxergando grandeza nas coisas
[aparentemente] pequenas
que pouca gente valoriza. Infelizmente.
Seja mais grato e gentil,
não seja como um imbecil
Se portando como um bicho!
Mas trate com mais capricho
mais higiene o que é seu,
a terra que Deus lhe deu,
Jogando LIXO NO LIXO!
Seja limpo e não imundo,
não seja irresponsável,
mas busque a cada segundo
um mundo mais agradável;
Com muita água potável,
com rios bem preservados,
sem mares contaminados.
A poesia me assalta
A poesia me assalta
a poesia me pune
a poesia me prende
a poesia me consome...
Mas sinto dentro de mim
uma coisa estranha,
uma certeza, uma alegria,
de que a poesia
não me diminui
quando ela flui.
Ah, quando ela flui!
Quando ela flui,
quando ela flui...
Sinto que acontece
algo de profundo;
sinto-me o poeta
mais feliz do mundo!
Desta vida
pouca coisa eu sei,
mas uma coisa é certa:
A poesia liberta
o coração do poeta.
Não seja um homem tão frio
que com imundície atua,
não cometa o desvario,
num gesto pobre, sombrio,
de jogar lixo na rua,
de jogar lixo no rio,
poluindo a terra sua!
Olhai a bom tempo
que o tempo ele voa,
não perca seu tempo
com qualquer pessoa,
priorize seu tempo
não vivendo à toa,
quem prioriza o tempo
a sua vida coroa.
A maturidade nos faz entender
que o radicalismo é uma forma
prepotente de enxergar o mundo,
que somos seres humanos imperfeitos
e que, por isto, nem sempre
estamos de posse da razão.
A moderação é prova de sabedoria,
a sabedoria não menospreza a humildade,
a humildade não alimenta o radicalismo,
o radicalismo é a essência da ignorância
e a ignorância só leva à insensatez humana.