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Frase de Aline Mariz

Cinza Você sempre gostou tanto dos dias cinza, que deve ser por isso que me visita nessa época. Vai ver que esses dias escuros, chuvosos ou meio nublados, foram feitos para pensarmos mesmo. Bate uma saudade fina, guardadinha nos restos de uma lembrança quase esquecida, sobrando no fundo de um copo. E, inevitavelmente, nesses dias, tudo volta: você, suas lembranças malfeitas, tudo que tenho para dizer e calo, tudo que faço e escondo, tudo que grito e não quero dizer. Nos dias cinza, pensamentos vão e voltam; correm de um lado para o outro, flutuam, voam num piscar de olhos, mas sempre param na mesma coisa. Tanto sentimento, tanta palavra, tanta história, tanta invenção, tanto de tudo, por que sempre para na mesma coisa? Tanto já se passou, sentimentos já trocaram de lugar, por que você ainda me dói? Eu só queria continuar. Acabar de vez com essas perguntas, colocar um ponto final, ter pelo menos uma certeza. Essa história de ficar parando em cada ponto e ter que recomeçar e recomeçar e recomeçar e recomeçar e recomeçar, tá me deixando cansada. Vai ver, no fundo, num canto bem escondido, exista uma explicação. Talvez eu goste mesmo dessa busca toda, desse procura-e-não-acha, dessa mania de me jogar num mar desconhecido e me afogar. Ou só esteja cansada demais para desacreditar de uma vez por todas, e, continuando no mesmo pensamento, “por que parar agora?”. É verdade que devagar não se vai longe, mas antes recomeçar inúmeras vezes do que não começar vez nenhuma, certo? Espero que assim seja – e sei que esperas também. Nalgum momento, alguém de verdade aparece. Tem que aparecer. Afinal, as coisas podem dar errado o tempo que for, mas chega uma hora em que têm que dar certo. Não sei quando nem por quanto durará, mas em algum momento, por menor que seja, tem alguma coisa que dá certo. Aprendi isso no dia que te conheci. Chovia, era cinza, você me disse que gostava de dias assim, disse que nos fazia pensar. Desde então, guardo nítida essa e tantas outras lembranças suas. Malfeitas, borradas, indevidas: guardo todas. Você deu errado. Mas não poderia ter dado mais certo. Dias cinza dão certo. Você deu certo. Meu coração é que nunca dá.

Aline Mariz

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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A carta que nunca entreguei Quero teus pés colados nos meus, feito minha boca na tua. Quero teus ossinhos marcando meu quadril feito teus olhos marcam minha alma. Quero tuas palavras marcando meu coração feito teu amor faz comigo. Quero mais de você, quero mais de mim. Quero mai…
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A carta que nunca entreguei Quero teus pés colados nos meus, feito minha boca na tua. Quero teus ossinhos marcando meu quadril feito teus olhos marcam minha alma. Quero tuas palavras marcando meu coração feito teu amor faz comigo. Quero mais de você, quero mais de mim. Quero mais de nós dois. Te quero sendo comigo. Me diga, me mostre, me olhe, me ame. Canta outra vez no meu ouvido que quer o nosso bem, que faz tudo pelo nosso amor. Não perca o costume de me desequilibrar, muito menos de me segurar no último instante. Contorna meus lábios com teus dedos e para bem na ponta do meu nariz; me olha bem no fundo de mim e diz com aquele teu olhar o que sempre me disseste. Dia desses, antes de dormir, percebi uma coisa. Pensei que o amor fosse meu, mas não: é todo teu. Guarda com cuidado, num canto escondido qualquer que seja. Lembra dele, vez ou outra. Olha. Sente saudade, como eu faço.

Novo Limpei a casa e reorganizei os móveis. Joguei fora tudo que não me servia mais e só fazia acumular poeira dentro do meu coração. As lembranças continuam engavetadas, guardadas de mau jeito, para que eu possa dar uma olhada vez ou outra. Ando cheia de vontades. Vontade enor…
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Novo Limpei a casa e reorganizei os móveis. Joguei fora tudo que não me servia mais e só fazia acumular poeira dentro do meu coração. As lembranças continuam engavetadas, guardadas de mau jeito, para que eu possa dar uma olhada vez ou outra. Ando cheia de vontades. Vontade enorme de ser feliz – sempre mais e mais, porque nós, seres humanos e de sangue pulsante correndo louco nas veias, temos essa mania de querer demais. Vontade de entregar-se ao novo, àquilo que ainda está chegando ou já chegou por completo – e me entrego. Vontade de plantar algumas árvores, muita alegria e gentileza no solo desse mundo desconcertado. Meu coração tá transbordando de tanta coisa linda que tem guardada nele, e quero poder doar um pouco disso para todo aquele que queira experimentar – aprendi que não adianta se doar para quem nada quer ou não se deixa querer: a gente só se desgasta e gasta nosso carinho. Vontade de jogar amor para cima, para baixo e para todos os lados. Nas diagonais, paralelas, perpendiculares e diversas outras direções. Espalhar o amor: “que seja doce”. Muito. Que sejamos mais - e menos também. Que nossos estômagos se encham de borboletas e nossos corações se acalmem um pouco. Que mudemos – a nós e o mundo. Que cresçamos. Que somemos e multipliquemos mais do que temos subtraído. Que comecemos de novo e de novo, todos os dias. E que venha o novo.