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Frase de Castelo Hanssen

⁠CORGUINHO O pobre corguinho que canta na serra, Que corre, que corre, sem nunca cansar, Pobre Corguinho, é tão pequeninho, Mas, para mim, é “mais maior” que o mar. Ele, para mim, é bem maior que tudo, É grande,grande, como um coração, É o coração feliz e bom da serra, Da minha terra, do meu grande chão. Pobre Corguinho, é bem maior que o mar, Porque é bom, porque é cantor dolente, Não ruge como o mar e não se zanga, É humilde e pobre como a minha gente. Corguinho bom que Deus criou na serra, Que Deus criou cantando uma toada Naquele dia, Deus estava alegre, Criou o mundo e não criou mais nada E foi dormir, contente deste mundo Tinha criado a serra benfazeja, Tinha criado a mata, os passarinhos, Tinha criado a toada sertaneja. Corguinho bom, que vai descendo a serra Sem ambição, sem orgulho e sem nada Tudo o que tem vai entregar ao mar E morre feliz, cumprida a sua jornada Quando eu encontro alguém falando grosso, Quando um grande despreza um pequenino, Eu me lembro do mar, que ronca e bufa, E tudo o que ele tem deve ao corguinho... (in “Canção pro Sol Voltar “ Editora do Escritor Ltda” )

Castelo Hanssen

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Pensador.com

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⁠É NOITE,OS GATOS SÃO PARDOS É noite, e tudo é mentira As poças d'água na rua
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⁠É NOITE,OS GATOS SÃO PARDOS É noite, e tudo é mentira As poças d'água na rua enganam os pés incautos, o assobio engana o medo dos fantasmas e dos fatos. É noite,os gatos são pardos... Os muros todos escondem ladrões e policiais, as amizades escondem os "dedos-duros" fatais. A noite já foi suave, já foi ternura,seresta, namoro,luar e festa, conversa,banco;quintal, mas,nesta noite de medo, a gente nunca distingue qual é o amigo sincero, qual é o amor verdadeiro, e qual a flor cujo cheiro não é tóxico ou mortal. As palavras são sussurros, - as paredes têm ouvidos - as verdades são traiçoeiras, os amigos são temidos. Quem fala palavras boas pode ser falso ou vendido, quem grita está insuflando, quem cala está consentindo..

⁠POEMA CACHAÇA Eu queria fazer uma poesia que fosse cristalina como o dia
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⁠POEMA CACHAÇA Eu queria fazer uma poesia que fosse cristalina como o dia para ser consumida como o pão Uma poesia assim agridoce como a fruta do mato, pura como a água do regato melodiosa como uma canção. Uma poesia assim, que trouxesse beleza em cada rima, para ser cantada no trabalho, para ser batucada nas marmitas, para ser comentada nas esquinas. Uma poesia assim comum e popular, como a cachaça, que se bebe barato, que é de graça, que é do pobre, do rico, do sem nome. Uma poesia que todos entendessem, como todos entendem a palavra amor, ou a palavra fome.