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Frases de Aíla Sampaio

46 frases

Nunca mais era um lugar muito longe para onde ela jamais se permitiria ir.
Enquanto nos recolhemos silenciosos, às vezes até feridos e sem querer aceitar a realidade que nos contraria, a vida gesta novos episódios para a nossa história. Nenhum personagem sai à toa; nenhum entra por acaso. Tudo acontece de acordo com o enredo do Criador e o arbítrio de c…
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Enquanto nos recolhemos silenciosos, às vezes até feridos e sem querer aceitar a realidade que nos contraria, a vida gesta novos episódios para a nossa história. Nenhum personagem sai à toa; nenhum entra por acaso. Tudo acontece de acordo com o enredo do Criador e o arbítrio de cada um. A nossa vida é consequência das nossas escolhas e invariavelmente pagamos um preço pelo acerto ou pelo erro. Só recebemos as respostas para os porquês do que nos ocorre, se aceitarmos que tudo é como tem que ser ou como fizemos com que fosse. Felicidade é pra quem acredita, pra quem faz por merecer. O Amor é somente para os que são corajosos; os fracos não fazem jus ao paraíso. São essas certezas advindas dos sinais que só os corações destemidos entendem que me fazem agradecer e dizer benditas e bem-vindas as boas surpresas do destino!

Era ele, mas quase não era. Ou não era mesmo. As pessoas íntimas quando passam a estranhas adquirem um novo formato aos nossos olhos. O cabelo estava menos liso, ou era a camisa muito largada. O olhar e o aceno da mesa à curta distância tinham um quê nervoso, uma falsa naturalida…
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Era ele, mas quase não era. Ou não era mesmo. As pessoas íntimas quando passam a estranhas adquirem um novo formato aos nossos olhos. O cabelo estava menos liso, ou era a camisa muito largada. O olhar e o aceno da mesa à curta distância tinham um quê nervoso, uma falsa naturalidade que não lhe era comum (ou já era eu não percebia), e deixavam claro que não nos levantaríamos dos nossos lugares para um cumprimento mais próximo. Não que temêssemos uma recaída, mas porque não sabíamos lidar com tamanho esfacelamento da intimidade; nós, que já dormíramos e acordáramos juntos durante tantos anos, não sabíamos ser senão desconhecidos. Ambos tentamos uma alegria, mas ela veio descalça e tão desamparada que não convenceu nem a nós mesmos. Estávamos demais um pro outro ali, ou de menos. Apressei-me em ir embora e saí com um sorriso congelado, desconcertada como uma criança diante de um presente que não fora o pedido, as mãos crispadas a amassar o passado e um pensamento cruel que imaginei passar também pela cabeça dele: como se tornam desinteressantes as pessoas que deixamos de amar!

Chega-se a uma fase da vida em que os subtextos e as entrelinhas das situações saltam aos olhos, em que não se tem mais tempo para esperar indefinidamente, nem disposição para ficar em standy by. Nada de obscuridade ou indefinição; nada de joguinhos ou aventuras arriscadas demais…
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Chega-se a uma fase da vida em que os subtextos e as entrelinhas das situações saltam aos olhos, em que não se tem mais tempo para esperar indefinidamente, nem disposição para ficar em standy by. Nada de obscuridade ou indefinição; nada de joguinhos ou aventuras arriscadas demais. Poucas concessões e inúmeras restrições; muita intolerância a descasos, à falta de consideração e afins. E a certeza das certezas como um mantra: se não se pode ser prioridade, se não se pode estar em primeiro plano, que não se esteja em nenhuma posição. Antes a solidão bem resolvida ao desassossego de uma relação em descompasso de vontades e sentimentos.

O amor às vezes se espatifa no asfalto, se afoga na banheira, vira um caco de vidro debaixo do pé. O amor às vezes redime, noutras condena. É a nossa salvação e a nossa perdição, mais arame farpado que nuvem de algodão, mas quem há de renegá-lo quando ele chega abrindo todas as c…
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O amor às vezes se espatifa no asfalto, se afoga na banheira, vira um caco de vidro debaixo do pé. O amor às vezes redime, noutras condena. É a nossa salvação e a nossa perdição, mais arame farpado que nuvem de algodão, mas quem há de renegá-lo quando ele chega abrindo todas as cortinas e acendendo todas as luzes como se a vida fosse uma eterna festa?

Acho que perdi a disposição pra ficar triste, mesmo que apenas de vez em quando. Também para pagar o preço por felicidades emprestadas, aquelas que, durante algumas horas levam às nuvens, mas, a qualquer instante, fazem desmoronar nosso ânimo e nos depositam na morada de Hades. M…
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Acho que perdi a disposição pra ficar triste, mesmo que apenas de vez em quando. Também para pagar o preço por felicidades emprestadas, aquelas que, durante algumas horas levam às nuvens, mas, a qualquer instante, fazem desmoronar nosso ânimo e nos depositam na morada de Hades. Metaforicamente, claro. O tempo passou pro meu coraçãozinho e ele ficou comodista, não tem mais encanto por flechas de cupido, ao contrário, foge delas com medo da picada. Uma hemorragia a essa altura da vida pode ser fatal. Não quero mais arrebatamentos, ansiedade se o amado não vem, insegurança se ele silencia por alguma razão. Não quero mais borboletas no estômago, a náusea da emoção desordenada; nem ficar alheia olhando o céu, quando o sinal já abriu e as buzinas nervosas dos carros azucrinam. Não, não quero mais esse estado de graça que, ao menor temporal, nos deixa em petição de miséria existencial. Não quero mais arrastar correntes ou vagar pelo deserto quando houver desentendimento. Nada de comportar-me com subserviência diante de grosserias e descasos. Não desejo cobrar ou exigir o que quer que seja; o que vier terá de vir naturalmente como deve ser. Abro mão de dançar na chuva em pleno verão, desisto das constelações que poderia ganhar e do céu que sempre me prometeram mas nunca me deram. Desisto da insana sensação de amar para sempre, da ilusão de que existe eternidade... é tão breve o apogeu nas nuvens e tão dolorosa a queda! Quero mais não! Quero somente ter motivos para manter o sorriso, quero a transparência nos gestos e a verdade com suas botas de couro. Chega de pantufas de lã que não preparam os pés para o chão áspero. Quero a embriaguez do vinho e os olhos fechados para as viagens mais longas; quero a certeza de que tenho os pés fixos à terra, por isso não vou cair a qualquer momento. Chega de vertiginosas derrapagens. O máximo que suporto é um inevitável tropeço. No balanço da história vivida, virei muitas páginas, rasguei outras tantas e recomecei um novo enredo. A cabeça acima do coração, como Deus fez. A alma protegida das tempestades e o corpo sempre pronto pra não ser apenas mais um corpo, porque não pode morrer a poesia; não quero perder a vontade de acordar todas as manhãs, nem a sensação de que a vida pode recomeçar a cada dia. Não acredito mais no pote de ouro no final do arco-íris nem em fadas que transformam abóboras em carruagens. Acredito apenas no que os meus olhos alcançam e as minhas mãos podem tocar. Amor platônico só é bonito na literatura... Na vida, o bom mesmo é a realidade, ainda que com suas cores gris atravessando o azul!

A vida é um permanente ir-e-vir. Uma estação de onde os trens embarcam e desembarcam em curtos espaços de tempo. É nesse ínfimo intervalo entre a partida e a chegada que algumas pessoas saem da nossa história, enquanto outras entram com a sua meta determinada. Temos a pretensão d…
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A vida é um permanente ir-e-vir. Uma estação de onde os trens embarcam e desembarcam em curtos espaços de tempo. É nesse ínfimo intervalo entre a partida e a chegada que algumas pessoas saem da nossa história, enquanto outras entram com a sua meta determinada. Temos a pretensão de impor as nossas vontades e deixamos de entender que as despedidas, como os encontros, são etapas imprescindíveis à abertura e ao fechamento dos ciclos por que temos que passar. Entre as perdas e os ganhos há uma nesga de sol para enxergarmos o que realmente vale a pena. Se nos alongarmos no luto das perdas, passará despercebido o fio de luz que aponta o novo caminho a seguir. Enquanto não deixarmos no passado o que não pode mais ser, impediremos o futuro de se fazer presente e colocaremos em risco, talvez, a nossa verdadeira felicidade. Todas as coisas têm o seu prazo de validade, é necessário permitir que vá o que tem que ir para que o novo chegue e diga a que veio. Assim será sempre até que entendamos ser a vida um jogo cujas peças só mudam de lugar enquanto não encontram o encaixe perfeito, por isso não adianta insistir em mantê-las aonde queremos, pois pode não ser esse o lugar dela... e, enquanto ela não sair, não encontraremos aquela que é realmente a que preencherá a lacuna.

Ela estava ausente. Nada a presentificava onde deveria estar. Nenhum fio de cabelo se movia, nenhuma pálpebra batia, nenhuma lágrima caía. Estava ausente da rua, do trabalho e até do mar que continuava a quebrar nela as suas ondas, como a dizê-la que tudo passaria. Estava fora do…
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Ela estava ausente. Nada a presentificava onde deveria estar. Nenhum fio de cabelo se movia, nenhuma pálpebra batia, nenhuma lágrima caía. Estava ausente da rua, do trabalho e até do mar que continuava a quebrar nela as suas ondas, como a dizê-la que tudo passaria. Estava fora do seu corpo, a embalagem que vestia a sua ausência e fazia os outros acreditarem que ela ainda existia e andava e comia e vivia, quando apenas sobrevivia a si mesma!

Eles se olhavam sempre como na primeira vez, sem se importarem com as ameaças do vento que dizia levar muitos sonhos misturados à poeira. Olhavam-se a despeito de todas as intempéries e desesperanças e plantavam na alma do outro a certeza de que nunca se separariam. HAVIA AMOR, p…
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Eles se olhavam sempre como na primeira vez, sem se importarem com as ameaças do vento que dizia levar muitos sonhos misturados à poeira. Olhavam-se a despeito de todas as intempéries e desesperanças e plantavam na alma do outro a certeza de que nunca se separariam. HAVIA AMOR, por isso venceram os tornados e os redemoinhos; por isso atravessaram o deserto sem jamais sentirem sede ou soltarem as suas mãos. HAVIA AMOR e nenhuma justificativa mais precisaria ser dada pra explicar tão improvável sobrevivência!

A música parou antes do fim da festa. Ela ficou estática no meio do salão vazio, perdida no compasso do silêncio, sem ponto de partida nem de chegada, sem armas no meio da guerra. Restava-lhe escutar os passos da solidão que avinagrava as lembranças boas com a acidez da separação…
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A música parou antes do fim da festa. Ela ficou estática no meio do salão vazio, perdida no compasso do silêncio, sem ponto de partida nem de chegada, sem armas no meio da guerra. Restava-lhe escutar os passos da solidão que avinagrava as lembranças boas com a acidez da separação. Sabia que só poderia ser daquele jeito e mergulhava num abismo irreversível de descrença naquilo que um dia acreditou. Não havia remédio; nada mais remendaria aquela taça quebrada, então precisava não ser, não sentir, até que a vida a tirasse pra dançar outra vez.

Já fui mais dramática, mais atriz. Já simulei desfechos, fiz escolhas por impulso e gritei quando não deveria. Hoje, simplifico a vida, pego mais atalhos, deixo de lado os roteiros complexos e o medo de ser feliz. Aos poucos, deixo de ser um período composto pra virar uma oração…
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Já fui mais dramática, mais atriz. Já simulei desfechos, fiz escolhas por impulso e gritei quando não deveria. Hoje, simplifico a vida, pego mais atalhos, deixo de lado os roteiros complexos e o medo de ser feliz. Aos poucos, deixo de ser um período composto pra virar uma oração absoluta.

Arrisco meus olhos no cinza-escarlate do crepúsculo para que a tua lembrança arda até consumir-se. Preciso queimar-te nas brasas do esquecimento antes que amanheça e a saudade acorde. Quem sabe a memória desvista-se da insensatez da paixão e, por fim, jogue as tuas cinzas ao vent…
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Arrisco meus olhos no cinza-escarlate do crepúsculo para que a tua lembrança arda até consumir-se. Preciso queimar-te nas brasas do esquecimento antes que amanheça e a saudade acorde. Quem sabe a memória desvista-se da insensatez da paixão e, por fim, jogue as tuas cinzas ao vento.