Frase de Fábio André Malko
NOVA SEMANA (Fábio André Malko) No limiar da nova semana que se estende faceira, sorrindo zombeteira e antecipando o regozijo pelos sonos perdidos, sofrimentos, paixões ardentes ou verdades descrentes. Semana nova, irascível, não se surpreende com a estupidez humana que sofre por antecipação, por loucuras e devaneios que jamais existirão. Esse sofrimento é tudo menos belo, pois dá vida e forma o elo entre o que não existe e nossa condição onde o sofrimento é real. Se não fosse essa condição humana de sofrer por algo que não existe, o irreal não teria onde se expressar. Não teria como incomodar nem mesmo pré-ocupar e assim, não existiria de vez. O não real existe através da pré-ocupação das mentes que lhes dão vida. A fatalidade de uma nova semana vem como o crivo da flecha que disparada, exclama, “sou livre, sou livre”. Tola insensata, estás com a trajetória marcada pelo atirador e não lhe compete escolher se tombará sem vida o inimigo ou se crivarás seu destino no solo antes estéril e agora coberto de sangue. Semana nova que sempre vem é terreno fértil para cultivar as farsas pessoais, os sofrimentos débeis, onde a pré-ocupação vem com seu papel principal, e não como mera coadjuvante na cena das insatisfações. Semana nova, vida nova, paixões antigas e o ser humano mais uma vez sendo o que é: tudo menos humano.
No pensador.ai desde