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Frase de Alessandro Teodoro

⁠Bons tempos eram os em que os políticos só saqueavam cofres públicos; agora saqueiam as cabeças apaixonadas. Roubar dinheiro sempre foi uma atividade relativamente simples de compreender: havia um cofre, uma chave, um desvio e, quase sempre, algum rastro. Já o saque das consciências é uma operação ainda muito mais sofisticada. Não leva apenas recursos — leva discernimento, senso crítico e, sobretudo, a capacidade de desconfiar de quem promete pensar por nós. O político que saqueia o erário deixa a conta para a sociedade pagar. O que saqueia cabeças consegue algo ainda mais valioso: transforma o próprio prejudicado em defensor do saqueador. A paixão política, quando substitui a reflexão, faz com que a vítima passe a vigiar o cofre em nome do ladrão. E talvez essa seja a grande perversidade dos nossos tempos: já não é necessário convencer alguém de que determinada ideia é verdadeira; basta convencê-lo de que questioná-la é uma espécie de traição. A partir daí, qualquer crítica vira ataque, qualquer evidência inconveniente vira conspiração e qualquer contradição é perdoada em nome da “causa”. O saque perfeito não é aquele em que o ladrão foge levando tudo. É aquele em que ele permanece no palanque, acena para a multidão e recebe aplausos daqueles que acabaram de entregar a própria capacidade de julgar. Cofres podem ser reabastecidos. Orçamentos podem ser recompostos. Dinheiro, por mais doloroso que seja, pode voltar a circular. Mas uma consciência sequestrada é outro problema. Porque, quando alguém entrega a própria cabeça em troca de uma narrativa confortável, já não precisa de um político para roubá-la. Mas para protegê-la do pensamento por conta própria.

Alessandro Teodoro

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