Frase de Eduardo Barcellos Penteado
HIERONYMUS Eduardo B. Penteado Corria como uma criança barroca em êxtase Fugindo do asilo pós-moderno onde guardavam as pessoas sãs Onde as inscrições em sânscrito Brilhavam qual luz negra nos neons de vielas sujas E onde ultramodernas mulheres gordas sacolejavam Sobre pedestais de cera Vendendo seus corpos à pederastia de origem nobre Um quadro roto de Hieronymus Bosch Decorava a fachada do bordel Alguns executivos recolhiam seringas usadas na praça do chafariz Sob o açoite de Pan... ...pan, pan, pan, fazia a chibata nas idéias do rei morto Do rei posto em liberdade pela morte às avessas “Libertas”, bradava o pequeno coral de querubins Lindo asilo, lindo asilo! De alicerces corroídos por roedores de olhos azuis Cuidado com as sentinelas! As sentinelas estão mortas e apodrecem nas guaritas “Libertas”, bradava o pequeno coral de querubins Da torre da catedral em chamas Os sinos tocavam um tango de Astor Piazolla A rainha estéril abortou E fez amor com o arlequim de vidro No canto do pátio A língua do bardo é devorada por saúvas No canto de uma ave cega Um nó na garganta me lembra a forca e o cadafalso O sol se põe atrás dos muros, mas torna a subir A imagem do bardo moribundo Entreabre as portas que pensei ter trancado E por entre seus lábios pretos e rachados pela morte Sopra uma praga mais implacável que a peste E, das catacumbas, os querubins ecoam... “Libertas, libertas, Libertas!”
No pensador.ai desde