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Frase de j g araujo

"Você" Hoje sinto-me só, neste abandono que põe na alma da gente um não sei quê... Para dentro dos olhos vejo o outono, paisagem cor de cinza e esse ar de sono que em plena primavera ninguém vê... Não é tristeza propriamente: é esplim; nem sei se é esplim: é um sentimento vago; hoje sinto-me só, sinto-me assim como a flor que lá fora no jardim a aragem despetala num afago... Finíssima neblina há no meu Ser e em minha alma tristíssima faz frio, - se lá fora há calor, e ouço o prazer cantando na alegria de viver, por que no meu destino esse vazio? Hoje sinto-me só e há uma tortura nessa profunda e impenetrável mágoa... Minha vida é uma sombra... é uma figura que se debruça numa noite escura no olhar parado de uma poça d'água. Hoje sinto-me só... e faz-me mal ficar só, quando a noite está tão calma. . . Quanta gente infeliz, sentimental, sentirá, com certeza, uma ânsia igual à que eu sinto rondando na minha alma... Pela janela aberta entra o bafio morno, de um ar que embriaga e que perfuma; vem da sombra um rumor, um murmurio, talvez, - quem sabe? - passe adiante um rio... Mas bem sei que não passa coisa alguma... Esse rumor que chega aos meus ouvidos que impregna o ar assim, esse rumor, é a canção de mil beijos escondidos, de lábios entreabertos e vencidos que se procuram na ilusão do amor... Eu sei bem por que sofro e o que eu almejo, minto afirmando que não sei porquê, - falta uma boca para o meu desejo, falta um corpo que eu quero e que não vejo, Falta, por que não confessar?... Você!

j g araujo

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Pensador.com

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"Oração" Eu que não tenho deus, eu que não tenho crenças Eu que não tenho santos, Desde que te vi, Todas as noites à hora de me deitar Cerro os olhos e penso em ti... E todas as noites, desde então Sem querer Sem notar, A minh`alma em meus lábios começa a rezar... Todas as noites, à hora de dormir, Digo o cântico dos cânticos da minha oração... E quantos terços rezo em teus lábios, enchendo-os De rosários de beijos No altar onde te vê minha imaginação... Todas as noites, Nas horas doces em que me abandono Como à espera do sono, Em minha estranha liturgia Tomo-te entre os meus braços, triunfante, E penso tudo o que desejo e quero Se fores minha um dia... Eu que não tenho deus, eu que não tenho crenças, De olhos cerrados a esperar o sono Ou fitando as belezas das noites tranqüilas, Também sei rezar... - no meu templo, que tem por vitrais as pupilas, diante da tua imagem toda noite eu digo uma oração de amor antes de me deitar: "Bendita sejas tu entre os meus braços! Bendita a nossa vida pelo nosso amor E bendito, também, O pecado que um dia há de tornar-te minha, E há de unir numa vida as nossas duas vidas... Amém..."

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" Carnaval " Ela passou na minha vida vazia de boêmio e sentimental, como passa num ano de tristeza o relâmpago de alegria do carnaval... Seus braços me envolveram como serpentinas frágeis, de papel, e se romperam coo as serpentinas que se arrebentam quando o vento sopra e se soltam no céu.... Ela passou na minha vida, assim, tal como passa na monotonia de uma existência banal, a furtiva beleza e a loucura de um dia de carnaval !... Nossa história, - o romance desse dia sem ódio, sem despeito, sem rancor, sem ciúme, nem podemos lembrar, teve o destino irreal de toda fantasia e a existência de um jato de lança-perfume atravessando no ar... O nome dela, não sei; ela não sabe o meu, - que importa ? - não faz mal... - Não fôssemos nós dois apenas fantasias não fosse a nossa história apenas carnaval !...

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Fim de Romance " O envelope pequeno, cor-de-rosa, a letra fina, trêmula e nervosa traçara um nome: o meu... Abrindo-o, tinha as mãos frias, tremendo, e olhos nublados, sem querer, fui lendo o que ela me escreveu: "... Perdoa, meu amor, se és o culpado deste fim de romance, - o teu ciúme por tanto tempo tem me torturado que hoje inquietantes proporções assume. Ele povoou de sombras o meu passado, passado que em tão pouco tempo se resume: alguns anos vazios, e um punhado de sonhos que murcharam, sem perfume. No presente, tornou-nos infelizes... Se te fez desgraçado, a mim também, mas já não quero que te martirizes... É preciso que eu parta e isto te diga perdoa pois quem tanto te quis bem, sou, tua muito desgraçada amiga..." Vinha depois seu nome, vinha um nome que da minha alma o tempo não consome e eu vivo a soletrar, desde a alvorada até que a tarde desce, se de dia é meu canto, é a minha prece à hora de me deitar!...

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"Maldade " Tu podes ser igual a todo o mundo teres defeitos mais que toda a gente, - que importa ? se este amor cego e profundo teima em dizer que te acha diferente ! Para mim (eu que te amo como um louco) os que falam de ti são línguas más, - ah ! todo o amor que te dedico é pouco e é sempre pouco o amor que tu me dás ! Sou a sombra que segue os teus desejos e aos teus pés, numa oferta extraordinária a minha alma vendeu-se por teus beijos... Falam de ti... Escuto-os... Fico mudo... se eu já sei quem tu és... se eu sei de tudo !