Estranho,
Disseram para pensar menos no mundo
E que minha visão de tudo
É distorcida
Disseram, vai cuidar de sua vida
Deixe de bobeira, perder tempo com sonhar
Porque estes sonhos de mudar o mundo não valem nada
E a tendência é mesmo deixar para lá!
Mas quando eu crescer devo me tornar um destes poetas
Destes que falam o tempo todo de amor
E andam pelas ruas descalços
E despidos de todo e qualquer pudor...
Andando por aí a toa
Num dia tão normal
Achando que ta tudo numa boa
Ultrapassando o sinal
Revivendo o passado
Do teu inferno astral
Transformando em poesia
Aquilo que outro dia
Parecia tão banal
Sem planos, sem pressa
Sem nada que impeça
De desmontar as histórias que eu mesma criei
Sem impor os limites
De tudo que um dia sonhei
Sem as ideologias cruéis
Do livro da lei
Que um dia
Por ironia
Inventei
Na vida a gente tende a criar
Fantasmas imaginários
Pra ninguém suspeitar
Os medos eternizados em diários
E de repente da uma vontade
De mandar alguém pra longe, pra outros lugares
Pra fugir de alguma outra vontade
E dizer pra quem não tem nada a ver comigo
Que não faço representações vulgares
Então, não te represento um perigo
E gritar loucamente
Olhando pro céu
Desculpa, se eu tenho mel
Sobre os troféus... São as cicatrizes de suas batalhas vencidas. Sobre armas... Espadas afiadas para travar outras lutas, mas sempre que pode ela vem desarmada, pois sabe entender as voltas e chances que o destino dá. Sobre os rancores... Ela tem o costume de não guardar desafetos no peito. Pelo contrário, joga todos eles aos ventos para esvaziar-se de tudo que é capaz de tirar-lhe o sossego, para então, servir-se de novos sabores. Sobre metades e pressas... Quadros mal pintados não preenchem as paredes de suas memórias, nem objetos descuidados, sem cores ou pouco interessantes enfeitam os espaços vazios. Sobre seguir em frente... Sempre planeja os passos seguintes, porque ela é do tipo que anda por caminhos sinuosos e arriscados, mas tendo a certeza de onde não deve pisar. Sobre precaução... Ela evita levar para dentro o que for dito por pessoas que destroem os sonhos e não deixa de ser quem realmente é para contentar quem não lhe contenta. Sobre intensidade... Sempre consegue viver o que rende histórias intensas e boas em tempos escassos e que, no entanto, valem por uma vida inteira. Sobre dúvidas... Ela não ignora que sabe pouco – e nem o pouco que sabe –, mas leva fé na convicção do que ela não quer. E sobre pertencimento a lugares ou pessoas, só há uma coisa a dizer: ela é toda dela.
O amor é o certo no momento errado, é conhecer os caminhos, vencer as barreiras e escalar as montanhas se preciso for. É liberdade. É apego. É inspiração. É a falta de inspiração. É dança sem som. É ritmo. É música e poesia. É chão firme e areia movediça. É ver a perfeição no imperfeito. É sentir o que não faz sentido. É detalhe e o preencher do vazio. É a tentativa de encontrar todas as definições e, ainda assim, o amor é indefinido.
É pela fome, palavra que recusa qualquer argumento. É pelos altos preços dos produtos que consumimos todos os dias. É por um País que não sabe o que fazer com seus jovens que escolhem o caminho da criminalidade. É pelos pais que enterraram seus filhos vítimas da violência, e por aqueles que perderam os filhos para uma verdadeira epidemia do crack. É por leis importantes que são ignoradas. É por aproveitarem um minuto de nossa distração para, na surdina, votarem em injustas propostas de emendas constitucionais que facilitam a corrupção ou de tamanha bestialidade que pode incitar ainda mais a discriminação num suposto “País de Todos”. É por terem feito manobras na tentativa de nos ludibriar. É pelos interessantes movimentos que, separadamente, não foram ouvidos. É por estarmos cansados da impunidade para os que desviam bilhões dos cofres públicos. É por não sabermos onde vão parar os bilhões que saem de nossos bolsos em forma de impostos. É pela mísera parte do peixe que é dada, enquanto se recusam a ensinar o povo a pescar. É pela educação precária. É por um sistema único de saúde que martiriza com suas enormes filas. É pelas pessoas jogadas no chão dos hospitais. É pelo trabalhador pessimamente remunerado. É por serem absurdamente altos os salários daqueles que elegemos. É pelo País ter sido maquiado para turista ver. É para fazer valer a expressão “Ordem e Progresso” que estampa o meio da Bandeira Nacional. É porque desde pequenos cantamos e agora reafirmamos “Verás que um filho teu não foge à luta”. É para que não seja depravado o termo “política”. É pelo fato do governo se dizer perplexo, pois quem esperaria a revolta de um povo tão alegre e festivo? É pelas ideologias que foram esquecidas. É para efetivar a democracia. É por todas as causas.
Sim. É para pedirmos investimentos em educação, saúde, segurança, transporte público e na belíssima e diversificada cultura brasileira. Sim, é para pedirmos honestidade por parte daqueles que escolhemos como nossos representantes.
Não acordamos. Sequer dormimos, porque o berço jamais foi esplêndido. Nossa indignação é que ganhou voz.
Francamente, não sei como serão chamados os manifestos que tiveram como estopim o aumento de 20 centavos no transporte público. Mas desejo que as crianças do futuro possam saber que a luta de 2013 não foi vã.
Desejo também que possamos manter aguçados o nosso senso crítico e participação política.
Que a indignação e o barulho das ruas chegue até as urnas!