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Frases de Alicia Salvaterra

14 frases

⁠Perco-me constantemente na oscilação de respostas e perguntas que nunca me couberam saber.
⁠Não sabia se estava exausta ou triste. Já não distinguia uma coisa da outra. Desliguei-me tanto de mim mesma por tanto tempo que já nem sabia definir as minhas próprias emoções — Os meus próprios eus. Agora, limitava-me ao ser. Eu era, sem saber o que era. Apenas era, porque sim…
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⁠Não sabia se estava exausta ou triste. Já não distinguia uma coisa da outra. Desliguei-me tanto de mim mesma por tanto tempo que já nem sabia definir as minhas próprias emoções — Os meus próprios eus. Agora, limitava-me ao ser. Eu era, sem saber o que era. Apenas era, porque sim. Reduzia-me a isso: Eu sou. Sou o quê? Sou alguém. E fui sendo até ser o que sou agora. Sei que sou alguém pois tenho consciência, mas sei também, que ao mesmo tempo, não sou um alguém.

⁠Que incompetência a minha... Que incompetência a minha ter nascido num berço de madeira. Que incompetência a minha ter roubado do peito uma mamadeira.
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⁠Que incompetência a minha... Que incompetência a minha ter nascido num berço de madeira. Que incompetência a minha ter roubado do peito uma mamadeira. Que incompetência a minha ser morrida de rasteira. Que incompetência a minha não ser herdeira.

⁠Sinto-me despejada, como lixo da humanidade. É coisa minha,
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⁠Sinto-me despejada, como lixo da humanidade. É coisa minha, sempre foi. Sempre senti-me assim. Devo ter cometido o pecado dos piores pecados, porque, em todos os locais pertencentes, eu não pertenço. Foi sempre assim, nunca pude pertencer a lugar nenhum. Será maluquisse minha? Será as inúmeras expectativas que puz em locais, nos quais ao meu ver eram pertencentes? Ou será os próprios lugares que já eram pertencidos o suficiente para me pertencer? É tudo tão confuso… Eu sou confusa.

⁠Havia um miúdinho, sem nome nem passado, nu, esquecido,
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⁠Havia um miúdinho, sem nome nem passado, nu, esquecido, andava sozinho pela rua, escaldante de tão gelada, como sombra sem dono. Tinha um corpo feito de cortes e pedras, parecia ter sido mastigado por calçadas com dentes. Era um pobre coitado, seguido sempre por um cão magro, tão sofrido, igual a ele. Sentavam-se no pedregulho duro à espera de um fim. O miúdo, paciente, esperava que o cão partisse, descansasse no reino dos cães, para então poder matá-la — a fome. O cão, por sua vez, até aprendera a contar horas, de tanto esperar que o miúdo, vermelho de dor, fechasse os olhos e dormisse de vez. Assim, ele saciaria a fome com lógica cruel, mas destino cego. O cão não ladrava, e não sabia truques, era inútil. O miúdo, por sua vez, também não sabia nada, nada lhe ensinaram. Era inocente, imprestável, invisível ao mundo. Ambos só serviam um ao outro, à ninguém mais. Certo momento... o miúdo, já derrotado, deitou a cabeça no granito para poder descansar o seu corpo cansado, o cão, desesperado, cravou como os seus dentes podres no peito nu do miúdo, com dó e piedade, pois isso ainda lhe restava. Mas morreu também, porque o miúdo, coitado, não tinha carne sequer para alimentar um cão.

Joãozinho Tadinho, Tão anão,
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Joãozinho Tadinho, Tão anão, E já se meteu em confusão. Joãozinho não sabia falar, nem dançar, Só sabia chorar, E a mãe, pobrezinha, Só ouvia, sem saber o que fazer. Joãozinho não sabia ler, nem escrever, Mas, sem perceber, Não pôde nem aprender. Joãozinho nem sabia o que era “poder”, Mas não teve tempo de aprender, Pois os homens fardados, Não quiseram deixar-lhe saber. Joãozinho nem sabia o que era um canhão, nem quem tinha razão, Mas sem querer, morreu sem saber.