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Minhas ideologias não são esquizofrênicas, apenas muito discrepantes das que me rodeiam com certa teimosia. Chego a confundir a teima com carma, mas logo dissipo a energia que me leva a apontar o indicador para supostos deslizes regressos.
Tudo que transpiro é legítimo e intenso, e legitimidade com intensidade não abre precedentes para gotas de equívoco. Amor e amizade não são sentimentos banalizáveis, algo descartável ou utilizável apenas para satisfazer o bel prazer de um dos lados da história. Ratifico tal percepção ao acessar minhas gavetas repletas de consciência, subconsciência – e porque não – inconsciência coletiva.
Há quase cinco décadas venho me intoxicando com barbitúricos intangíveis e abstratos, que também extirpam a plenitude dos seus destinatários - dia após dia. É como se eu vivesse em uma quimio recorrente, algo plantado para aniquilar toda minha alegria - homeopaticamente.
Com a idade me dei conta deste calvário tóxico e comecei a revirar tais gavetas sem aquela impulsividade adolescente e, por esta única razão, encontrei o cerne que afoga meu âmago com bolhas de angústia – vários frascos do veneno que sequestra minha essência e apaga a estrela que deveria irradiar luz.
Segurei os frascos com meus pensamentos mais lúcidos, abri minha mente com certo receio, e percebi o rótulo que estampa o casulo deste aprisionamento triste e escuro. Um princípio ativo que joga para o ostracismo todo o brilho de uma alma que nasceu para brilhar: “frustração”, dor causada pela ausência de reciprocidade.
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Chico Buarque escreveu uma certa ópera e eu remeti a canção ao meu pai. Na letra existe uma analogia entre o malandro de blusa listrada e o malandro de gravata. Apesar de ele utilizar gravata, a honestidade sempre estampou seu peito com listras bem visíveis. E dessa forma, eu o imaginava como um malandro às avessas - índole, valores e princípios intactos.
E nesta imaginação, uma confluência de personalidades.
Pais, somos
Tais cromossomos
Honestos, vagamos
Desacobardamos
Um perde pra vida
Outro cede pra morte
Ambos descrentes
Nossa miopia, perdão
Tais inocentes
Nossa utopia, bordão
Eu sou
trovador, cavaleiro
e na minha vanguarda
virei forasteiro
vesti minha farda
decidi meu roteiro
Coração devassado
evoquei pensamentos
sem meu pragmatismo
meus desdobramentos
e o meu empirismo
empoderamento
Menestrel, visceral
conservei o lirismo
nasci medieval
conservadorismo
minha credencial
sem pioneirismo
Eu sou
poeta, conteporão
criador, criação
e na minha vanguarda
vesti minha farda
com a minha versão
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Lindo mundo
Dentro de mim
Mundo sincero
Rodeado de hipocrisia
Mundo altruísta
Ladeado de egoísmo
Mundo intenso
Sitiado de preguiça
Mundo transparente
Cercado de escuridão
Sou o que sinto
Vivo o que penso
Implodo quando frustro
Explodo se reconsidero
Sou o que sou, extinto
Desequilibro, descompenso
Esclareço se ilustro
Resiliente quando espero
Belo acervo
Dentro de mim
Abundante verdade
Rodeada de mentira
Abundante benevolência
Ladeada de ganância
Abundante jovialidade
Sitiada de inveja
Abundante clarividência
Cercada de dúvida
Sou eu, rei de mim
Sem reinado, influência
Sou o que sou, grande jardim
Sem gramado e indulgência
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Minha pressa de prosperidade cedeu espaço para conjectura. Sem presumir que as coisas caiam do céu, que pessoas sintam minha falta espontaneamente, muito menos que meu coração venha a se arreganhar para o mundo.
Mas especular que meus sonhos e valores sejam recebidos e distribuídos no tempo certo.
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Antes romances e dramas baseados em realidade, que ficções recheadas de conversa. Nossa história não precisa de personagens fictícios, mas de protagonistas reais.
Autenticidade de dentro para fora, genuidade de fora para dentro e legitimidade de cara lavada. Sem scripts, medos ou âncoras.
Nada que nos acorrente a uma única cultura ou nos algeme em um único lugar. Tudo que possibilite imprimir nossas digitais nos lugares e pessoas que tendem a figurar nos capítulos que ainda escreveremos juntos.
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Quem me dera decifrar
A intimidade codificada
Poderia potencializar
A sensibilidade inesgotável
Quem me dera entender
O coração intervalado
Poderia externalizar
A febre interna que não cede
Oxalá, eu tivesse
Esta habilidade sensorial
Revigorizaria minha mente
Transcenderia a obviedade
Oxalá, eu tivesse
O dom da racionalização
Endureceria minhas emoções
Amoleceria duras razões
Eu escreveria o belo inimaginável
Dissertaria o airoso extraordinário
E atropelaria a pobreza midiática
Enquanto isso
Minha mente prosa
Meu coração poesia
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Eu e o horizonte
Um fio invisível
Dois gêmeos siameses
Simbiose perfeita
Escambo incondicional
Descanso as retinas
Clamo por inspiração
E tudo ao redor goteja
Pinga, destila
Escancaro meu cerne
E as palavras me molham
Encharco de criatividade
E simplesmente escrevo
Sempre foi assim
Registro autoral
O entorno, interpretativo
O adorno, contemplativo
Só me expresso
Banho diurno, alma lavada
Alforria das folhas de gaveta
Metamorfose, aviões de papel
Serei descortinado?
O ceticismo celebra
O ostracismo agradece
O anticeptismo expõe
O talento resplandece
E somente o tempo
Juiz da sentença
Senhor do deferimento
Saberá o futuro
E eu, poeta presente
Em vida, na morte, talvez
Que venha o que vier
Que seja o que for
Advogarei pelo anticeptico
E conduzirei meu lado cético
Ao banco dos réus
Que assim seja
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Meus olhos choveram
Quando perdi você
Os lábios tremeram
Pois não pude te ver
Parte do que sou, extirpado
Silêncio ecoou, gritado
O vento levou, cremado
Sua alma elevou, curado
Minhas mãos escreveram
Quando lembrei de ti
Os dentes cerraram
Quando tentei sorrir
Agonizei quando percebi
Morri depois que partiu
Renasci assim que entendi
Aceitei o que Deus decidiu
É vida que segue
Mesmo longe de ti
E onde estiver
Sei que zela por mim
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Abundância por todos os lados
Vangloriamos nossa cegueira
Plenitude escoando nos ralos
Reduzimos nossas fronteiras
Morremos de sede em certo mar
Águas de indiferença
Perdemos as asas em pleno ar
Céu de pura descrença
Nós, era eu contra você
Tudo sem "quê" nem "porquê"
Pedras formando um buquê
Obrigado, não há de quê
E nesta prosa, perdem todos
Ao escravizarem suas carcaças
E nesta lábia, fracassam os tolos
Ao admitirem suas desgraças
Troquemos nossa cegueira
Pela clarividência
Nossa limitação
Pela nossa abrangência
Nossa denotação
Pela nossa anuência
Saímos da contramão
Pela convergência
Não somos escravos
Desgraçados
Somos filhos de Deus
Não somos bastardos
Toda correção é viável
Enfim, finalmente, afinal
Retificação é fiável
Inoportuno é o ponto final
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Há dezesseis anos eu me descobri pai de menino. Sempre tive muita intuição, principalmente durante minhas horas de quietude. Portanto, não só intuí o gênero como também já sabia que ele seria enviado e curado por Deus. Assim como da primeira vez, também foi algo muito natural, orgânico e incondicional. Minha disponibilidade para amar meu filho e o seu universo foi e sempre será infinita, e nossa história já começou prematuramente. Foram apenas sete meses de gestação e quase um mês na UTI Neonatal para ganho de peso.
Quase que por um lapso, abandonei as trevas do egoísmo e caminhei na direção da luz do altruísmo. Me despedi dos meus recifes egocêntricos novamente, e saí gritando para o mundo que Deus agora tinha confiado um de seus anjinhos aos meus ensinamentos. Já era mais maduro na ocasião, mesmo assim evitei lançar os dados e deixei Ele me mostrar o caminho, assim como fiz no nascimento da minha primogênita.
Quando algo mágico acontece pela segunda vez e alguém – também mais importante que você próprio - cai nos seus braços, você se reinventa de novo, se recomeça mais uma vez. Foi aí que me vi com a responsabilidade dobrada – e mais calejado – me preparei para o que estava por vir.
Depois de algum tempo você entende a diferença entre andar de mãos dadas e andar de mãos algemadas. Entende que amar não significa cobrar, prender ou até mesmo se apoiar em um estereótipo falido. Entende que presença nem sempre significa liberdade. E entende também que amor não é algo angariado contratualmente. Ninguém é livre parcialmente. A parcialidade aqui pode colocar o “ter” na frente do “ser”, e assim como anseio para sua irmã (e já escrevi isto para ela), desejo profundamente que o meu menino seja tudo que ele sempre sonhou. Pois é, resolvi colocar a liberdade na frente do amor, e por mais que este espaço me consuma, meu consolo é muito maior ao ver o quanto você está crescendo lindo, inteligente e responsável.
Hoje no dia do seu aniversário, afirmo que minha saudade virou orgulho e que meu coração (assim como a porta da minha casa), também estão escancarados para a essência e o amor do meu eterno Raphael.
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A rotina encaixa, percebemos alguns passos fora do compasso e nos apoiamos nas referências para seguir em frente - mesmo que o mundo esteja diferente.
Nossa mente se adapta, sonhamos acordados e nos distraímos com coisas completamente desconexas - algumas pessoas estão reticentes.
Estamos longe do que era normal e mais perto de tudo que achamos certo. Ao passo que nossa mente se distancia do coletivo, nos aproximamos individualmente daquele que nos criou - algumas pessoas estão descrentes.
A lucidez e a realidade ao nosso redor cobram respostas intuitivas. O instinto vital nos impulsiona para o nosso propósito, o ontem desmorona e o hoje exige criatividade - algumas pessoas estão carentes.
Embora a diferença, a reticência, a descrença e a carência nos tornem desiguais, precisamos emoldurar o nosso amanhã - mesmo que o mundo esteja doente.
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Fulgurei no picadeiro ao transformar dor em metáfora. Maquiei a minha retórica e retoquei a sua anáfora.
Recitei tais repetições ao esgotar minhas alegorias. Evitei as contradições e mergulhei na poesia.
Cunhei minha resiliência ao acordar da letargia. Carreguei as raízes nas asas e abdiquei da nostalgia.
Amputei um passado longínquo ao bancar tal decisão. Alinhei o que era oblíquo e persisti na fulguração.
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Tão bom quanto ruim
Saber que sou tanto
Para tão pouco
Tão bom quanto ruim
Saber que meu canto
Vai me deixar rouco
Tão bom quanto ruim
Saber que seu espanto
Vai me deixar louco
Tão bom quanto ruim
Saber que meu acalanto
Embala tampouco
Tão pouco
Tão rouco
Tão louco
Tampouco
Tão poesia quão prosa
Saber que meu pranto
Regou sua rosa
Tão poesia quão prosa
Saber que seu manto
De linho airosa
Tão poesia quão prosa
Saber que, no entanto
Tem mente invejosa
Tão poesia quão prosa
Saber que, entretanto
A inveja é onerosa
Meu pranto
Seu manto
No entanto
Entretanto
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No principal domingo do ano
Da luta e da paz desmedida
De um Brasil sem miliciano
Gritarei contra o genocida
Do suor que escorre vermelho
Nas mãos sujas de um aristocrata
Jamais vou cair de joelho
Viva Prestes, Guevara e Zapata
Estudei Nabuco, um abolicionista
Vi morrer a Sociedade escravista
Até elegerem um certo fascista
E renascer a Confraria racista
Dia de um povo marcado
Do negro, do gay, do andrógino
E de um gado, um eleitorado
Ver cair seu idiota misógino
E no fim do abominável
E seu bando alienável
Primavera linda, impagável
Aqui jaz, um inominável
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Meu sábado com cara de segunda tem um leve presságio de domingo com os pés descalços. Inebriante sensação de vitória acometeu minha cafeína matinal, e eu recusei o fardo que me desviara do propósito.
Meu cérebro não é latifúndio da aristocracia de direita, e sim uma colmeia com a mais pura e linda quimera esquerdista.
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Somos a obra prima
da nossa própria vida,
e a esculpimos
com os nossos
próprios pensamentos
Se você tem tempo,
caminhe sem se poupar
das provações mundanas
Seja voluntarioso, voluntariosa
Principalmente
nas questões relacionadas
ao seu "consciente profissional"
Ressignifique também
o seu "consciente pessoal",
principalmente quando ativar
seus gatilhos emocionais
E lembre-se sempre:
Tudo é energia!
O simples fato
de se perceber vulnerável,
já cria uma alternativa de melhora
Não olhe para o céu
com muita fé e pouca luta
o segredo é ter 100% de convicção
com apenas 50% de resposta
Deixe a gratidão
desbloquear
a sua abundância
Transforme seu menino em homem,
sua menina em mulher,
sua negação em aceitação,
seu caos em ordem
sua confusão em claridade
Transforme sua dor em saudade,
seu deslumbre em humildade,
sua loucura em juízo
e seus medos em coragem
Liberte seu espírito,
redobre seu amor,
resgate sua fé,
salve sua alma
e escancare sua essência
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O impacto mais incrível que um ser humano pode exercer sobre o outro é a capacidade de comunicar uma mensagem, ou uma poesia, ou o que realmente sentimos. Ter o dom divino de colocar – em palavras – sua emoção e a sua alma. Sem dúvida alguma você pode estimular a imaginação de alguém: a inspiração de decidir, de planejar, de progredir e de realizar. E assim, multiplicar por 2, por 3, por 5, o poder de decidir e realizar um objetivo em um único dia.
A parte mais emocionante nisto tudo, é que me inspiro inspirando outras pessoas, me emociono emocionando outras pessoas, aprendo ensinando outras pessoas, e à medida que compartilho meu coração, meu aprendizado e minhas vitórias; isto volta para mim com uma força inimaginável. Flui simultaneamente para as vidas de quem usufrui verdadeiramente de uma mensagem ou conhecimento compartilhado.
Ao ajudar outras pessoas a mudar, eu também mudo (para melhor), e nós progredimos criando o progresso. Uma experiência instantânea (e poderosa) de duas vias.
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O Brasil está entorpecido
do antagonismo burro
da oposição ignorante
de contradições levianas
da altercação deliberada
da desinteligência vil
da incongruência malévola
da discórdia mentirosa
de sequelas fascistas
de regimes despóticos
de sementes tiranas
de símbolos nacionalistas
de preconceitos cabais
e precisamos curar a ressaca
bolsonarismo nunca mais
...
O Fascismo feroz
zanzou loucamente pela Esplanada
A Liberdade sem voz
foi abortada pela Mãe Gentil
E a Democracia do “Nós”
foi perseguida por uma matilha
e suas cadelas no cio
O ex-presidente algoz
excomungou a paz e fugiu da justiça
O articulador atroz
insuflou a desgraça do Boca Raton
E a polícia de Oz
estava em Nonéstica
e se eximiu do epílogo Dantesco
O pré, durante e após
do Capitólio Tupiniquim
da intolerância enrolada na bandeira
e da opressão carregando uma cruz
deixa-nos uma grande lição
o ventre que abortou a igualdade
continua mais fértil que nunca
Regresso