Frase de M.S. Fieri
Não temo a agulha. Temo o silêncio que ela não consegue romper. Enquanto o aço atravessa minha pele, procuro, em segredo, a esperança de que alguma dor seja finalmente maior do que aquela que habita em mim. Mas a ardência é breve. A carne se abre. O sangue responde. E, ainda assim, há um lugar onde nenhuma ponta alcança. É estranho. O corpo insiste em sangrar como se ainda estivesse vivo, enquanto a alma, exausta de tantas guerras, já não distingue o que é ferida e o que é memória. Tatuei lembranças na esperança de sepultá-las sob a tinta. Mas descobri que a pele não guarda o passado. Ela apenas lhe oferece um novo nome. Talvez seja esse o castigo de quem sobreviveu demais: não sentir a dor quando o corpo é atravessado, e perceber que o verdadeiro abismo nunca esteve na carne. Sempre esteve naquilo que nenhuma agulha foi capaz de perfurar. -M.S. Fieri
No pensador.ai desde