Frase de FabioDiRocha
PONTO E VÍRGULA NO ACASO Vamos então tentar e ver o que acontece Pois quero encontrar apenas os que se sintam Tocados pelo sangue, fluídos e cântico negro nos lábios Vamos então tentar e ver o que acontece Apenas o momento em que o velho sonho Torna-se uma outra tempestade Vamos somente os que carregam um peso Que anule a eternidade imutável das coisas Os que dizem aqui e agora E sentem a cada passo um golpe de vento no rosto Vamos então tentar e ver o que acontece Aqueles que têm nas entranhas uma animalidade mutante e são hábeis em esquivar-se Vocês que desistiram do para sempre e desde sempre E sem nenhum apelo às recordações Vivem um milênio em explosões de lenta combustão Vamos então tentar e ver o que acontece Subir bem alto na torre de televisão Para um olhar mais amplo nos teus estranhos lugares Pois não dou a mínima para os que querem ser compreendidos... Só me venha os que se entregaram aos seus desertos Vamos então tentar e ver o que acontece Nós, os porta-vozes da agonia Os que afirmam a divergência E se esbaldam no descentramento Os que sentem a gravidade de carcará Aqueles que se interessam pela suculência do andar Os que vivem de flores e pássaros Aqueles que colocam a montanha no topo das coisas Vamos então tentar e ver o que acontece Somente os da chama incorporal Os intensos em termos de afetos Apenas os que encararam um banho frio na madrugada E os que descem suficientemente fundo para Alcançar a superfície veloz da alma do osso Vamos então tentar e ver o que acontece Alguma coisa incompreendida no que venha a ser Vamos absolutamente ficar sobre ela Chocá-la como a um ovo Tentar ,um instante que seja, as torrentes Distante dos nossos aposentos Vamos, os que podem, num piscar de olhos... Sem memórias, costumes e leis Somente com as nossas pontes Vamos de passagem...e nada de interiorizar a dor Sair num continuum de movimento E me traga na mochila apenas os fluxos emergentes E novos jeitos de experimentar Vamos logo se atirar um no outro Dando linguadas e limpando o vazio à nossa volta Vamos então tentar e ver o que acontece Você que tem o espírito de fugir Você e seu devenir ilimitado Você que subverte as alturas E instaura o caos no corpo Pois quero apenas o mergulho com os que têm um segredo anárquico e romântico do lado direito do peito E um vício inocente por destruições e abalos sísmicos Vamos então tentar e ver o que acontece Se teu vento se vem e se vai sem pedir licença Vamos...apenas os que deixaram de opinar E os que chegam atrasados e nunca vão adiante Pois só desejo o frêmito que me causa A incontrolável ardência de bocas cerradas Pois só acredito nos estranhos nas locomotivas...nos cavalos... Nos que se cansaram das expressões e aparências E fogem, fogem, fogem da languidez e paralisia Naqueles em que o ódio é muito mais que uma munição vazia Nos que desacreditam da morte E naqueles em cuja estação dos pés...todos os alvos já foram abatidos Nesses que agarram e se enroscam na crista da onda sem nunca olhar para trás... Nos sedentos pelo fim de partida Calma! Isso é apenas o começo da estrada! Tem sempre algo mais Não se deixe capturar facilmente Minha loucura irá buscar esses espaços quaisquer em que face a face estaremos rindo e atravessando todos os vales e lágrimas... Pois as solas de meus pés também estão sensíveis como se fossem fios elétricos.. Por isso vamos tentar e ver o que acontece....
No pensador.ai desde