Frase de Bruno Mamprin
Quem é ela que estilhaça minha janela Que pinta meuvidro como se usasse aquarela Que tilinta suave e estridente ao mesmo tempo, como se tentasse, sutilmente, desafiarminha inquietude com leve espiadela. Rajadas frequentes como se estivessem voltando os bravos sentinelas Só pode ser ela, trazendo renovação e calmaria em meio ao caos, como se a colher de pau surrrasse a desgastada panela. Oh, chuva! Peço que não caia devagar, que molhe esse povo e os deixe chorar! Mas nãoos deixe largados em qualquer viela. Suas lágrimas devem confluir com suas gotículas e inundar as mazelas que por aqui se instalaram por pura falta de amor, cravo e canela. E ela parece brava, do jeito que Yansã gosta. Senhora do amanhecer, onde sua espada brilha, pra nos proteger. Enquanto aqui permaneço, jogando mais tinta na tela, tentandoadmirar intra-janela, me dou faltada cor amarela. Nada é tão mágico se não tiver amarelo. Um colorido sem amarelo é um pé doente sem sua chinela. Parece completo. Parece. Olha lá, além da favela, ao leste Ele surge me dando logo uma vívida e escaldante piscadela. Pronto, agora não falta mais nada A paleta da natureza está completa Posso voltar a dormir. A chuva ainda cai E eu posso fechar minha janela.
No pensador.ai desde