Frase de Bruno Mamprin
Uns dizem que é a morte. Outros, que é perder alguém querido. Mas só quem está diante de uma folha em branco sabe o que é medo de verdade. Não é bem coragem. Também não é preguiça. Tampouco o tal bloqueio criativo. É medo, mesmo. Pavor. Paúra.A folha te desafia tipo um comediante na fila da farmácia que é abordado por uma senhora emocionada que lança, na lata; "vai, conta uma piada que eu tô no facetime com a minha neta". É um desafio covarde, porque ela tem todos os argumentos, sabe? Meio como se ela te dissesse; " e aí, é só isso?" Ou, pior; " Já acabou?" É vexaminoso, cara. Até porque, ela tá ali - ao seu dispôr, aceitando QUALQUER COISA. Ou vai dizer que nunca ouviu que papel aceita tudo? Pois é, aceita mesmo. E é isso que corrói as entranhas. Isso que te mata a conta-gotas. Ela te provoca com aquele olhar irônico daquela loira linda e popular do terceiro colegial e você é o esquálido acneico dono do video game da oitava série que só queria perguntar se ela queria suco de acerola e pão de forma com presunto que você trouxe na lancheira mas não comeu no recreio. É isso que ela faz com você. Ela te humilha sadicamente. Gosta de te ver suando feito uma cuscuzeira enquanto observa do alto de seu formato A4 e seus 120 gramas. É pior que um banho gelado às 5 da manhã que o coach tenha mandado você tomar. Pelo menos o banho você entra e sai e acabou. A folha não. Ela se deleita vendo você roer canetas e abrir e fechar abas mentindo para você mesmo que, em breve, vai começar. A cada início de estrofe, uma explosão de riso. Daqueles que você dá em audiência na frente do juiz, sabe? Que você tenta segurar mas sai pelas ventas e parece que você está vazando. Então, é assim que ela ri De você. Mas não tem problema. O mundo dá voltas. Amanhã há de ser outro dia. Uma folha em branco novinha pronta para reiniciar o ciclo de humilhações. E eu, como boa mulher de malandro estarei aqui, para me deliciar com esse masoquismo saboroso que só ela pode proporcionar.
No pensador.ai desde