Frase de Reginalda Silva
Entre a caneta e o silêncio Como professora, caminho... não sobre chão firme, mas sobre cacos de expectativas e pós de esperança. Cobram de mim o impossível: números que sorriam para relatórios, metas que brilhem nos gráficos, resultados que não cabem no peito, mas são expostas em planilhas frias. Na sala de aula, ecoam não vozes curiosas, nem sussurros em busca de saber, mas do peso do desinteresse. Olhares vagos, mãos cansadas antes mesmo de escrever, corações distraídos pela promessa fácil de um benefício que paga a presença, mas não compra o desejo de aprender. O apoio? Palavra bonita nos discursos, mas ausente no cotidiano. As leis que um dia protegeram vão se dissolvendo como tinta velha sob a chuva. E o que sobra? Um palco de cobranças e a plateia da indiferença. As famílias, cansadas, omissas ou descrentes, entregam seus filhos e filhas como se fossem um pacote: "Está aqui. Ensine. Cuide. Resolva. Eduque." Os governos, contadores de cifras, olham para o professor e veem um custo, não um pilar, muito menos investimento. “Os professores ganham muito, incham a folha, têm muitos direitos, férias duas vezes ao ano, piso salarial, gratificações, recompensas, rateios... ganham apenas por quatro horas de trabalho E ninguém vê as horas roubadas de nossas famílias, de nosso lazer, de nossa saúde. Querem índices querem estatísticas, querem provas, querem resultados sorridentes, mesmo que as almas chorem. A carreira… longa estrada de títulos caros para salários curtos, onde a gratificação é um remendo que nunca vira tecido inteiro. Trabalhar muito, viver pouco. E o docente, esse resistente, esse malabarista de sonhos, continua ali, mesmo quando o respeito já não chega, mesmo quando a violência não é só física, mas se infiltra como veneno lento no corpo e na mente. Um dia, perguntaremos: O que fizemos da educação? Transformamos o mestre em operário de metas, a sala de aula em linha de produção, o saber em moeda barata. E, talvez tarde demais, descobriremos que sem professor não há futuro que se escreva.
No pensador.ai desde