Frase de Pablo Filgueiras Soares da Silva
Tic Tac O tempo passa, as pessoas falam, eu olho — mas não enxergo. Escuto — mas não ouço. Como se tudo fosse silêncio e eu, um eco esquecido. Estar presente ou não, já não faz diferença. Invisível, me tornei sombra de mim mesmo. Quem sou eu? O que sou eu? Quem devo ser? Quem quero ser? As perguntas antes iam, agora ficam. Martelam. Perturbam. Enlouquecem. No peito, bate a falta. Falta de algo, de alguém, de um gesto, de um olhar, de um abraço, de um toque, de um sorriso, de uma palavra. O peito está vazio. Todos levaram o que havia. Um amor? Já não existe. Uma felicidade? Se foi. Resta um corpo, vazio, com uma máscara sorridente trincada, empoeirada, cansada. E ainda assim, ele anda. Como se tudo não estivesse mudo. Como se tudo estivesse bem.
Pablo Filgueiras Soares da Silva
No pensador.ai desde