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Frases de André Villas-Bôas

127 frases

⁠... Ao longo da vida criamos mecanismos de autodefesa. Meu lado feminino, por exemplo, foi a forma que encontrei para conservar minha Mãe bem próxima. E através desta simbiose entre o dom e a dádiva, posso transformar minhas quedas em passos de dança, meus medos em escadas, meu…
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⁠... Ao longo da vida criamos mecanismos de autodefesa. Meu lado feminino, por exemplo, foi a forma que encontrei para conservar minha Mãe bem próxima. E através desta simbiose entre o dom e a dádiva, posso transformar minhas quedas em passos de dança, meus medos em escadas, meus sonhos em pontes e todas as minhas procuras em encontros. “Filho, bons sonhos”. Ouvi esta frase incontáveis vezes, e nunca me atentei para o seu real significado. Enquanto eu dormia e sonhava, ela se mantinha vigilante e nada podia embargar o que me fazia fluir. Este campo de força camuflou minha vulnerabilidade, e invulnerável deixei minhas digitais em todos os grandes marcos da minha história. Nada que eu fazia passava desapercebido. Sermões de correção, palavras de absolvição, beijos e abraços de comunhão. Caí do ninho, bati minhas próprias asas e nunca cheguei ao chão. Na minha eloquência, percebo que jamais serei livre do que me liberta de ser escravo de uma vida sem você. Por isso cuido do meu lado mulher, assim tenho minha Mãe sempre aqui comigo. Ser Mãe é um dom. Ser filho é uma dádiva. Você, privilégio. Eu, privilegiado.

⁠... Vocês conseguem imaginar o poder de uma contemplação profunda? Quando esvaziamos a mente de todas as suas distrações, atenuamos o fluxo mental, regulamos o relógio biológico e reencontramos o prumo. Quando o remanso está presente no contraste de selvas - virgens ou não - o…
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⁠... Vocês conseguem imaginar o poder de uma contemplação profunda? Quando esvaziamos a mente de todas as suas distrações, atenuamos o fluxo mental, regulamos o relógio biológico e reencontramos o prumo. Quando o remanso está presente no contraste de selvas - virgens ou não - o medo esvazia e o âmago flerta com a paz interior. Este é o ensejo que precisamos para compor o adubo que fertiliza a semente da criatividade. O intelecto que difere o bicho homem dos demais bichos é o que nos permite debruçar sobre o sofrimento ao caminhar na direção oposta. Miseravelmente, a honraria da racionalidade nos faz esquecer que também somos bichos a cargo de emoções, intuições e espasmos de impulsividade. Que somos apenas um entre tantos fios com os quais Deus tece a sua infinita teia. Vez ou outra, paramos para ouvi-lo em silêncio, e nos refazemos do desgaste de vivermos a mercê do incontrolável. Siga, pare, respire, contemple e se prepare para mais uma semana de vida. Tome as rédeas do imponderável.

⁠... Quando despertamos alavancados por sonhos e desejos que precisam ser transformados em veracidade, vivemos no presente e na espreita de dias ainda melhores. Não se trata de inconformidade injustificável, mas de propósito legitimado no cotidiano.
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⁠... Quando despertamos alavancados por sonhos e desejos que precisam ser transformados em veracidade, vivemos no presente e na espreita de dias ainda melhores. Não se trata de inconformidade injustificável, mas de propósito legitimado no cotidiano. A vida vai estabelecer condições limítrofes e ultrapassá-las não será questão de sorte, mas da inspiração e da transpiração dosadas com sabedoria. Ambas atuando em uma perfeita simbiose. Terão dias que a criatividade poupará o esforço, outros em que os poros vão aliviar a ausência de imaginação, e nós saberemos como proceder sem deixar o ritmo declinar. Quanto à consistência evolutiva de todo o processo, tudo vai depender da nossa capacidade de progredir. Avançar diante dos aplausos. Evoluir perante as vaias. E florescer defronte o mórbido silêncio.

⁠... Se prefixarmos o vocábulo "RE" na primeira sílaba de todas as nossas ações, mostraremos à Deus que nossa passagem valerá cada sacrifício. Se algo puder ser acurado, REfaça.
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⁠... Se prefixarmos o vocábulo "RE" na primeira sílaba de todas as nossas ações, mostraremos à Deus que nossa passagem valerá cada sacrifício. Se algo puder ser acurado, REfaça. Se algo perder o sentido, REssignifique. Se algo carecer de mais foco, REleia. Se algo exigir austeridade, REpense. Se algo for mal interpretado, REforce. Se algo parecer descabido, REestruture. Se algo inibir sua coragem, REssalte. Se algo assolar sua estima, REconstrua. Se algo tirar sua fé, REcupere. Se algo apagar seu legado, REssurja. Se algo levar ao calvário, REnasça.

⁠... Nesse mundo de caos, sentimentos líquidos, verdades dissimuladas e mentiras honestas, posso concluir que a cegueira e a surdez ajudam (e muito) na nossa sanidade. Como não posso fechar os olhos e tapar os ouvidos, reajo diferente. Crio enquanto a maioria copia, produzo enq…
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⁠... Nesse mundo de caos, sentimentos líquidos, verdades dissimuladas e mentiras honestas, posso concluir que a cegueira e a surdez ajudam (e muito) na nossa sanidade. Como não posso fechar os olhos e tapar os ouvidos, reajo diferente. Crio enquanto a maioria copia, produzo enquanto a maioria tende a procrastinar, invisto enquanto a maioria consome e acredito naquilo que todos duvidam.

... Estou aprendendo a gerir melhor minhas emoções. Às vezes me questiono: "O que nos leva a escolher uma vida sem desafios?". ⁠Ou melhor, não me questiono, contesto. Já sei a resposta e ela está estampada na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços e naquela rotininha chin…
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... Estou aprendendo a gerir melhor minhas emoções. Às vezes me questiono: "O que nos leva a escolher uma vida sem desafios?". ⁠Ou melhor, não me questiono, contesto. Já sei a resposta e ela está estampada na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços e naquela rotininha chinfrim que muitos aceitam submissos à própria vontade. Não adianta erradicar a minha essência. O morno não me inspira, não me move, apenas amplia o vazio que tenta me travar. Como me livro desta sensação de voz e eco? Preencho meu "ser" com a volúpia de quem não nasceu para ver a banda passar. Quero tocar o meu tarol, marcar o compasso do meu samba e desfilar por este mundão afora sem me preocupar com passados e futuros. Quando a sensação de médio e mediano tentar inibir sua vontade, entenda que todos nós temos direito à grandeza, consequência da nossa melhor escolha.

⁠... O tempo é comparado a um pó muito fino que, distraídos, deixamos escorregar por entre os nossos dedos. Se lhe damos um bom uso, é a ponte por onde fazemos passar a trama dos nossos dias para fabricar o tecido de uma vida significativa. Portanto, precisamos ter consciência…
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⁠... O tempo é comparado a um pó muito fino que, distraídos, deixamos escorregar por entre os nossos dedos. Se lhe damos um bom uso, é a ponte por onde fazemos passar a trama dos nossos dias para fabricar o tecido de uma vida significativa. Portanto, precisamos ter consciência de que o tempo é o nosso bem mais precioso, essencial para a busca da felicidade. Então porque hesitamos quando abdicamos do supérfluo? Que vantagem há em nos dedicarmos ao inútil? A discórdia? Como disse Sêneca: “Não é que tenhamos tão pouco tempo, mas que o desperdiçamos demais.” A vida é curta. Sempre perdemos, quando deixamos de lado as coisas essenciais, ou às adiamos ao nos deixarmos enredar pelas demandas incoerentes daqueles que brigam por poder. Os anos ou as horas de vida que nos restam para viver são como uma substância preciosa que se desfaz, podendo ser desperdiçada sem que percebamos. Eu tenho quase meio século por aqui, e encaro o tempo como uma criança que pode desaparecer se não ficarmos de olho, que pode sumir com um estranho se não tomarmos cuidado, ou até mesmo evoluir rapidamente entre fases se não acompanharmos esta evolução. O tempo é nosso e ele não pode se perder indiscriminadamente. Cada fração desse tempo deve ser trocada por algum significado.

⁠... A vida é um ciclo. Nela tudo é passageiro, e até nós estamos aqui de passagem. A felicidade, a tristeza, o fim de uma dor, o início de outra, a ausência completa de sofrimento - condições fortuitas. Problemas viram solução até surgirem outros contratempos à espera de resolu…
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⁠... A vida é um ciclo. Nela tudo é passageiro, e até nós estamos aqui de passagem. A felicidade, a tristeza, o fim de uma dor, o início de outra, a ausência completa de sofrimento - condições fortuitas. Problemas viram solução até surgirem outros contratempos à espera de resolução. Nenhum conhecimento adquirido cessa a nossa sede de aprendizado, e vamos aprender na sorte e no revés. Saciamos as curiosidades da infância e entramos nos medos da adolescência, os temores são vencidos e passamos as batalhas da vida adulta, para depois, enfim, enfrentarmos as dificuldades da velhice e fim de vida. Passamos a vida em loops temporais com intervalos de presença e ausência de dor. É natural surgir em nós o sentimento de impotência, mas não precisamos tê-la em excesso. Exatamente, viver é estar entre o céu e o inferno em equilíbrio. Cultivamos o autoconhecimento, a criatividade, a convivência, a caridade e o nosso amor-próprio. Criamos bons hábitos e tentamos abandonar tudo aquilo que nos deteriora. Só temos o agora. Desconhecemos o futuro enquanto encarnados e se existe algo além do nosso desencarne, contudo, creio que o nosso loop temporal é infinito e evolutivo.

⁠... Eu não escrevo Apenas transbordo
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⁠... Eu não escrevo Apenas transbordo Extasio sensível Deleito bombordo Farejo meu verso Divago nascente Acho minha rima Desatino poente Haverá um dia Em que a sinestesia Mudará de endereço E morrerá: poesia Mas enquanto isso Arda comigo E se não for riso Chore! se preciso E com estas lágrimas E a cal da minha glória Farei o cimento Da minha história É perspectiva Utopia futura Feridas expostas Minha arquitetura E neste relevo De altos e baixos Mostro meu acervo E todos meus passos

⁠... Quem teme ser vencido Tem certeza da derrota
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⁠... Quem teme ser vencido Tem certeza da derrota Quem tem o brio rescindido Vê surgir a bancarrota Se a arte de vencer É aprendida no revés A mão dá, a mão tira O impulso vem dos pés Não há virtude sem vitória Nada vale o que nos custa Protagonize sua história Valorize sua busca A utopia é covarde Quando a alma esmorece Covardia já vai tarde Vinte lutas, uma prece De que serve ao Homem Conquistar o mundo inteiro Encaminhe o teu, os seus Como fez o carpinteiro Se a moda é pisar na Lua A discórdia acelera A vida é curta, nua e crua Plante e regue a sua terra

⁠... Olhos fechados Nariz diligente
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⁠... Olhos fechados Nariz diligente Ouvidos apurados Paladar aguçado Eu machucado As nuvens divorciadas A solteirice amarela Ardi, anoiteci A flor da pele Eu queimando A casa inacabada O véu de cada árvore Uma profusão de cores Identidade própria Eu boquiaberto O templo azul e branco Dragão traveste vitória Confluência de calçadas Casas, ruas, estradas Eu caminhando Quem vai Quem chega A roupa ao relento O galo fora de hora Eu indagado Ansiedade abduzida Eu livre, imerso Um folha em branco Um lápis zeloso Eu escrevendo Sensações partilhadas Verso meu Prosa minha Espírito, matéria Eu abençoado Detalhe contemplado Silêncio ressignificado Um café delicioso Nenhuma palavra Eu bebendo E no final É a vida me dizendo: - Relaxa, se aquieta - Tudo vai dar certo Eu saciado

⁠... Quem me dera persuadir a surdina com meu talento.
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⁠... Quem me dera persuadir a surdina com meu talento. Ver minha utopia clarear a cegueira do desatento. E minha palavra sorrir nos olhares o meu relento. Quem me dera matar a sede com ideologia. Esculhambar o que não procede com analogia. E minha palavra substituir o dislate da apologia. Quem me dera entender a trajetória de cada vento. Ver meu privilégio esmagar a vitória sem merecimento. E minha palavra vencer a escória de algum pensamento. Quem me dera inebriar as volúpias sem burocracia. Administrar a incontinência verbal sem posologia. E minha palavra despertar a inconsciência da letargia. Quem me dera preencher o som com meu sustento. Ver minha lisura consumir o tempo com discernimento. E minha palavra rachar o deboche do descaramento.

⁠... Forjei as rugas do meu semblante com a juventude da minha alma e consolidei a promessa de nunca mais anoitecer. Retalhei minha tela com ensejos do meu propósito, e percebi que de noite ainda era dia, que o sorriso não anoitecia e que o choro desvanecia. Armei meu picadeiro…
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⁠... Forjei as rugas do meu semblante com a juventude da minha alma e consolidei a promessa de nunca mais anoitecer. Retalhei minha tela com ensejos do meu propósito, e percebi que de noite ainda era dia, que o sorriso não anoitecia e que o choro desvanecia. Armei meu picadeiro com as farpas do deboche alheio, preparei meu espetáculo com as lascas da inveja distraída e protagonizei uma história singular, de expectativa abstraída. Frustrei as pretensões do inimigo ao virar de costas para inabilidade opositora, e com este simples gesto, provoquei o conluio e a fúria em manifesto. A incompetência se vestiu com os farrapos da imperícia, e inapta, limitou-se a bradar, intolerante, blasfemando contra a sabedoria e a jornada do herói itinerante. Foi quando as pedras do silêncio ignorante se chocaram com as vidraças emolduradas pela voz de um certo lábio. A poesia virou arma, e o errante se curvou ao sábio.

⁠... Sou eu assim Claro, escuro
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⁠... Sou eu assim Claro, escuro Dom Juan Dom Casmurro Jovem, maduro Arcaico, imaturo Sou eu assim Brilhante, obscuro Veia sábia Sangue burro Mente que queima Cheiro de esturro Sou eu assim Um carinho Um murro Mastigável Osso duro Gritaria e sussurro Sou eu assim Estufa, ar puro Céu sem fenda Inferno com furo Outrossim Seguro, inseguro Sou eu assim Passado, futuro Intenso presente Esquecido, expoente Bem assim Em cima do muro

⁠... Penso, repenso Exclamo intenso
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⁠... Penso, repenso Exclamo intenso Algo pretenso Sem muito consenso Inundo meu senso Transbordo imenso Meu caráter denso Me deixa propenso A ficar suspenso Da minha pujança Eterna herança Que desde criança Chamou pra uma dança E nessa andança Casei de aliança E minha esperança Verossimilhança Chamei minha criança De intensidade

⁠... Ganhamos a terra Recebemos o ar
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⁠... Ganhamos a terra Recebemos o ar Constituímos morada Plantamos subsistência Destruímos com negligência Guerreamos com incoerência Ampliamos nossa prepotência Invadimos o céu Nos apossamos do mar Demarcamos fronteiras E como consequência Aniquilamos a resistência Aumentamos a abrangência Perdemos a transcendência Esquecemos de Deus E ficamos a par Vangloriamos o Homem E a partir da ciência E sua obediência Vimos a convergência Esmagar diligências Chegamos à lua Para lá explorar Rasgamos o Gênesis Cuspimos sem condolência Escárnio cuja iminência Nos levasse a sucumbência De uma lição exemplar E de tanto achar Que somos o centro de tudo E que todo o mundo Fosse conjecturar O que era evidência­­­ Sem clarividência Ficou singular E diante desta vigência Com toda nossa anuência O Homem assassinou E Aquele que consagrou Diante de tanta dor Olhou para Lua e disse: - Amanheça, por favor

⁠... Mulheres de lua Mulheres de marte
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⁠... Mulheres de lua Mulheres de marte Para chamar de sua Que valorizam a arte Mãe, filha, beldade Causa, efeito, paixão Mulheres com ansiedade Mulheres com depressão Saudosas, presas na nostalgia Ansiosas, sequestradas pelo destino Frustração como filosofia Esperança com ar clandestino Guerreiras da resiliência Esteios da própria família Autodidatas da contingência Doutoras em logosofia Mulheres, maravilhas, verdade Pausa, peito, menstruação Divas com propriedade Mulheres com a, o, til, ão

⁠... Hoje faz um ano que meu irmão partiu, e não quero externar tristeza ao me defrontar com um dos principais marcos deste ciclo de resignação, quero expandir minha consciência e recuperar toda a energia que, ao longo deste tempo, foi manipulada pelos meus maiores medos e recei…
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⁠... Hoje faz um ano que meu irmão partiu, e não quero externar tristeza ao me defrontar com um dos principais marcos deste ciclo de resignação, quero expandir minha consciência e recuperar toda a energia que, ao longo deste tempo, foi manipulada pelos meus maiores medos e receios. Enquanto parte do que sou, descansou, outra parte, ainda bem viva, respira e busca evoluir diante dos caminhos que levam a uma série de projetos que envolvem paz, saúde, família, equilíbrio, sucesso, e evolução física, mental e espiritual. Meu irmão não partiu em vão, sua missão foi cumprida no plano físico. Já no plano espiritual, tenho a convicção de que a leveza sugerida para estes pontos de aproximação – nós e ele – deve remeter aos pensamentos e lembranças que canalizem energia pura e nova. Pureza e novidade aceleram nossa renovação, e limpam nossa mente daquela nostalgia que nos leva ao calvário ao invés de estimular um passado mais distante, onde ele vendia vitalidade e nos contaminava com seu carisma singular. Esta é a verdadeira castidade entre elos que foram partidos. Quanto ao novo, ressalto a importância do campo das ideias e das realizações como um contraponto à tristeza. Quanto mais ativos e criativos, menos chance de cedermos espaço para uma infantaria repleta de ansiedade e depressão. Neste primeiro ano de ausência, quero inundar este marco com a inteligência emocional que me faltou, transbordar o remanso em orações silenciosas, convidar meus entes queridos a fazer o mesmo, e assim, orgulhar aquele que se foi na matéria, mas que continua vívido em nossos corações. Irmão, que a serenidade destas palavras chegue até você, e que o reflexo desta troca silenciosa irradie luz em todas as direções. Clarividência para prosseguir, resiliência para entender as insígnias de Deus.

⁠... Durante o seu reinado, Laio, marido de Jocasta, recebeu uma mensagem perturbadora do Oráculo de Delfos: o casal deveria evitar um herdeiro, uma vez que ele estaria destinado a assassinar o próprio pai. O tempo passou e Jocasta acabou engravidando. Laio, mesmo angustiado pel…
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⁠... Durante o seu reinado, Laio, marido de Jocasta, recebeu uma mensagem perturbadora do Oráculo de Delfos: o casal deveria evitar um herdeiro, uma vez que ele estaria destinado a assassinar o próprio pai. O tempo passou e Jocasta acabou engravidando. Laio, mesmo angustiado pela alegria da esposa ao saber que teria um filho, prosseguiu com o conselho dado pelo Oráculo. Édipo sobreviveu e seguiu sua peregrinação em busca de respostas. Apesar de não saber o nome dos seus progenitores, acabou descobrindo que o seu destino era matar seu pai e envolver-se com sua mãe. Uma morte sem ele saber que a vítima era o próprio pai, um envolvimento sem ele saber que a paixão era a própria mãe, e uma Cidade repleta de pragas - castigada por Deus. Em tempos bem mais recentes, Sigmund Freud, o “Pai da Psicanálise”, trouxe à tona questões como o posicionamento do inconsciente e da consciência, a sexualidade e as relações parentais. Deste estudo aprofundado nasceu o termo “Complexo de Édipo”. Quando Freud desenvolveu sua teoria, ele explicou Édipo em três tempos. O primeiro diz respeito ao momento inicial, em que a criança está muito ligada à mãe, enxergando-a como uma extensão do próprio corpo. No segundo, explica que o pai se torna presente como uma figura proibidora do cotidiano infantil. Já no terceiro e último, o pai aparece como uma ser repleto de identificação. A ideia de voltar e recorrer à mitologia foi para mostrar que, em parte, concordo com o psicanalista, pois enxergava minha mãe como uma extensão de mim e percebia o ciúme do meu pai diante da novidade. Bem mais tarde, entendi que o processo é bem mais comum do que parece. Voltamos a venerar nossos pais depois que nos tornamos pais, e isto acontece pelo paralelo que traçamos com o nosso subconsciente. Tudo que envolve amor precisa ser relevado, assim como o livre arbítrio e o consequente elo firmado entre mim e a mulher mais importante da minha vida. Agradeço a Deus o privilégio - que recebeu do próprio – a alcunha de “minha mãe”. E assim enalteço o privilégio ao me assumir privilegiado.

⁠... Coração na boca Peito apertado
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⁠... Coração na boca Peito apertado Alma barroca Tremor nas mãos Brilho nos olhos Eixo recíproco Me despi, escrevi Discorri anseios Me despojei, atrevi Socorri receios Soletrei verdade Dissertei fadigas Em cada frase Cicatrizei feridas Fiz paródia Refiz meu verso E na discórdia Incontroverso Se sou eu, baluarte Se aqui és minha arte Clamo com todo respeito Se gostas do rarefeito Esqueças o “à la carte”

⁠... Os melhores bombons estão em caixas novas e velhas. Espero ter o privilégio de contemplar o mundo com as bengalas da prudência, pois criança saboreei o doce da vida. Nos últimos vinte anos percebi que precisava armazenar suavidade para resplandecer altivez quanto meu rosto…
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⁠... Os melhores bombons estão em caixas novas e velhas. Espero ter o privilégio de contemplar o mundo com as bengalas da prudência, pois criança saboreei o doce da vida. Nos últimos vinte anos percebi que precisava armazenar suavidade para resplandecer altivez quanto meu rosto já mostrasse sinais de cansaço, e ao desembarcar na terra de Fernando Pessoa, me tornei vizinho da afabilidade, da brandura e da galanteria. Sentimentos armazenados por aproximadamente oitenta anos, cultivados em barris de carvalho, fragrância exalada e inalada por quem tem a sensibilidade de perceber o quão ­mágico pode ser o odor da gratidão. De quem respira, pela chance de aprender. De quem expele, pela humildade de continuar aprendendo. Ahhh, como é lindo contemplar a dissipação da amargura oitentista com a naturalidade de quem tem o dom de jovializar sua própria alma. Seres que souberam acumular sabedoria para hoje usufruir da sapiência ao impactar meros mortais, ainda sentados na antessala da sabedoria. Ao passo que me tornei velho para jovens que me rodeiam, me vi criança ao ser observado pela amizade repleta de marcas de expressão e cabelos brancos. Ancoro meus princípios e valores em uma travessa sem saída, e vivo defronte à dignidade de uma velhice confessada, muito mais bela que outras disfarçadas e esticadas. Obrigado Rio Douro, das suas margens, do Porto à Baião, tive a honraria de frutificar meu coração e fortificar minha alma ao experimentar a condescendência porta com porta e a benevolência larga e verdadeira. Hoje penhoro toda e qualquer arrogância de dever cumprido, e me abro para um universo de possibilidades. Anos vindouros, onde também poderei historiar e dividir com mancebos de trinta, quarenta a cinquenta, a honraria que tive ao conhecer a afabilidade chamada de Terezinha, a brandura chamada de Cinda e a galanteria chamada de Lino.