Frase de André Díspore Cancian
Passagem Despeço-me do sonho de viver Do delírio de um dia conseguir De uma vez apenas ter as mãos E o coração onde quero e como Sem desviar disso como perda Do tempo que perco sem pesar Não, não acredito mais em mim Nem no que invento para dar-me Uma segunda, outra chance De provar o contrário Do que sempre foi A minha vida Se abrigo algo com afeto É porque já está morto Porque aprendi o traquejo De não me abraçar ao que muda E não pensar-me preciso quando sou [meio Minha saudade é sempre mais amável Minha memória diz mentiras perfeitas Que nenhuma realidade desmonta Em um punhado de palavras e outro [de vulgaridades Mesquinhas em entrelinhas Que me fazem sentir a vida Como se sente uma pedra [no sapato De quem precisa correr atrás Correr, com passadas medidas Correr, sem ter qualquer meta E chamar a coleção de feridas De história da sua vida História de um idiota Certezas de uma besta Percurso de um imbecil Objetivos de um estúpido Me trouxeram até aqui Foi a história de um erro Levado até os últimos fôlegos [do engano E cuja hora já passou Agora, resto assim A sujeira e os cacos De um sonho perdido Da amizade com o erro Do sofrer sem o orgulho Da luta para ser infeliz Da solidão de um palhaço Esforçado em levar-se a sério Agora Esforço-me para ver-me passar E somente passar em branco [ao negro
No pensador.ai desde