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Frase de Adriana Sydor

grau moro nos olhos do amado, endereço definitivo, onde começo e termino sussurro e gargalho desfilo e prometo. ouço os seus olhos como sol de manhã de primavera feito brisa de janeiro imensidão de espaço nós de todos os laços. o conjunto dos seus olhos me diz que ele é meu que me quer ser sua que sou sua. a voz dos olhos do amado tem orvalho fresco e canta música suave que me inventa e me descobre me mata, me move, comove. são os seus olhos que eu quero colados em mim em linha reta ou em curvas para o tato e a conversa.

Adriana Sydor

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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troco cárcere privado por gafieira de sábado Ah! se eu te dissesse sim, tudo estaria resolvido: sem romance,
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troco cárcere privado por gafieira de sábado Ah! se eu te dissesse sim, tudo estaria resolvido: sem romance, frango assado aos domingos, escuridão à noite, clima familiar, nada de relance. Se eu colocasse o anel, tudo seria encaminhado: mudaríamos o recenseamento, humores às últimas conseqüências, contas a pagar, televisão e sofá, novo financiamento. Se eu caísse na sua, o problema seria outro: abertura de falência, horário não respeitado, visita da família, disputa pelo controle, falhas na jurisprudência. Ah! se eu vestisse o véu, a vida mudaria: férias em dezembro, prisão domiciliar, rotina ordinária, chá das cinco, sem primavera em setembro.

trem minhas malas estão prontas sei que não voltarei mais
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trem minhas malas estão prontas sei que não voltarei mais nunca mais. arrumei tudo, shampoo, escova e tamanco aquele vestido de borboletas e a bolsa azul. etiquetei a bagagem meu nome, meu sangue toda minha história e dois cadeados três cartas de lembrança e o velho anel. pesam muito minhas malas a vida inteira ali dentro mais a saia reta e o scarpin marrom dois amuletos, a fotografia dos meus pais e as anotações para o futuro. não voltarei mais nunca mais e levo na bagagem a certeza da vida que passou a camisa de gola rolê os cartões para colocar no correio e todas as esperanças. embarcarei no trem das oito as duas malas prontas a vida inacabada e a certeza que não voltarei não me falta nada carrego o creme para as mãos, a calça de botões dourados e o crucifixo no pescoço. na partida, nada ficará de mim não haverá traço, marca ou memória. passagem nas mãos os documentos guardados a coleção de lenços, o casaco de frio, a imagem do santo e a certeza que não voltarei mais. voarei livre e leve como se não tivesse comigo as partituras da nossa música a camisa verde de chiffon e a maquiagem provisória. levo tudo comigo as malas cheias de vestidos papeis antigos e um biscoito para o caminho e a certeza que não voltarei que não voltarei nunca mais.

estampas de solidão uma joaninha que pousa em folha ou um jogo de xícara e pires
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estampas de solidão uma joaninha que pousa em folha ou um jogo de xícara e pires uma mulher que entra no mar ou um envelope vazio uma taça, um vinho e um saca-rolha ou uma ilha pra cá do arco-íris como uma tarde de frio ou um vaso de cristal uma bola de sabão, um balão ou um longo e agudo assobio um sol depois do vendaval ou um observador que vê constelação como um barquinho em meio ao temporal ou um percurso de rio um momento de decisão ou uma cera sem pavio um retrato de funeral ou um violão vadio assim é a solidão e um texto sem final

marido se você agora puxar do bolso de dentro do paletó um livrinho com poemas de Bandeira
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marido se você agora puxar do bolso de dentro do paletó um livrinho com poemas de Bandeira ou um lenço, fios de linho, bordado com uma letra só se você me olhar bem fundo e mentir de brincadeira que sou eu aquela de quem não teme eterno nó... ou se me pintar, sem rascunho, com cores de nanquim se bem agora você passear por meus ouvidos com sussurros, gemidos e declarações sem fim eu te juro, bem agora, troco teu apelido, te faço marido e digo sim.