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Frases de André Díspore Cancian

6 frases

Ler poesia é como ouvir música com os olhos: se não nos encanta, não serve para nada.
'...a poesia é tão bela porque parece vir como uma ponte que comunica algo indescritível. Veja só como a ilusão nos leva pelo nariz a acreditar em asneiras somente porque poetas sabem fazer truques gramaticais tão bem quanto um mágico tira pombos do bolso. Então não se dê o traba…
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'...a poesia é tão bela porque parece vir como uma ponte que comunica algo indescritível. Veja só como a ilusão nos leva pelo nariz a acreditar em asneiras somente porque poetas sabem fazer truques gramaticais tão bem quanto um mágico tira pombos do bolso. Então não se dê o trabalho de esconder o que há em seu coração; ninguém vai descobrir, nem se você quisesse. [communication breakdown e a poesia]

Sentido Não há mistério em existir Nem em viver ou sonhar
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Sentido Não há mistério em existir Nem em viver ou sonhar Caminhar se faz por si Sem erros nem acertos No acaso de cada passo Mas quanto do insondável Abraça a alma se desanda [e olvida E em seguida se procura [por sentido E naquilo que encontra Quanto mais do impossível Então se abriga nesta miopia Preso na teia do sentido Naquilo que mente do início No que deveria ter esquecido [de ter inventado Noutro infeliz descuido [de otimismo Agora me refugio Olhando tudo ao lado Acima e abaixo E repetindo Fui vivo Fui assim Eu lembro Que esqueço E me perco De novo a caminhar À frente sem rumo Olhando para trás Vivendo a cãibra De sempre se retorcer E nunca se encontrar Em qualquer direção Em qualquer tempo Ou na posição De descansar Do engano De buscar Algum alento No desespero Da mesma história De quem deu um passo [certo E não pode apagá-lo E não vê mais sentido Em continuar em círculos A fugir do próprio vácuo Procuro alguma outra quimera Pouco menos mesquinha Somente algo pequeno Que caiba no dia-a-dia De uma vida abortada Que perdeu os passos [e a paciência Enquanto contava Os dias e as horas De uma morte atrasada Algo que já tenha desistido De um caminho novo Algo já cansado [vencido Por si mesmo Destemido Do erro Procuro e encontro Outro atalho para onde vivo [perdido Entre certezas e restos E a minha solidão E o meu abrigo Que não é lar Nem meu amigo Mas sabe calar Quando todo som [é ruído E todo sonho é ruína E por hora só isso basta E por hora nada peço da vida Só por saber que acaba tão cega [como se inicia

Passagem Despeço-me do sonho de viver Do delírio de um dia conseguir
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Passagem Despeço-me do sonho de viver Do delírio de um dia conseguir De uma vez apenas ter as mãos E o coração onde quero e como Sem desviar disso como perda Do tempo que perco sem pesar Não, não acredito mais em mim Nem no que invento para dar-me Uma segunda, outra chance De provar o contrário Do que sempre foi A minha vida Se abrigo algo com afeto É porque já está morto Porque aprendi o traquejo De não me abraçar ao que muda E não pensar-me preciso quando sou [meio Minha saudade é sempre mais amável Minha memória diz mentiras perfeitas Que nenhuma realidade desmonta Em um punhado de palavras e outro [de vulgaridades Mesquinhas em entrelinhas Que me fazem sentir a vida Como se sente uma pedra [no sapato De quem precisa correr atrás Correr, com passadas medidas Correr, sem ter qualquer meta E chamar a coleção de feridas De história da sua vida História de um idiota Certezas de uma besta Percurso de um imbecil Objetivos de um estúpido Me trouxeram até aqui Foi a história de um erro Levado até os últimos fôlegos [do engano E cuja hora já passou Agora, resto assim A sujeira e os cacos De um sonho perdido Da amizade com o erro Do sofrer sem o orgulho Da luta para ser infeliz Da solidão de um palhaço Esforçado em levar-se a sério Agora Esforço-me para ver-me passar E somente passar em branco [ao negro