Frase de Eduardo Barcellos Penteado
À IMOBILIDADE DO VENTO Eduardo B. Penteado Adeus, folha solta ao vento Arranquei-te de meu corpo Podei-te de minha alma Como um cego executa uma cirurgia Queria esvair-me em hemorragia Pois tua seiva eu não mais queria Tu eras a última folha de outono que não caía Era a tua presença única e exclusiva Que me protegia Mas sempre busquei aventura na secura De minhas artérias vazias Mas por que não fazer-te testemunha De minha própria morte? Tua resposta repousa em tua própria sorte A folha gira solta e livre no horizonte E aos prantos, transforma-se em ave Criou asas, não mais depende do vento Paira no ar E com um último olhar Fulminante Cantarola e voa em disparada rumo à vida Ao sol E ao esquecimento Adeus, folha solta ao vento.
No pensador.ai desde