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Frases de Adriana Sydor

29 frases

troco cárcere privado por gafieira de sábado Ah! se eu te dissesse sim, tudo estaria resolvido: sem romance,
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troco cárcere privado por gafieira de sábado Ah! se eu te dissesse sim, tudo estaria resolvido: sem romance, frango assado aos domingos, escuridão à noite, clima familiar, nada de relance. Se eu colocasse o anel, tudo seria encaminhado: mudaríamos o recenseamento, humores às últimas conseqüências, contas a pagar, televisão e sofá, novo financiamento. Se eu caísse na sua, o problema seria outro: abertura de falência, horário não respeitado, visita da família, disputa pelo controle, falhas na jurisprudência. Ah! se eu vestisse o véu, a vida mudaria: férias em dezembro, prisão domiciliar, rotina ordinária, chá das cinco, sem primavera em setembro.

treino é a voz do mar que sinto agora e todo o seu barulho
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treino é a voz do mar que sinto agora e todo o seu barulho explode em meu ouvido como se fosse um tiro um grito, um último pedido o hálito da praia despenca em mim arromba portas invade as paredes quebra vidraças corre como raio me prende e me impede neste quarto onde o mar me habita me deito e me dispo espero.

perpetuum móbile – porque nenhum amor acaba os amantes se separam, se vão. somem no tempo e no espaço. mas nenhum amor acaba. os amores sempre continuam e continuam sempre. o amante vai e o amor fica num objeto da sala, no cheiro de um livro, na cor do dia, numa palavra, num so…
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perpetuum móbile – porque nenhum amor acaba os amantes se separam, se vão. somem no tempo e no espaço. mas nenhum amor acaba. os amores sempre continuam e continuam sempre. o amante vai e o amor fica num objeto da sala, no cheiro de um livro, na cor do dia, numa palavra, num sotaque, na fumaça do cigarro – não há lugar em que o amor passado viva mais que na fumaça do cigarro; no primeiro gole, talvez. a lembrança do amor é o próprio amor. e se ela vive aqui e ali, é só porque o amor também vive. há mais amor na coleção de não-amor do que em qualquer outro lugar. o amor do passado, que vive no presente e que talvez se junte a outros ainda, não é do tipo que faz mal, que move montanhas ou que desassossega a alma. ele só está por ali, por aqui, a pairar feito Gasparzinho. a contar um pouquinho sobre a vida que tivemos, lembrança não autorizada da própria biografia. o amor do passado às vezes provoca curiosidades: uma espiadinha na vida, uma vontade de saber, um relato de episódio, recorte de momentos... sempre que alguém vai embora, deixa um pouco de si no outro. e esse deixar é o amor que continua sempre e sempre continua e faz parte da gente como todas as outras coisas. amor é moto-contínuo.

meus amigos e eu eu e meus amigos estamos a ficar velhos temos todos, eles e eu, cabelos brancos
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meus amigos e eu eu e meus amigos estamos a ficar velhos temos todos, eles e eu, cabelos brancos vontades próprias, passado numeroso e algum problema nos joelhos os meus amigos e eu aprendemos algumas coisas e nos entulhamos de fotografias nós não confiamos mais na memória mas nos damos ao luxo de decorar poesias todos nós temos mais passado que futuro e a morte nos ronda e a vida nos convida e resolvemos largar as certezas eu e meus amigos sentimos saudade de um corpo durinho nos orgulhamos das rugas e não nos faltam truques, disfarces de idade nós pensamos em contas a pagar e na realização de sonhos apagamos algumas histórias e damos novo contorno às narrativas os meus amigos e eu conhecemos os limites do corpo visitamos o doutor, usamos lentes e agora entendemos que simples exame de sangue é variação de humor em desespero ou contente todos nós, todos os dias, enganamos os ponteiros e pedimos um pouco mais de tempo inventamos novos planos e lentamente nos movemos nos tabuleiros

talvez a minha irresponsável perda de tempo com a escrita esteja a visitar estrelas, altura astronômica. não importa, insisto. na escrita que aprendi a conversar, ouvir, ver. acho que é por causa dessa narrativa constante que fica se formando na cabeça para explodir em desabafo…
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talvez a minha irresponsável perda de tempo com a escrita esteja a visitar estrelas, altura astronômica. não importa, insisto. na escrita que aprendi a conversar, ouvir, ver. acho que é por causa dessa narrativa constante que fica se formando na cabeça para explodir em desabafo de letras é que a alma não atrofia e consigo perceber os instantes longe da catarse.

o outono está no fim. caíram as folhas, os cabelos, as saias. logo o ar impassível desabará sobre nós e o vento cortante rasgará nossas fibras. as lãs sairão dos armários e os jeans se misturarão a botas, luvas e capas. as gentes esconderão o corpo, às vezes com elegância e digni…
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o outono está no fim. caíram as folhas, os cabelos, as saias. logo o ar impassível desabará sobre nós e o vento cortante rasgará nossas fibras. as lãs sairão dos armários e os jeans se misturarão a botas, luvas e capas. as gentes esconderão o corpo, às vezes com elegância e dignidade, às vezes com extravagância e agrura.

o que cabe no silêncio todas as palavras do mundo, as promessas
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o que cabe no silêncio todas as palavras do mundo, as promessas e quase todas as brigas. todos os sofrimentos as alegrias, e tudo aquilo que quero que me digas. todo o encantamento, o barulho, o borbulho e tudo que a alma investiga. toda a maldade, o perdão, e toda a fadiga. todo o carinho, a raiva, o amor e tudo que a vida obriga. todo som, o canto e tudo aquilo que mastigas. o suicídio, o fim da linha e tudo que intriga. o começo da história, a memória, o resumo e todo o trabalho de formiga. todo o perfume, o desejo, o ensejo e toda palavra bendita. tudo, tudo, tudo cabe no silêncio que periga, mendiga, religa e está lá, na velha cantiga.

há, entretanto, o olhar pra frente, o saber-me mais, reconhecer-me melhor, mais cheia de eus e de nós e de tus. uma espécie de segurança sobre mim mesma que só se afirma com o passar do tempo e o olhar que se apura a partir da experiência. a auto-permissão para viver algumas cois…
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há, entretanto, o olhar pra frente, o saber-me mais, reconhecer-me melhor, mais cheia de eus e de nós e de tus. uma espécie de segurança sobre mim mesma que só se afirma com o passar do tempo e o olhar que se apura a partir da experiência. a auto-permissão para viver algumas coisas. \

com o infinito ao redor sem saber da chuva que chovia nem ligar para a moral
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com o infinito ao redor sem saber da chuva que chovia nem ligar para a moral dos grandes homens dormia na rede. e o dia passava lá fora sem lembrança porque o sono não era vida nem formava história. sonhava barulho dos sapos passarinhos e água que caía. sonhava com uma baía e uma ilha com grama do continente e uma chaminé que soluçava fumaça azul. e no sonho ouvia um galo chorando o latido longe de um cachorro velho e os primeiros grilos do mundo. sonhava com brisa fresca com sol que não existia e risadas de meninas. sonhava os prazeres carne e espírito cama e mesa fluidos, toques e versos. sonhava beijo e anoitecer gafieira, pastel, cuba-libre. dormia.

grau moro nos olhos do amado, endereço definitivo,
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grau moro nos olhos do amado, endereço definitivo, onde começo e termino sussurro e gargalho desfilo e prometo. ouço os seus olhos como sol de manhã de primavera feito brisa de janeiro imensidão de espaço nós de todos os laços. o conjunto dos seus olhos me diz que ele é meu que me quer ser sua que sou sua. a voz dos olhos do amado tem orvalho fresco e canta música suave que me inventa e me descobre me mata, me move, comove. são os seus olhos que eu quero colados em mim em linha reta ou em curvas para o tato e a conversa.

recomendações não se machuque, meu amor não deixe que o mundo te fira
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recomendações não se machuque, meu amor não deixe que o mundo te fira que as curvas te enganem que a paixão te sufoque meu amor, acorde e olhe em volta aprecie a vista solte os cintos e se jogue não sofra, meu amor largue os pesos esqueça o passado deixe que tudo se renove é na leveza que o amor se faz na fruição da carne e do espírito no ar puro da manhã o que não for assim, revogue

ponto cortei pedaço de mim fatia de prazer, a parte do amar
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ponto cortei pedaço de mim fatia de prazer, a parte do amar cortei o que era sem fim. bamba, amputada, dolorida me despedaço pela rua suicídio com bala de festim. na despedida, o olhar do erro da vontade e do medo o desejo dos beijos de carmim. me reviro no sofrer na lembrança do sonho no trevo desfolhado do jardim. arranco imagens e me enterro o tempo não existe o amor é estopim.

para apagar no dia seguinte tenho ideias madrugueiras chegam como se fossem o último ônibus
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para apagar no dia seguinte tenho ideias madrugueiras chegam como se fossem o último ônibus me apressam a sair da cama a largar o sono a temperar a alma. batucam em minha cabeça a força de mil tambores não me deixam dormir acendem chama são meus donos me tiram a calma. se cedo e levanto viro costureira que tece ponto a ponto pano que não termina nem começa coisas de amores, dores, rumores. ao primeiro raio tudo se aquieta e o que era ideia permanece o que era insônia desconto.

do amor eu falo de amor em outra língua as vezes ocupo olhos para ouvir
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do amor eu falo de amor em outra língua as vezes ocupo olhos para ouvir uso as mãos, sei pelo cheiro e declaro na canção eu trato do amor no avesso no inverso, no contrário o oposto que é meu reverso a imperfeição de mim no descompasso, converso eu caminho pelo amor como quem anda ou quem corre melhor, quem para e no beijo morre eu sei do amor na boca e no corpo sinto o amor na alma em incêndio essencial tormenta, cometa e vendaval

justeza toda mulher deveria ter um amor a lhe chamar de princesa, e esse amor lhe pentear os cabelos
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justeza toda mulher deveria ter um amor a lhe chamar de princesa, e esse amor lhe pentear os cabelos e lhe depositar flores frescas no colo e beijar sua mão e segurar-lhe nos braços e pintar-lhe em quadro e esquentar seus pés nas noites frias toda mulher deveria poder, uma vez, se entregar sem medo e receber doces e brilhantes, e rir com graça para os feitos do amado toda mulher deveria ser amada por seus modos femininos, e suas variações de felina e nadar nas próprias águas e estampar notícias de jornal em declarações de amor toda mulher deveria ter um homem para amar e lhe convidar ao devaneio e lhe improvisar jantares em jazz e sabe-lo mais importante que todas as estrelas toda mulher deveria amar o mesmo homem por uma vida inteira e transformar a eternidade no dia de hoje e lhe confessar, na ponta dos dedos, os sentimentos e fazer convite à maré cheia e à lua nova e lhe sentir sol de meio dia toda mulher deveria conhecer o amor nos olhos do amante e lhe servir de espelho

blim blom namorar é um jeito de transbordar. é derrubar por cima do copo, por baixo da roupa, por dentro do corpo as práticas do amor. o namoro tem caprichos, urgências, desejos, eternidades. tem as temperaturas do verão dentro do quarto e os arrepios dos pelos em pico no beijo…
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blim blom namorar é um jeito de transbordar. é derrubar por cima do copo, por baixo da roupa, por dentro do corpo as práticas do amor. o namoro tem caprichos, urgências, desejos, eternidades. tem as temperaturas do verão dentro do quarto e os arrepios dos pelos em pico no beijo de despedida. há mimos, caminhos, nuances, histórias e confissões. os dedos dos últimos românticos se entrelaçam em loucuras. o namoro conhece todas as peças do jogo. às vezes finge que não é. às vezes finge que é. e sabe que só acontece de verdade em salivas e suores, olhares e juras, futuro e caminho. namorar é distrair, perder a hora, largar o compromisso e não ter vontade de ir embora. é mais, é o enfeite da vida, é tudo no agora.

classificados procuro por versos de amor precisam ser singelos, claros, diretos.
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classificados procuro por versos de amor precisam ser singelos, claros, diretos. têm que contar sobre uma vida inteira dos elos dos amantes e caber num único instante. não exijo rima nem métrica mas é obrigatório a cor lilás do fim das tardes de verão procuro por versos de amor que escorram de bocas molhadas em luas e vidradas em beijos opcional, tragam palavras novas e que elas despertem vontades e se transformem em música não em música de ouvir, em música de verdades procuro por versos de amor…

tenho a impressão de que tudo que escorre para o papel é uma espécie de resquício de mim, um resto, vestígio de alguma dor ou alegria que finjo. mas, definitivamente, só finjo aquilo que sinto. talvez as palavras sejam como lágrimas. gotas que não são boas ou ruins, mas que são b…
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tenho a impressão de que tudo que escorre para o papel é uma espécie de resquício de mim, um resto, vestígio de alguma dor ou alegria que finjo. mas, definitivamente, só finjo aquilo que sinto. talvez as palavras sejam como lágrimas. gotas que não são boas ou ruins, mas que são boas ou ruins. o eterno exercício da comunicação, a tentativa sem fim de dizer o que não é pra ser dito, todas as emoções a pular, se jogando, suicidas, e se espatifando no teclado.

não se apresse na volta não se volta ao amor assim, machucada
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não se apresse na volta não se volta ao amor assim, machucada não se visita o amor com mágoas novo amor velho amor, amor não merece liquidação dos dramas transbordar de dores memória corroída chansons que derramam pesares e esperanças amordaçadas há de se respeitar o amor e não obrigá-lo a mesquinharias dos outros tempos de todos os tempos para o amor, foro limpo bons tratos. pousá-lo no colo e acariciá-lo como se um gato ou flor ou livro não se volta ao amor com coleção completa de desdéns todas as figurinhas a suplicar, ponto por ponto, imagens dos espelhos camélias desfolhadas lenços encharcados isso não se faz assim não se volta ao amor