Frase de Oswaldo Jesus Motta
Invisíveis Caminhava. Um chamado, baixo, insistente: - ei... ei... Parei. -Moço... você me vê? Vi. Mas hesitei na resposta como quem mede o peso de existir. -Porque passam... e não olham. -Digo "bom dia" o ar responde. Fez uma pausa, dessas que não cabem no tempo: -Será que estou invisível... ou já não vivo? Engoli seco. A cidade seguia indiferente, intacta. -Não - eu disse -é o mundo que desaprendeu a enxergar. Estamos todos à procura de algo: um rosto que devolva o olhar, uma palavra que permaneça, uma mão que não atravesse a nossa. Ele sorriu - quase luz, quase ausência. Vá com Deus. E partiu devagar, como quem já sabia o caminho de desaparecer. Fiquei. E desde então, quando passo por alguém, carrego o medo súbito de também não ser visto.
No pensador.ai desde