Às vezes parece
que o mundo para,
estaca
e estanca
a vida.
Não sei se é paz,
ou solidão.
Mas digo de antemão
que o sentimento
apraz.
É quase adormecer,
é quase sonhar...
deixar o tempo
me levar
e me largar
em qualquer lugar!
Que julgassem
meu amor,
meu sonho,
e minha alegria,
mas não cortassem
a felicidade
com a lâmina afiada da mentira.
Porque em meus passos cambaleantes
ainda sou verdade.
Eu hoje estou vestida de linho branco.
Subo as escadas, vejo móveis antigos
e escolho uma "namoradeira".
Vejo crianças pelo recanto,
ouço músicas.
Me afogo no teu colo-canto;
beijo, sorvo e amo.
Tarde faceira com vista de orquídeas.
Sinto-me inteira!
Vôo no vôo da espera da lembrança.
Lembrança boa que não voa.
Os dias não decolam.
Meu coração não aterrissa
e ultrapassa o limite da minha ânsia:
dormir, sonhar e acordar.
O coração explode
num desejo estonteante
de ver e ter.
Inflado por bombas meteóricas, eclode!
Nem é um coração.
É um vulcão derramando e espalhando
lavas de desejo.
A linha é tênue, como eu.
Os afagos não são gratos,
nem os amassos
apertados.
Ando em pedaços
descalços
no asfalto.
Escalo montanhas,
arrasto trilhos,
carrego ninhos.
E ao mesmo tempo
em que brilho,
me ofusco.
A linha continua tênue, como eu.
Me vejo ilha,
compartilhando
sozinha
sentimentos
e amando,
voraz!
Me desprendo das amarras,
volto a ser quem era,
me sinto bela.
Em um pequeno espaço
de tempo
amo, junto meu corpo
e me enrosco
àquele que quero
e espero.
Miro,
cevo,
esquento!
CÍRCULO
(06/04/20011)
Oriundo
mundo
profundo,
rotundo,
fecundo,
onde circundo
vagabundo.
Num segundo
me afundo,
aprofundo,
inundo e
abundo
fundo...
redundo!
Reviraram o lixo.
Muitas coisas
foram reaproveitadas.
Sorveram as latas,
as pets.
Papéis, brinquedos,
e até o resto de comida
que ficou esquecido.
Só não sorveram
a alma de quem,
cuidadosamente,
recolheu
e separou
as migalhas.
Te dou as asas e meu mundo.
Te dou meu mundo e minha vida.
Te dou a vida com meu sorriso.
Meu sorriso com a gargalhada
farta de quem ama.
Te dou também
o brilho dos meus olhos
quando te vejo.
Te dou minha alegria
e euforia
maior a cada dia.
Quanta vaidade
sonhar,
em apenas um mergulho,
lançar
a âncora
dos sentimentos.
Estacionar um momento
vadio, sombrio.
Sou peste!
Peste celeste,
quase agreste,
mas não inerte!
Aperreio é pouco,
quando me chateio!
Quero a paz,
em nome de Deus!
A paz dos meus,
e dos seus.
Aquela que traz
serenidade
quando tentam me subordinar
à iniquidade!
Se não entendi, perdoe...
Se entendi, releve!
Sou afetuosa,
mas casca grossa!
Sou na lata
e desafio
qualquer
faca,
por mais afiada
e amolada.
Mas não corte meu coração,
mereço perdão!
Mereces também!
Te amo com paixão...
Não deixe um vão
na melodia desse acorde
às vezes dissonante,
mas sempre perfeito!