Frase de Pablo Filgueiras Soares da Silva
Carta ao que ainda sente Anápolis, 27 de outubro de 2025 Hoje, escrevo não para o mundo, mas para mim. Para aquele que há vinte anos rabiscou num caderno uma verdade que ainda pulsa: “O verdadeiro solitário é aquele que, mesmo rodeado de milhares, ainda se sente sozinho.” Essa frase me define mais do que qualquer outra. Porque, ao longo da vida, não busquei apenas coisas — busquei sentidos. Amor que não machuca, felicidade que não se esconde, alegria que não precisa de plateia. Busquei companheirismo sem cobrança, aceitação sem máscaras, silêncio que não fosse abandono. Mas o mundo mudou. Ou talvez tenha apenas se revelado. As relações se tornaram rasas, os sentimentos, ensaiados. Aprendemos a fingir tão bem que esquecemos como é sentir de verdade. E, nesse teatro diário, o “está tudo bem” virou nosso papel principal. Dizemos isso mesmo quando não está. Porque admitir tristeza virou sinônimo de fraqueza. E fraqueza, hoje, não é aceita. Estar doente, estar triste, se sentir sozinho — tudo isso virou sinal de que algo está errado com você. Então nos condicionamos. A sorrir por fora e chorar por dentro. A incentivar o outro quando, na verdade, era a nossa alma que pedia por incentivo. A oferecer colo quando o que mais queríamos era um abraço silencioso. Ser forte o tempo todo cansa. Mas fingir força o tempo todo… isso esgota. E aí, aquela pergunta que me fizeram anos atrás volta a ecoar: Você vive ou morre todos os dias? A resposta continua a mesma: Eu não sei. Mas talvez escrever isso seja um começo. Talvez admitir que não sei seja, enfim, um ato de coragem. Porque sentir não é fraqueza. Sentir é o que nos torna humanos. Com verdade, Pablo
Pablo Filgueiras Soares da Silva
No pensador.ai desde