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Frases de Antonio Costta

865 frases

DESABAFO DE UM POETA Que não me venham colocar nome de praça, Que não me venham colocar nome de rua;
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DESABAFO DE UM POETA Que não me venham colocar nome de praça, Que não me venham colocar nome de rua; Por que somente quando morre é que tem graça? É que reconhecem o poeta em terra sua?... A realidade que é sentida ela é tão crua, Um desprezo cotidiano que não passa; Mas depois que o poeta morre se atenua, Ganha logo um busto de bronze na argamassa! Não merecia ele sentir essa emoção Aquele que amou e que cantou o seu torrão, Propagando toda a grandeza que ele encerra?... Não deveria ser, em vida, valorizado? Infelizmente quando morre é que é lembrado, Que o poeta é reconhecido na sua terra!

AVANTE, POETA! Jamais espere ser reconhecido Um dia, poeta, em terra sua;
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AVANTE, POETA! Jamais espere ser reconhecido Um dia, poeta, em terra sua; É mais fácil ser no céu e na lua Que na planície onde haveis nascido! Avante, poeta, ao desconhecido! O mundo é grande pra que se construa U'a vida honrada na qual se pontua Valor literário, bem conhecido. Levante a cabeça e olhe pra frente! O mundo é tão vasto e tem tanta gente Pra que se conquiste com paz e amor... Prossiga sereno, sem olhar para trás, Buscai novos sonhos que teus ideais Serão confirmados por Noss’ Senhor!

O QUE PRECISA O BRASIL PRA TER REPEITO? Que precisa o Brasil pra ter respeito, Somente dos estádios “Padrão Fifa”?
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O QUE PRECISA O BRASIL PRA TER REPEITO? Que precisa o Brasil pra ter respeito, Somente dos estádios “Padrão Fifa”? Enquanto, em hospitais, o povo fica Jogados pelo chão sem ter um leito?... Que precisa o Brasil pra ter respeito, Somente sediar uma olimpíada? Mostrando para o mundo, pela mídia, Que somos competentes e direitos?... Enquanto a violência se avoluma pelas ruas das cidades – uma a uma – O que precisa o Brasil para ter jeito?... Garantir pra cada pobre o pão, a ceia, Colocar os corruptos na cadeia E o eleitor não se vender em nenhum pleito.

SE AS PEDRAS FOSSEM FLORES Mas já pensou se as pedras fossem flores? Que alegria seria ser apedrejado!
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SE AS PEDRAS FOSSEM FLORES Mas já pensou se as pedras fossem flores? Que alegria seria ser apedrejado! Chamaríamos, por certo, de amores Todos que pedras têm nos atirado! Mas já pensou se as pedras fossem flores? Como o caminho seria perfumado! Lindo jardim, repleto de primores, Com flores surgindo por todo lado!... Que pena que as pedras flores não são! E piores são as da ingratidão Quando acertam, pelas costas, nosso ser!... Ficamos, de tal forma, estarrecidos Que tardamos nos dar por convencidos E a ninguém desejamos convencer!...

A INGRATIDÃO DA HUMANIDADE A ingratidão, meu Deus, esta pantera Que habita o coração da humanidade,
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A INGRATIDÃO DA HUMANIDADE A ingratidão, meu Deus, esta pantera Que habita o coração da humanidade, Ignorando o amor e tua bondade, Chamando-te até mesmo de quimera! A ingratidão, meu Deus, no mundo impera. Fazer o bem parece iniquidade! O agradecimento é leviandade, Sempre da parte de quem não se espera!... É contumaz, meu Deus, homens ingratos, Comer teu pão, depois cuspir nos pratos, Ignorando o amor com que fizeste!... E se lhes pede comida, um faminto, Ignoram o pobre no recinto, Negando repartir do que lhes deste!...

A FALSIDADE DESTE MUNDO Neste mundo é tamanha a falsidade Que a verdade, de repente, ocultou-se;
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A FALSIDADE DESTE MUNDO Neste mundo é tamanha a falsidade Que a verdade, de repente, ocultou-se; A mentira transformou-se em verdade E a verdade, em mentira, transformou-se! Porventura alguém sabe onde a verdade Neste mundo hodierno extraviou-se? Em que parte do planeta a bondade Inda não, em maldade, adulterou-se? Oh Senhor, nos livrai da falsidade! Que opera neste mundo de maldade, Da forma mais arguta e traiçoeira... Pois no mundo a maldade não se espira: A verdade transformou-se em mentira E a mentira — em verdade verdadeira!

HIPOCRISIA Há muita hipocrisia e tão pouco amor No mundo em que vivemos. É a verdade.
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HIPOCRISIA Há muita hipocrisia e tão pouco amor No mundo em que vivemos. É a verdade. Onde se prega o bem — vemos maldade; Onde se prega a paz — vemos terror! Há muito egocentrismo e não penhor Pra dispensar, ao próximo, a bondade; Cada qual busca a própria f’licidade, Ignorando quem chora a sua dor!... Na vida o que é que vemos aqui, ali? — Deus por todos e cada qual por si! Quem se importa com o irmão que sofre à esmo?... A dor que dói será só a dor da gente? Devemos crer em Cristo, inteiramente! — Amar ao próximo como a nós mesmo.

QUEM DEVASTA A NATUREZA Não precisa pesquisar Nos livros da realeza
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QUEM DEVASTA A NATUREZA Não precisa pesquisar Nos livros da realeza Ou na NASA, com firmeza, Para poder comprovar Que quem age sem nobreza, Destruindo a natureza, Devasta mesmo é seu lar! Quem devasta a natureza É um ser inconsequente, Pois condena o seu futuro, Aniquila o seu presente. Pensando agir co’ esperteza Mas o fim de sua vileza É catástrofe iminente! Quem devasta a natureza Não trata bem a sua casa, Seu futuro é de incerteza, O seu presente ele arrasa, Pois quem destrói o seu ninho Termina qual passarinho Querendo voar sem asa!

ÁRVORE QUEIMADA Que triste a árvore queimada, Sem nenhum mal cometido!
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ÁRVORE QUEIMADA Que triste a árvore queimada, Sem nenhum mal cometido! Na lateral duma estrada... Talvez por ter existido. Planta que o homem condena Sem fundamento ou razão, Corta do mundo sem pena, Em prol de sua ambição! Deixando, em meio à fumaça, Deixando apenas carvão, O seu tronco: uma carcaça Carbonizada no chão. Seus frutos não têm quem faça Alguém pegar com a mão; São brasas no meio da praça, São cinza na imensidão. Quem dera seus atributos!... Quanta sombra nos seus galhos! Outrora cheia de frutos Molhados pelo orvalho. Árvore cheia de flores, De ninhos de passarinhos; Agora somente horrores, Espantalho do caminho!

QUEM ESCUTA A VOZ DO RIO? Quem escuta a voz do rio, Quem escuta a sua voz?
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QUEM ESCUTA A VOZ DO RIO? Quem escuta a voz do rio, Quem escuta a sua voz? Do rio que está clamando Por socorro a todos nós! Quem escuta a voz do rio E dele se compadece? Pois o rio está clamando por socorro, pois perece! Quem escuta a voz cansada Das águas tão poluídas? Quem escuta a voz do rio Lutando para ter vida?... Quem escuta a voz do rio Nos clamando, em desespero, Consumido pelas dragas, A ganância do areeiro?... Quem escuta a voz das águas? Quem escuta a voz do leito? Pois quem deixa a voz do rio Adentrar para o seu peito?... Atentai pro seu clamor, Criança, jovem, adulto; Não deixem o rio morrer, A terra ficar de luto!

AQUELE RIO Aquele rio de outrora Que passava no Pilar,
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AQUELE RIO Aquele rio de outrora Que passava no Pilar, Aquele rio caudaloso, Que prosperava o lugar, Trazendo vida, renovo, Pro ribeirinho, pro povo... Aquele rio... onde está? Onde está aquele rio De meu tempo de menino, Diferente desse fio, Neste solo nordestino, De água pouca, a circular?... Com máquinas no seu leito, Arrancando de seu peito Areias para exportar! Oh, Paraíba do Norte! Quem decretou tua morte Neste solo brasileiro? Rio preso, encarcerado, Dia e noite saqueado Por ganância de dinheiro. Quando serás libertado Do poder dos areeiros?!... Ribeirinhos, defendei, Trazei de volta ao Pilar, Aquele rio de outrora Que prosperava o lugar! Aquele rio vigoroso, Que seguia, majestoso, Livremente para o mar!

O DONO DO RIO O Dono do Rio expulsou todo gado,
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O DONO DO RIO O Dono do Rio expulsou todo gado, as lavadeiras de roupas, os plantadores de batatas, os jogadores de bola e dominou todo rio. Prendeu suas águas, deixou só um fio. O Dono do Rio montou um areeiro para vender areia por muito dinheiro. É caçamba saindo, é caçamba chegando, e o Dono do Rio muito mais enricando! O dono do Rio construiu mansão, comprou fazendas, comprou muito gado, mas o rio — coitado! Só foi afundando, a cada dia sumindo, a cada dia minguando! O Dono do Rio com seus dragões mecânicos, com sua ganância infinda, quando menos esperar ele vai descobrir que a areia acabou, que tudo findou, que a natureza vingou. O Dono do Rio um dia verá que nada é para sempre, que não é dono de nada! Que a justiça da terra pode até ser comprada, mas a justiça divina ela vem e não falha!

CANÁRIO DA TERRA De repente, no quintal, uma novidade: Pousa um pássaro que tanta beleza encerra!
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CANÁRIO DA TERRA De repente, no quintal, uma novidade: Pousa um pássaro que tanta beleza encerra! Um canário da terra, mas, que em nossa terra, Já se encontra em extinção — é a realidade! Pois a ganância, misturada co’a maldade, Fez do homem um caçador que a vida emperra, Pois com gaiolas, alçapões, fez uma guerra Capturando o cântico da liberdade!... Oh, passarinho que me faz uma surpresa! Parecendo um solitário na natureza, D’onde vens? de que árvore ou de que morro?... Há um silêncio no teu bico, um desencanto... Por que não cantas para mim teu belo canto, Passarinho que parece pedir socorro?!

TINHA UM RIO NO MEIO DO VALE (Parodiando Carlos Drummond de Andrade) Tinha um rio no meio do vale
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TINHA UM RIO NO MEIO DO VALE (Parodiando Carlos Drummond de Andrade) Tinha um rio no meio do vale No meio do vale tinha um rio Tinha um rio no meio do vale No meio do vale tinha um rio Tinha um rio... Nunca me esquecerei desse acontecimento Nas cenas de minha infância passada Que no meio do vale tinha um rio Que tinha um rio no meio do vale Tinha um rio... Um rio de águas cristalinas Um rio cheio de peixes... Um rio que poluíram... Um rio que assassinaram... Tinha um rio no meio do vale Que nunca me esquecerei.

ESSE RIO QUE EXISTE AGORA Esse rio que existe agora tão diferente na lida,
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ESSE RIO QUE EXISTE AGORA Esse rio que existe agora tão diferente na lida, será o mesmo d'outrora, da nossa infância querida? Esse rio que existe agora d'água suja, poluída, será o mesmo d'outrora ou é outro rio sem vida? Esse rio que existe agora sem ter mais força no ventre, será o mesmo d'outrora ou corre morto somente? Esse rio que existe agora, sem árvores em suas margens, será o mesmo d'outrora ou será uma miragem? Esse rio que era tão limpo, d'água pura, cristalina, não sacia mais a sede desta terra nordestina! Esse rio que era tão cheio de tilápia e de pial, por que está assim deserto? Nos responda o homem mal!...

O HOMEM NÃO É UM BICHO (?) O homem não é um bicho, mas se torna um bicho-homem;
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O HOMEM NÃO É UM BICHO (?) O homem não é um bicho, mas se torna um bicho-homem; quando ele polui o rio das águas que ele consome! O homem não é um bicho, mas perde todo renome, quando ele polui as águas dos peixes que a gente come! O homem não é um bicho, mas esse nome faz jus; quando ele joga no rio o lixo que ele produz! O homem não é um bicho, mas se torna um bicho-homem; quando agride a natureza, não tem outro cognome!

AQUELE QUE CORTA UMA ÁRVORE Aquele que corta uma árvore corta, sim, uma esperança
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AQUELE QUE CORTA UMA ÁRVORE Aquele que corta uma árvore corta, sim, uma esperança de ter um mundo de paz, de mais amor e bonança. Aquele que corta uma árvore, por maldade ou por ganância, o troco receberá pela sua ignorância. Pois uma árvore, quem corta, deixa escancarada a porta pra cobrança da natureza!... Tijolo, concreto, mármore, não substitui uma árvore, por mais conforto e beleza!

QUANTO VALE A VIDA DUM RIO? Oh, meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! Assisto aqui num programa
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QUANTO VALE A VIDA DUM RIO? Oh, meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! Assisto aqui num programa Que o Rio Doce declama A sua dor, o seu drama... Sua morte num mar de lama! E antes que o rio se cale, Pra sempre, no meio do vale, Pra sempre, por causa da Vale, Pergunto ao mundo inteiro: Quanto vale um mar de lama? Quanto vale a ganância humana Neste solo brasileiro?... E aqui pergunto de novo: Quanto vale a vida dum rio? Quanto vale a vida dum povo? Responda-me quanto é que vale, Oh Vale! Oh Vale! Oh Vale! Oh Vale?!...

CACIMBA D’ÁGUA DOCE Oh cacimba d’água doce! Quem foi que te conheceu?
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CACIMBA D’ÁGUA DOCE Oh cacimba d’água doce! Quem foi que te conheceu? Quem teve esse privilégio? Quem de tua água bebeu? Oh cacimba d’água doce! D’água pura, cristalina, Tu eras, com mor certeza, Uma dádiva nordestina. Oh cacimba d’água doce! Sem sapo, rã ou caçote, Carregada na cabeça, Numa lata ou num pote. Oh, cacimba d’água doce! Quero beber de tua água, Numa caneca cheiinha Quero afogar minha mágoa. Oh cacimba d’água doce! Vem saciar minh’ vontade, Quero sentir teu sabor, Matar a minha saudade! Oh cacimba d’água doce, Da melhor água bebida! Vem saciar esta sede De minha infância querida.