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Frases de André Luz Gonçalves

103 frases

não há vagas Um gosto amargo, no doce que me cabe... Uma garganta seca por palavras que te traga. Riscos imersos de solidão...
E agora que morri? Me jurou de morte Trazendo me no sangue da sua palavra
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E agora que morri? Me jurou de morte Trazendo me no sangue da sua palavra Afiou em minha língua o teu punhal que me guarda Disse que me beberia Que eu não era de verdade, que arei sua dor E sente muita saudade, saudade de flor! Me acusou de roubo Furtando meu passado pro seu julgo Quis que o mundo me expurgue Agora que morri pra ti Não acenda vela ou apele prece, pois virei vento Olhe para o seu céu de centelhas E se agradece!

Desalinho do meu simples caminho Derrota sem dessiso Delegado sombrio do meu brilho
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Desalinho do meu simples caminho Derrota sem dessiso Delegado sombrio do meu brilho Pretenso desafio rítmico, descontínuo Maldito Senhor do Destino Esmola meu querer Leva feito vento sem tempo Desaba uma sina sem graça ensina a farsa o cume da faca Suplico Senhor do Destino Me deixe assim desde menino Sou tanto amor que eu te ensino Não faz pouco desse destemido Apenas dai me o tempo desses sentidos

Mata a dor Mato e faço borboletas das cinzas Viro pó na fornalha do seu pensamento
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Mata a dor Mato e faço borboletas das cinzas Viro pó na fornalha do seu pensamento Mato e espalho átomos pelos espaços Criando novos agravos em um novo descompasso Mato mesmo é a morte da palavra maldita Essa navalha que raspa sua ternura E aos poucos mata em mim o quase tudo que é desejo Sobrando dúbios poemas imperfeitos

Circo encantado A fila de ingresso as suas graças Criança ansiosa não disfarça
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Circo encantado A fila de ingresso as suas graças Criança ansiosa não disfarça O palhaço Lelé Roubando Mulher O Garboso apresentador e sua voz de locutor La vem o truque da risada, palhaçada!!! Pipoca no algodão doce Sombra e luz, embaixo da lona o circo vem a tona! Globo da morte e quase bateu Trapezistas com sorte, a corda é forte? Quase caiu num suspiro cheio de silêncios O mundo pendurado por um fio Malabares e Trapézio Destreza e firmeza Suspense e mistério A cigana vem a Lona e põe fogo na roda Borboletas psicodélicas Voam pelos cabelos Sensualidade em forma de brinquedo O susto e a cortina se abriu Os pequenos sorrindo O mundo é lindo A verdade é a grande imitação Na próxima semana o mágico não me engana Já acabou?

Vontade que dá, esse seu cheiro de sumiço Passa sem vontade na memoria que não há Esse amor suplico em direção contrária
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Vontade que dá, esse seu cheiro de sumiço Passa sem vontade na memoria que não há Esse amor suplico em direção contrária Eu ando pela rua e você calçada. Enquanto eu te defendo de outros elementos Olho pro seu vento e não encontro sua soprada E penso: será mesmo nossa a mesma estrada?

Cego Blues Num chapéu cor de farinha Com uma cachaça e uma garrafa quase vazia
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Cego Blues Num chapéu cor de farinha Com uma cachaça e uma garrafa quase vazia Uma cegueira cega que nem ela Um tempo certo na hora errada Um blues de um forró bem triste Uma criança que não chora nem vai embora E três mesas vazias. Uma lembrança de um perfume Um chale branco, saudade e ciúme Uma parede de uma alusão púrpura bondade Um amor insano, regado e negado Invejado pelos anjos, flechado caboclo Uma antiga mentira virou verdade E as tais mesas vazias E depressa vai cada vez mais lenta A noite e o dia feito o amor que se inventa Arde, queima e contenta Falso feitiço feito a destilada água que torpe Os modos e as giras que envolta de nós se sustenta Nenhuma mesa, onde não a via O local deixou a razão com sorte A música acabou e o bumbo coração tenta Bem mais poema do que cena Eu sorrio vida que brilha, não me faço de dentes. Vida não esfazia no feitio de mesas fazias.

Um sonho numa era de sonhos Devasto copas altas Onde flores um dia foram moças
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Um sonho numa era de sonhos Devasto copas altas Onde flores um dia foram moças Desta memória que folhas tornam Todo o pomar de onde furtei seu doce Desmanchada feito fruta posta De um chão tão longe que a terra encosta Fiz minha base em soma, insumas e hiatos Beirei a esperança em ser desapegado E de longe não te vi feito um retrato E sem monte não subi no cerrado E sem fronte deixei o rosto suado E sem estrofe, refrão ou mote, fiz o campo vasto.