Frase de M.S. Fieri
Ora... será possível erguer-se novamente diante da queda dos anjos? Será possível assistir, mais uma vez, ao mundo repetir o mesmo ciclo de ruínas, como se o tempo jamais tivesse aprendido com as próprias cicatrizes? Já não sei se fui fadado à cegueira, por não enxergar o que ainda insiste em florescer, ou se me tornei surdo aos ecos do meu próprio coração. Talvez nem mesmo o tato reconheça aquilo que a vida ainda espera de mim. Permaneço sentado, recolhendo os últimos fôlegos antes que a noite reivindique meu nome. E nem mesmo as nuvens, que guardam as estrelas até a hora exata de revelá-las, conseguem esconder o desinteresse que tomou conta de tudo aquilo que sou. Há tempos já não sinto o gosto das coisas. Como se o ódio, paciente como a ferrugem, houvesse atravessado meus ossos e aprendido a chamar meu corpo de casa. Poderão culpar a bebida. Mas ela nunca foi meu vício. Poderão culpar a dama que um dia encantou meus olhos. Mas não foi ela quem transformou minha alma nesta terra seca, onde nem o vento encontra coragem para semear. Por isso, Pai... quando chegar a minha hora, não me conceda monumentos. Coloque-me apenas a sete palmos do chão. Que a minha angústia alimente as raízes de um velho carvalho. Que crianças encontrem sombra onde um homem já não encontrou paz. E, se nem isso me for permitido, então toma o Teu vento e espalha a poeira que restou deste soldado, não para que o mundo se lembre do meu nome, mas para que, ao menos uma vez, a guerra abandone o meu coração. - M.S. Fieri
No pensador.ai desde